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Música

Série de apresentações em BH celebra os 80 anos de Roberto Menescal

Nos quatro shows, convidados homenageiam autor de clássicos como “O Barquinho”

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Festa de Sol. Vários músicos acompanham Roberto Menescal no palco durante quatro apresentações em Belo Horizonte para celebrar os 80 anos do compositor
PUBLICADO EM 19/12/17 - 03h00

Pelo apelido do sobrenome. É assim que o time de entrevistados se refere a Roberto Menescal, ou, como reproduzem em uníssono: Menesca – dispensando a última letra e economizando na dicção, uma praxe entre os mineiros. A partir desta quarta-feira (20), eles se revezam no palco do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) para saudar as oito décadas de existência do anfitrião, que estará presente na série de quatro apresentações intitulada “Dia de Luz, Festa de Sol”.

“Estou fazendo o que só sei fazer: música e amizades. Não sei fazer outra coisa. É um prêmio da vida resultante desses mais de 60 anos de carreira”, agradece Menescal. Danilo Caymmi e Wanda Sá abrem as homenagens. Na quinta-feira será a vez de Léo Gandelman, Lula Galvão e Cris Delano. Toquinho e Sabrina Parlatore são as atrações do penúltimo dia, enquanto Fernanda Takai e Marcos Valle põem fim às celebrações.

“Conheci o Menesca em uma reunião na casa do Vinicius de Moraes. Tinha um trio com Edu Lobo e Dori Caymmi, e eles eram filhos de pais famosos, no caso o Fernando Lobo e Dorival Caymmi. Então, começamos a frequentar as rodas de músicos da bossa nova”, relembra Valle. “Até hoje sinto a força do Menesca em todos os momentos da minha carreira. Foi graças a ele que minhas primeiras músicas foram gravadas”, conta.

A estreia fonográfica aconteceu quando o grupo vocal Os Cariocas gravou “Amor de Nada”, por iniciativa de Menescal, que levou a canção de seu então aluno de violão ao conhecimento do conjunto. Essa é uma das canções possíveis no set list. “Fizemos o seguinte: escolhemos músicas minhas, do Menesca e do Tom Jobim, que é uma referência para nós dois”, explica Valle.

Da lavra do autor de “Um Novo Tempo” (“Hoje é um novo dia/ De um novo tempo que começou...”, o público poderá ouvir “Samba de Verão”, “Preciso Aprender a Ser Só” e “Gente”. De Menescal, comparece “Errinho à Toa”, uma raridade em shows. “Promessas”, “Esse Seu Olhar”, “Fotografia” e “Tereza da Praia” foram as selecionadas da extensa obra do Maestro Soberano, sendo que, na última, Valle e Menescal reproduzem dueto imortalizado por Dick Farney e Lúcio Alves.

No mesmo dia, Fernanda Takai dá o ar da graça. “Canto umas músicas mais do início da bossa nova, aí o Valle entra e a gente faz um dueto. E o bacana é que a gente conta um pouco a história de cada música. O Menesca revive como elas apareceram na vida dele. Acho que o público vai gostar”, aposta a cantora, que já tem um projeto engatilhado para 2018: “O Tom de Takai”, no qual interpreta obras menos conhecidas de Jobim, produzido, exatamente, por Menescal. “Trabalhar com ele é um grande incentivo. Muito generoso, atencioso, tem uma história enorme na música brasileira, respeitado mundialmente. É uma pessoa fácil de conviver. Um superídolo, no melhor sentido da palavra”, elogia. O maior sucesso da trajetória de Menescal será levado à baila por Fernanda naquele que promete ser um dos grandes momentos da série. “Decidimos tocar ‘O Barquinho’ com a Fernanda cantando em japonês, pela relação que nós dois temos com o país”, diz Menescal.

ENCONTROS. Filho de um dos maiores compositores brasileiros, Danilo Caymmi atribui a Menescal os caminhos tomados em sua carreira. “Quem me definiu como cantor foi o Menesca. O primeiro disco de sucesso que gravei foi produzido por ele. Até então, não cantava profissionalmente. Participava da banda do Tom Jobim, que me descobriu, mas o Menesca foi quem me mostrou outros rumos”, afirma.

“Ele tem todas as qualidades de um artista incansável. Está sempre trabalhando, produzindo gente nova. É responsável por discos importantíssimos na música brasileira. Fico impressionado com sua vitalidade”, completa Danilo, que elege um disco de Menescal que nunca deixa sua memória. “Sofri muita influência dele, escutei muito. Sabia de cor e salteado todas as músicas de ‘A Bossa Nova de Roberto Menescal e Seu Conjunto’, que saiu pela gravadora Elenco em 1966”, recorda.

Ao lado de Wanda Sá e do próprio Menescal, Danilo dará voz a clássicos do cancioneiro nacional, como “Bye Bye Brasil” (Chico Buarque e Menescal), “Doralice” (Dorival Caymmi e Antonio Almeida) e “Da Cor do Pecado” (Bororó). Já a outra convidada era até outro dia mais conhecida como apresentadora e se tornou uma surpresa positiva para o próprio Menescal.

“Não a conhecia pessoalmente. Ano passado, fui fazer um show em Gravatá, cidade na serra pernambucana. No aeroporto, ela estava chegando e me contou que faria um show. Mas estava apavorada, pois os músicos iam chegar só na hora da apresentação. Fui logo falando: ‘Ué, vamos ensaiar nós dois, então’. É uma pessoa maravilhosa”, elogia Menescal, em referência a Sabrina Parlatore, que neste ano participou do programa “Popstar”, na Globo.

“É uma nova carreira que se inicia. O que eu quero é cantar. E cantar com ele é uma honra tremenda”, garante Sabrina. Por fim, Menescal faz um balanço sobre o tempo. “Quando comecei, tinha um fusquinha ruim pra burro. Hoje tenho um carro que ligo e sai andando”. (com Patrícia Cassese)

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