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BTG Pactual afirma que não conseguiu vender nenhuma debênture da PBH Ativos

Em depoimento à CPI da PBH Ativos da Câmara Municipal de Belo Horizonte, diretores do banco BTG Pactual afirmaram que a operação que fizeram junto à empresa não foi bem-sucedida para a instituição financeira. Eles disseram que não conseguiram vender nenhuma das debêntures emitidas com base nos créditos que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) tem a receber de dívidas parceladas. Debêntures são títulos de crédito que rendem juros ao comprador do título. Diante do fracasso, eles tiveram que assumir o risco da operação e ficar com todos os ativos.

O diretor de risco do BTG Pactual, André Fernandes, participou nessa segunda-feira (11) da sessão da CPI. Ele representou o ex-executivo-chefe do banco André Esteves, que havia sido convocado a prestar depoimento na CPI.

Fernandes explicou que o BTG não demonstrou interesse em participar da primeira licitação para a escolha da instituição financeira que iria gerenciar e negociar os títulos da PBH Ativos. Mas, como o primeiro leilão não teve interessados, e houve alterações no edital, o banco decidiu participar e venceu o segundo processo licitatório em que foi o único interessado. Segundo o executivo, foram emitidos R$ 230 milhões em debêntures, com a remuneração fixada em 5% mais a inflação ao ano. Porém, logo após a emissão dos títulos, houve uma piora do mercado financeiro, o que fez o Tesouro Nacional aumentar a rentabilidade do Tesouro Direto. Assim, o título público ficou mais atrativo do que as debêntures da PBH Ativos e com um risco muito menor.

“Os principais compradores dessas debêntures são os fundos de pensão. Geralmente, esses fundos buscam investimentos que pagam 5% acima da inflação, o que normalmente precisam para cobrir o seu passivo. Aconteceu que os títulos do Tesouro passaram a oferecer uma rentabilidade acima de 6% mais a inflação. Nesse cenário, as debêntures perderam a atratividade”, explicou Fernandes.

O diretor do BTG Pactual afirmou que, como não houve interessados na compra dos títulos, o banco teve que executar o que é chamado de “garantia firme”, quando a própria instituição é obrigada a investir nas debêntures da PBH Ativos. Porém, ele explica que isso não significa que o banco perdeu dinheiro. “Ele (BTG Pactual) comprou um papel que não queria ter. Há alocações com risco menor e um retorno maior onde esse dinheiro poderia estar aplicado. Ainda hoje, a gente não consegue vender o papel”, explicou o diretor da instituição.

Por fim, Fernandes explicou que, se o BTG Pactual quisesse, poderia ter executado o valor integral das debêntures, obrigando a Prefeitura de Belo Horizonte a fazer o pagamento de todo o valor investido, com a correção devida. É que o contrato prevê que, se houvesse o rebaixamento da nota de risco da Prefeitura de Belo Horizonte por partes das agências internacionais, o banco poderia se desfazer da obrigatoriedade de manter a garantia de compra. O rebaixamento da nota ocorreu em dezembro de 2016, mas, na época, a prefeitura negociou com o banco que fez o resgate de apenas 20% do valor do montante total.

O presidente da CPI, vereador Gilson Reis (PCdoB), afirma que o fato de não haver interessados na compra dos títulos mostra que há problemas nessa operação, que pode ser até mesmo questionada judicialmente. “Não haver interessados para um título que tem muitas garantias é porque há algum problema. No meio desse processo houve vários questionamentos sobre a validade dessa operação, que foi realizada pela primeira vez por um município”, ponderou o parlamentar.

Apesar disso, Reis não acredita que o banco BTG Pactual tenha tido prejuízos financeiros com a operação. Ele não descarta que a emissão de debêntures seja uma operação de crédito disfarçada, o que poderia ser enquadrado em uma antecipação de receitas por parte da prefeitura. “Eu não acredito que foi um mau negócio para o banco. Ele teve garantido um bom rendimento, sem risco e ainda conseguiu antecipar o pagamento de R$ 30 milhões”, afirmou o vereador.

Nesta quarta-feira (13), quem será ouvido na CPI da PBH Ativos é o secretário de Estado de Fazenda, José Afonso Bicalho, ex-presidente da empresa. (Bernardo Miranda)

Frase do dia

“Se a delação indica que houve um indício, e se além do indício você encontrar elementos comprobatórios de que houve um crime, é claro que isso vale. O fato de que a pessoa foi bastante fanfarrão não é suficiente para anular se os indícios levarem a alguma coisa mais concreta do que a palavra dele.”
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ex-presidente, sobre a delação da JBS

Congestionamento de presidenciáveis

Belo Horizonte receberá nos próximos dias, no intervalo de uma semana, pelo menos três presidenciáveis. O primeiro a chegar é o ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT). Ele retorna à capital nesta terça-feira (12) para uma palestra no Congresso Estadual da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB). Na quinta-feira quem desembarca em BH é o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que participa do lançamento de um livro no Automóvel Clube. Na segunda-feira, dia 18, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), estará no Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG). O Estado de Minas Gerais tem sido bastante procurado, principalmente após o ocaso das lideranças mineiras, o que deixou o cenário bastante embaralhado. Sabe-se que quem perde em Minas dificilmente leva o Palácio do Planalto. Nas últimas semanas, Ciro Gomes já havia marcado presença na capital mineira no mesmo dia em que a ex-senadora Marina Silva (Rede).

Escondidos

FOTO: Reprodução / Fox

Estreou nessa segunda-feira (11) a segunda temporada da série “1 contra Todos”, transmitida pelo canal Fox. Na trama, o advogado Cadu (Júlio Andrade) tem que recomeçar sua vida após passar anos preso injustamente. Para isso, ele decide virar deputado federal com o objetivo de mudar o Brasil. Sem conseguir autorização para gravar cenas da série no Congresso, Júlio e o diretor, Breno Silveira, entraram escondidos no Legislativo e filmaram algumas cenas com um celular. Eles conseguiram gravar até mesmo no plenário da Câmara (foto) após convencerem um segurança de que eram turistas. A gravação foi interrompida por um repórter que reconheceu Júlio. Com isso, cada um teve que sair para um lado, fugindo dos seguranças.

Medalhas em Diamantina

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), entrega nesta terça-feira (12) a Medalha Presidente Juscelino Kubitschek a 109 personalidades e entidades. A solenidade acontece em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. Durante a cerimônia, 11 governadores do país vão receber a Grande Medalha. Estão na lista os governadores de Acre, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe e Santa Catarina. Além disso, o chefe do Executivo do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), também está na lista de homenageados. Curiosamente, nas últimas semanas, Pimentel criticou em seus discursos a gestão que o peemedebista tem feito à frente do Estado, citando o atraso do pagamento do funcionalismo público. Já com a Medalha de Honra vão ser agraciados, entre outros, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), e a presidente do Servas e mulher do governador, Carolina de Oliveira.