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Entrevista

Ricardo Gazel fala do desafio de estar à frente do Instituto Inhotim

O economista é o novo presidente do conselho de administração, desde o afastamento do empresário Bernardo Paz

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“Nossos parceiros nas leis de incentivo são sólidos, eles continuaram a trabalhar com a gente durante todo esse período e vão continuar trabalhando”
PUBLICADO EM 07/12/17 - 03h00

Após o afastamento do empresário Bernardo Paz, idealizador e ex-presidente do conselho de administração do Instituto Inhotim, é o economista Ricardo Gazel quem está no cargo desde 27 de novembro. Ex-professor da Universidade de Nevada, nos Estados Unidos, esse mineiro de Pavão, no Vale do Jequitinhonha, tem vasta experiência na área financeira, tendo atuado no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e no Federal Reserve do Banco Central dos Estados Unidos (FED), após ter sido diretor executivo do Instituto Inhotim entre 2012 e 2013.

Apesar da crise que levou à saída de Paz – anunciada depois de ele ter sido condenado a nove anos e três meses de prisão pela Justiça Federal – por lavagem de dinheiro – Gazel está otimista em relação ao futuro do espaço, que abriga um dos maiores acervos de arte contemporânea do Brasil. Para garantir o pleno funcionamento, em meio às dificuldades que vêm sendo enfrentadas pela instituição para captação de recursos via de leis de incentivo fiscal, o novo presidente do conselho administrativo aposta na manutenção das parcerias e na melhoria da economia brasileira.

Entre 2012 e 2013, o senhor foi diretor executivo do Instituto Inhotim, e, de lá para cá, a estrutura da instituição tornou-se mais complexa. Como você está encarando esse retorno? Como instituição que é muito dinâmica, ela mudou nesse período. Há uma nova galeria, como a da Claudia Andujar, e algumas novas exposições temporárias também. O parque, toda a parte do jardim botânico e os orquidários mudaram, ou seja, o Inhotim se ampliou e passou a oferecer um serviço de tecnologia que não tinha na minha época, como a possibilidade de localização via GPS. Teve um grande avanço nesse sentido e eu noto que a operação do parque está mais eficiente em certo aspecto. Há novas rotas para uso do visitante, e muitos dos programas que conheci, continuam, principalmente os sociais ligados ao entorno.

Daquela época até agora, o senhor acha que os desafios de se administrar uma estrutura como essa seguem os mesmos ou eles se tornaram maiores? Os desafios são grandes na gestão de qualquer empreendimento cultural no Brasil – e principalmente em um empreendimento do porte de Inhotim. Mas, ao mesmo tempo, a gente vê que os parceiros por vários anos continuam. Segue existindo no Inhotim uma estrutura muito profissionalizada, mas os desafios sempre vão ser grandes em qualquer empreendimento cultural. Obviamente que os dois anos de recessão na economia brasileira adicionaram desafios. Mas, neste momento, que estou voltando, a economia está crescendo novamente, o que possivelmente vai trazer mais oportunidades de novos parceiros. Isso pode facilitar um pouco mais a gestão do Inhotim.

O fato de o senhor ser economista e ter grande experiência na área, a seu ver, indica o tipo de prioridade que a instituição quer dar neste momento? Acho que a instituição procurou um nome que tivesse experiência internacional em gestão e que também conhecesse bem de economia. Eu já fui do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, fui economista do Federal Reserve Bank (Estados Unidos), professor da universidade. É uma série de experiências que espero trazer para dentro do Inhotim, mas atuando no conselho, porque não sou da parte operacional. Nós temos uma diretoria muito boa, o Antonio Grassi é o diretor executivo; temos, assim, pessoas muito capazes. Mas o conselho sempre tem esse papel de, junto com a diretoria, traçar as diretrizes estratégicas para a instituição. Outros papéis também são o de supervisor e o de aprovar o orçamento, as contas.

Nos últimos anos, o Instituto Inhotim tem buscado formas de obter o patrocínio direto para precisar recorrer menos aos investimentos por meio de captação via Lei Rouanet. Essa continuará sendo uma prioridade? Eu acho que tem que se procurar um equilíbrio. É óbvio que a lei de incentivo é fundamental, mas, em momentos de crise econômica, quando o lucro das empresas reduz e as leis de incentivo são baseadas no lucro, você, então, tem que procurar outras formas. Ao procurar outras formas, elas permanecem mesmo depois que a economia volta a crescer. A diretoria de captação tentou muito esse equilíbrio com doações diretas e o uso das leis de incentivo. E nossos parceiros nas leis de incentivo são muito sólidos. Eles continuaram a trabalhar com a gente durante todo esse período e vão continuar trabalhando no futuro. Ao mesmo tempo, nós vamos buscar outras formas de financiamento, como por exemplo, aconteceu com a construção da galeria da Claudia Andujar: foram 25 cotas de R$ 25 mil que permitiram a finalização da galeria.

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