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Uma escola chamada Gal

Filha de Juca Ferreira, Dandara Ferreira dirige minissérie “O Nome Dela É Gal”, sobre a cantora Gal Costa, para HBO

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Minissérie surgiu a partir de um DVD ao vivo nunca concretizado
PUBLICADO EM 19/06/17 - 03h00

Dandara Ferreira começou a estudar teatro ainda jovem. Mas na época, uma de suas professoras foi Fátima Toledo. E a aluna começou a mostrar cada vez mais interesse pelo outro trabalho de sua mestre, renomada preparadora de elenco de vários filmes nacionais. A atração das câmeras e sets foi tamanha que “na época do vestibular, decidi que queria estudar cinema”, conta Dandara, admitindo que pode ter sido um desejo herdado no DNA, já que seu pai – o ex-ministro Juca Ferreira, que assume hoje a pasta da cultura em Belo Horizonte – também sonhou em ser cineasta antes de se embrenhar pela política.

Logo que se formou, aos 23 anos, ela começou a trabalhar com vídeos musicais, dirigindo clipes como “As Palavras” e “Segue o Som”, de Vanessa da Mata. O trabalho foi se tornando um tipo de especialização que Dandara não tinha pretendido, mas rendeu a ela a grande oportunidade de sua carreira até hoje. “Eu sempre fui muito fã da Gal (Costa). E sempre me incomodava a falta de material audiovisual sobre ela. Tentei alguns contatos para fazermos um documentário, mas ela sempre desconversava. Só que acabamos nos aproximando, e a equipe dela me convidou para dirigir o DVD de um show”, explica.

O projeto acabou não dando certo, mas Dandara aproveitou a chance para fazer seu xeque-mate: propor um programa de TV sobre a história de Gal Costa. E, incrivelmente, uma das artistas mais reclusas e discretas da MPB disse sim. O resultado é a minissérie “O Nome Dela É Gal”, em exibição na HBO aos domingos, às 22h.

Dividido em quatro episódios de cerca de 1h, o programa vai desde o início, em Salvador, como a baianinha Maria da Graça, “Gracinha”, passando por todas as fases da artista, até o sucesso da turnê do álbum “Estratosférica”, em 2015. “Fiz a proposta num almoço em junho de 2015, e ela estava num período de 50 anos de carreira, 70 de vida, que queria isso”, considera a diretora.

Só que Dandara descobriu, da maneira mais trabalhosa, que “topar” não significava que Gal ia de uma hora para outra abrir o livro de sua vida e se debulhar em revelações em frente à câmera. “Eu achava, na hora que ela topou, que eu teria acesso a tudo, que ia invadir a vida da pessoa. E aí, a cada dia, ela determinava até onde era meu limite ‘daqui você não ultrapassa’”, confessa. O que não quer dizer que não haja verdade na minissérie. “O documentário mostra a personalidade da Gal, reservada. Não dá para querer que ela seja uma pessoa que não é. E ela acabou falando muita coisa que nunca discutiu, como a relação com o pai, que tinha uma outra família”, revela.

Ainda assim, Dandara se comprometeu a focar a minissérie na carreira da cantora, e não em sua vida pessoal. E não pôde filmar na casa, nem teve acesso ao acervo pessoal, de Gal. Para preencher as lacunas, a produção recorreu ao depoimento de uma série de personagens – das amigas de infância Sandra e Dedé até Caetano, Gil, Bethânia, Tom Zé e Nelson Motta – e correu atrás de material de arquivo da época.

“Foi uma pesquisa bem trabalhosa, porque muita coisa no Brasil foi apagada durante a ditadura, então a gente teve que ir atrás de material lá fora”, explica a diretora. Com isso, “O Nome Dela É Gal” conta com uma série de imagens de TVs francesas, alemãs e de Londres que surpreenderam a própria Gal. “Tem uma imagem dela tocando violão na praia que ela não lembrava. Era material inédito de uma TV alemã”, gaba-se Dandara.

A minissérie conta ainda com um emocionante depoimento de Bethânia – que teve um desentendimento com Gal e não fala com ela desde 2012, mas foi a primeira a confirmar sua participação –, afirmando que a conterrânea é “a maior cantora do Brasil”. E traz trechos inéditos de uma autobiografia que a cantora começou a escrever e nunca publicou. “Eu fiquei surpresa com o conteúdo dos textos, muito bem escritos e embasados. Não imaginava que a Gal escrevesse dessa forma”, admite Dandara.

Para a diretora, essa perspectiva – de uma mulher contando sua própria história, por meio do olhar de outra mulher – é a grande força do programa. Não por acaso, seu episódio favorito é o segundo, sobre a fase tropicalista de Gal – não só porque incluem seus discos prediletos da cantora, mas porque é uma das primeiras vezes que se conta a história do movimento de um ponto de vista feminino.

“É uma responsabilidade muito grande contar a história de uma mulher que teve essa importância para a cultura brasileira”, reconhece. E o contato com toda essa potência se revelou contagioso: o próximo projeto de Dandara é um longa documental sobre mulheres empoderadas. “Só que desta vez, fora da música e fora das artes”, ela ri.


Sombra do pai não incomoda diretora

FOTO: Elza Fiuza / Agência Brasil
Juca Ferreira
Dandara afirma que pai, Juca Ferreira, sonhou em ser cineasta antes de entrar na política

Orgulhosa da trajetória do pai, Dandara Ferreira afirma não se incomodar quando alguém se refere a ela como “a filha do Juca”. Segundo ela, isso abre menos portas do que as pessoas imaginam, e ela nem se sente obrigada a provar seu talento, porque muita gente nem sabe de seu parentesco “real”. “O Caetano e Gil são amigos do meu pai, mas a Gal, por exemplo, nem conhece ele tanto assim”, afirma.

Baiana de nascimento, ela conta, ainda, que vive há 19 anos em São Paulo. E quando Juca foi nomeado como secretário da cultura da cidade, pelo ex-prefeito Fernando Haddad, a situação – na verdade – foi inversa. Formada em cinema pela conceituada FAAP e tendo trabalhado em diversas produtoras, em contato com diferentes áreas da cultura, Dandara é relativamente conhecida nos meios em que o pai circulou. “Ele me contava que todo dia encontrava alguém que dizia ‘ah, você é o pai da Dandara!”. Eu respondia ‘pois é, agora você está no meu território’”, ela brinca.

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