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Literatura

Representatividade feminina 

Projeto Leia Mulheres, que joga luz sobre a produção literária de autoras, aborda hoje “Frankenstein”, de Mary Shelley

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Mulheres no comando. Da esquerda para a direita, as mediadoras do Leia Mulheres Camila Borges, Olivia Gutierrez e Mariana Castro
PUBLICADO EM 28/10/15 - 04h00

No último domingo, a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2015 provocou reações acaloradas nas redes sociais. É que, para a ira de machistas inconformados, o tema escolhido foi a persistência da violência contra a mulher no Brasil. O assunto, de fato, urge em ser debatido, e alavanca também discussões sobre outras privações de direitos das mulheres, como a desigualdade de salários e a falta de oportunidades em meios predominantemente masculinos. Esse foi um dos pontos de partida para a criação do projeto Leia Mulheres, que promove bate-papos e trocas de experiências sobre a literatura feminina. O clube de leitura realiza hoje, no Sesc Palladium, sua segunda edição, cujo livro em pauta será “Frankenstein” (1818), clássico da escritora britânica Mary Shelley.

O Leia Mulheres chegou ao Brasil neste ano, capilarizando a iniciativa da escritora inglesa Joanna Walsh. Em 2014, ela criou o Read Womens, buscando estimular a leitura de mulheres, projeto que se alastrou por cidades como São Paulo, Curitiba, Fortaleza, Brasília, Recife e Belo Horizonte. “O pessoal de São Paulo já tinha contato com a Olivia Gutierrez e a convidaram para coordenar o projeto em BH. Ela topou, e chamou eu e a Camila Borges para sermos mediadoras dos encontros”, conta Mariana Castro, que foi convidada por conta de um projeto pessoal que norteou suas leituras em 2015. “Decidi que neste ano eu só leria livros de mulheres. Estou lendo de tudo, e tendo várias surpresas boas”, afirma a mineira, que entre outros títulos leu “A Cor Púrpura” (1982), de Alice Walker, “A Elegância do Ouriço” (2006), de Muriel Barbery, e “Amor De Novo” (1996), de Doris Lessing.

Mariana Castro conta que, na capital mineira, o Leia Mulheres começou em setembro, no Café com Letras, abordando o livro “Orlando” (1928), da autora britânica Virginia Woolf. “O público foi bem maior do que imaginávamos, e o espaço acabou ficando pequeno. Então, entramos em contato com o Sesc Palladium, onde os encontros agora acontecerão mensalmente”, afirma. A obra de Mary Shelley foi escolhida por voto popular, na primeira edição do evento. “Primeiro, fazemos uma pré-seleção online, em que chegamos a três nomes, que são levados para votação durante os encontros”, explica.

Próximas edições. No mês de novembro serão duas edições: uma, no dia 25, cujo título debatido ainda será decidido pelas participantes; outra, no dia 13, com a presença da blogueira de literatura Denise Mercedes, que discutirá “Antes do Baile Verde” (1970), de Lygia Fagundes Telles. A mediadora Camila Borges ressalta que o clube não tem propósitos acadêmicos, somente busca a interação e o intercâmbio de experiências. “Nada mais é que uma troca de ideias sobre a leitura, sobre o que cada uma sentiu e aprendeu com aquele livro. Até porque não somos especialistas em literatura”, defende. “É um bate-papo aberto, que vai abordar autoras de estilos e décadas diferentes”, explica.

Camila Borges assinala que o Leia Mulheres mostrou que há uma demanda de leitura de produções femininas. “Percebemos isso pelo retorno da primeira edição, e pensamos que, além de divulgar as autoras mulheres, o projeto pode, também, incentivar e estimular jovens escritoras que queiram se aventurar pela literatura”, afirma. A mediadora defende, também, que as mulheres têm sido silenciadas pelo patriarcado, e que isso se reflete diretamente no mercado editorial. “Muitas autoras têm dificuldade para publicar seus livros, e são pressionadas a assinar com pseudônimos ou com abreviações, para suprimir o gênero”, revela. “A violência e a desigualdade de gênero se manifesta em diversas instâncias, e na cultura e na produção artística não é diferente. Não é que haja menos mulheres escrevendo, ou se interessando por literatura. São os olhares que não estão direcionados a elas”.

Agenda

O QUÊ. 2ª edição do Leia Mulheres Belo Horizonte – “Frankenstein”, de Mary Shelley

QUANDO. Hoje, às 19h30

ONDE. Espaço Multiuso do Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro)

QUANTO. Entrada franca

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