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Encontros do PMDB de Minas sem aval da executiva deixam deputados irritados

Uma briga por território eleitoral tem incomodado deputados do PMDB de Minas. Os parlamentares se queixam de uma atitude do vice-governador e presidente da legenda no Estado, Antônio Andrade, de convocar reuniões nas cerca de 50 coordenadorias do partido, sem o conhecimento de toda a executiva. Essas coordenadorias são espécies de subdiretórios da sigla espalhados em todo território mineiro, que têm a função de auxiliar o diálogo com cidades do interior.

O tema foi muito discutido na primeira reunião do ano do PMDB de Minas – que ocorreu na última semana – e continua gerando insatisfação, uma vez que a deliberação sobre o assunto foi adiada. A principal reclamação de integrantes da executiva foi de que foram enviadas cartas convocando prefeitos do interior para encontros sem que os deputados majoritários da região e todos os integrantes do diretório estadual soubessem.

O que causou ainda mais a ira dos políticos foi a informação de que o suplente de deputado estadual João Alberto, próximo de Andrade, estaria articulando, juntamente com seus assessores, reuniões e visitas a essas cidades do interior. Os parlamentares entenderam o ato como uma afronta, uma vez que Alberto deve ser candidato em 2018 e poderia estar fazendo campanha “no território dos outros”.

Além disso, se uma possível eleição da executiva do PMDB de Minas de fato ocorrer, o vice-governador poderia ter mais vantagens no pleito se tentasse a reeleição, já que muitos delegados do partido, que votam na convenção, estariam nesses encontros. A ala da legenda que é contra Andrade quer uma renovação no partido via eleições por acreditar que, até o momento, tem delegados suficientes para eleger outro nome. Porém, a decisão sobre se Andrade vai ser reconduzido ou não fica a cargo da executiva nacional do PMDB.

Durante a reunião do diretório, membros da sigla disseram que “obviamente” os prefeitos iriam contar sobre os encontros e, consequentemente, somente compareceriam se o deputado da região autorizasse. Mas Andrade afirmou que esses subdiretórios existem para aumentar o diálogo do partido com os municípios. “As coordenadorias foram criadas para aproximar o partido dos municípios, não foi para a disputa eleitoral”, declarou.

O deputado federal Mauro Lopes reclamou, na última semana, dos encontros “às escondidas”. “Nenhum prefeito meu foi à reunião por falta de diálogo. Essas reuniões estão ocorrendo sem conhecimento de toda a executiva e sem a participação dos deputados majoritários da região”, afirmou. O coro foi engrossado pelo deputado estadual Tadeu Martins Leite, que argumentou que a maioria das reuniões, pelo que chegou a ele, não teve quórum qualificado porque os parlamentares da área não sabiam da mobilização. (Fransciny Alves)

Chuva de ovos

FOTO: GIULIANO GOMES/ESTADÃO CONTEÚDO - 14.7.2017

Um protesto realizado durante o casamento da deputada estadual Maria Victoria (PP-PR) teve registros de confrontos entre policiais militares e manifestantes. Após a saída dos convidados da Igreja do Rosário, no centro de Curitiba, houve momentos de tensão em frente ao Palácio Garibaldi, onde ocorreu a recepção aos convidados. Maria Victoria é filha do ministro da Saúde, Ricardo Barros, e da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti. Na saída dos convidados da igreja, os manifestantes jogaram dezenas de ovos contra os participantes, incluindo a noiva e os pais dela. Os convidados precisaram ser escoltados pela PM até o local da recepção.

Emendas II

Diga-se de passagem, alguns deputados estaduais acham que a quantia de R$ 1,5 milhão para cada parlamentar indicar em emendas anualmente é “pouco”. Um político desabafa e diz que não tem como disputar com os deputados federais do Estado, que têm direito, por ano, a R$ 15 milhões em emendas parlamentares. “É difícil competir numa eleição com eles. Todo mês estão na comunidade inaugurando obras, asfalto, enquanto isso a gente tem pouco dinheiro para indicar, e o governo ainda demora a liberar esse recurso. É muito difícil”, avaliou um parlamentar, completando que a discussão sobre o aumento desse valor sempre vem à tona na Assembleia, mas que, por causa da crise financeira, os políticos estão esperando o “melhor momento” para tratar o tema. 

Emendas I

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), já liberou pouco mais da metade do dinheiro das emendas parlamentares indicadas pelos deputados estaduais no ano passado. Cada um dos 77 políticos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) tem direito a indicar, por ano, R$ 1,5 milhão em emendas, que, no total, chegam a R$ 115,5 milhões. A preocupação que ronda o Legislativo é quanto às quantias que foram indicadas para atender entidades assistenciais. Isso porque essas instituições somente podem receber o dinheiro até dezembro deste ano, uma vez que em 2018 vai ter disputa eleitoral. Como o governador demorou a liberar as emendas neste ano, por causa da crise econômica pela qual passa o Estado, os deputados temem que essas entidades, que os ajudam na hora da eleição, não recebam o montante a tempo. 

Frase do Dia

“Vou votar com o governo porque precisamos retomar a economia. O povo quer é emprego. Se aparecer um fato que comprove a ligação de corrupção, aí voto contra. Mas o povo esquece isso até as eleições.” Carlos Henrique Gaguim, Deputado federal (Podemos-TO)