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Pimentel e Aécio podem reeditar 2010 e se enfrentar por vagas no Senado

A disputa pelas duas cadeiras no Senado por Minas Gerais pode reviver a eleição de 2010. Tal qual naquele pleito, Aécio Neves (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) podem vir a disputar a preferência do eleitor mineiro.

Segundo interlocutores ouvidos pelo Aparte, o governador Fernando Pimentel cogita deixar de tentar a reeleição ao governo do Estado para concorrer ao Senado. O motivo para isso seria o temor de não se reeleger. O petista avalia que o desgaste com os servidores por causa do pagamento parcelado dos salários e os atrasos em repasses ao municípios poderiam minar suas chances de ser reeleito governador.

Conquistar uma vaga no Senado é visto pelos aliados do petista como uma maneira mais fácil de ser eleito e manter o foro privilegiado, prerrogativa que perderia caso não fosse reeleito governador. No entanto, para concorrer ao Senado, Pimentel terá que deixar o cargo de chefe do Executivo estadual até abril, o que custaria o fim do foro privilegiado ao petista. Ele só reconquistaria o foro se fosse eleito e diplomado.

Pimentel foi denunciado três vezes por causa da operação Acrônimo. O petista é suspeito de corrupção passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Ele teria beneficiado, em troca de propina, a montadora Caoa e as empreiteiras Odebrecht e JHFS quando era ministro de Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Já Aécio Neves (PSDB), depois de ter sido gravado pelo delator da JBS, Joesley Batista, pedindo R$ 2 milhões, sofreu um desgaste político e até pensou, em conversas com aliados, a disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados em vez de concorrer à reeleição ao Senado. A possibilidade foi aventada para que o tucano mantivesse o foro privilegiado.

No entanto, o próprio Aécio, durante a convenção estadual do PSDB, em novembro, disse que não disputaria um cargo na eleição proporcional.

Tanto o petista quanto o tucano fazem um cálculo simples: com duas vagas em disputa para o Senado e com a possibilidade de vários concorrentes ao cargo, a quantidade de votos necessária para ser eleito seria menor. Em 2010, Aécio foi eleito como o mais votado, com 7,65 milhões de votos. Vale lembrar que ele havia acabado de deixar o governo do Estado após dois mandatos consecutivos. Em segundo lugar ficou Itamar Franco (PPS), com 5,12 milhões de votos. Pimentel ficou em terceiro lugar, com pouco mais de 4,59 milhões de votos.

As duas candidaturas ao Senado alterariam de forma drástica o panorama eleitoral de 2018. Sem uma tentativa de reeleição, a base governista em Minas ficaria em um vácuo sem candidatos aparentes. Sem contar que o governo do Estado cairia no colo do vice-governador Antônio Andrade, o que o tornaria candidato praticamente imediato à reeleição.

A oposição também precisaria se reorganizar. Atualmente, o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) se coloca como pré-candidato ao Palácio Tiradentes. Pimentel e Aécio, em 2008, chegaram a se unir para apoiar o pessebista.

Em família. Acusada pela operação Acrônimo de supostamente ter participado de esquemas de desvio de recursos públicos, a mulher do governador Fernando Pimentel, a publicitária Carolina Pimentel, também pode aparecer nas urnas.

Segundo os mesmos interlocutores, em conversa com a coluna, Carol Pimentel tentaria uma vaga na Câmara Federal pelo PT. Não seria a primeira vez que ela procuraria um refúgio no foro privilegiado. Em 2016, o próprio marido chegou a nomeá-la como secretária de Estado de Trabalho, mas a Justiça acabou impedindo a posse.

FOTO: NUNO GUIMARÃES/ESTADÃO CONTEÚDO

Protesto. Um dia após acordar o retorno dos policiais civis e militares ao trabalho nas ruas, depois de 21 dias de paralisação, o governo do Rio Grande do Norte voltou a ser alvo de protestos e a enfrentar novos problemas. Na manhã de ontem, centenas de servidores públicos cercaram a sede da Assembleia Legislativa. Os deputados pretendiam iniciar a discussão do pacote de ajuste fiscal composto por 18 pontos – entre os quais aumento da alíquota da contribuição previdenciária e corte de gratificações, além de criação de previdência complementar. Um dos primeiros deputados estaduais a chegar ao prédio foi Ricardo Motta, do PSB. Aos gritos de “ladrão” e “vagabundo”, o parlamentar teve dificuldades em entrar por uma das portas alternativas da Casa legislativa, pois foi cercado pelos servidores estaduais e acabou sendo atingido por um ovo. Policiais militares do Batalhão de Choque, que até a última quarta-feira estavam em greve, escoltaram o parlamentar. A proposta não foi votada.

“Não preciso do apoio do PSDB. Terei vários apoios comigo. Sou desconhecido, mas no dia que assumir (o governo de São Paulo) vou passar a ser conhecido, eu suponho.”

Márcio França (PSB)

Vice-governador de São Paulo

Guerra de vídeos

A queda de braço entre a Associação Mineira de Municípios (AMM) e o governo de Minas Gerais continua. O presidente da entidade e prefeito de Moema, Julvan Lacerda (MDB), publicou ontem nas redes sociais mais um vídeo rebatendo as declarações do Estado de que está com os repasses do ICMS e do IPVA em dia com as prefeituras. Lacerda diz que o Executivo deve cerca de R$ 3 bilhões para as cidades, o que inclui juros e correção do ICMS e transferências para o transporte escolar, por exemplo. “O Estado está confiscando nosso dinheiro. Vamos mostrar a realidade. Os prefeitos estão querendo resolver a situação. Nós sabemos da dificuldade que o Estado vive, mas os municípios não podem pagar essa conta”, declarou Julvan Lacerda. Anteontem, o secretário de Estado de Fazenda, José Afonso Bicalho, também havia divulgado um vídeo para rebater o presidente da AMM.

Em busca de apoio

Apontado pelo DEM como pré-candidato à Presidência da República, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), se encontrou ontem com o ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), que comanda o PR. Com a sexta maior bancada da Casa (37 deputados), o partido é um dos que Maia tenta atrair para viabilizar sua candidatura ao Palácio do Planalto. O presidente da Câmara acredita que poderá contar com apoio da sigla caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja condenado em segunda instância e, assim, fique impedido de concorrer. Caso ele seja candidato, Valdemar e outros integrantes do PR têm defendido, nos bastidores, aliança com Lula. As articulações de Maia para uma possível candidatura à Presidência já contariam com o apoio do PP e do Solidariedade, legendas que fazem parte do centrão e que dão apoio ao governo de Michel Temer.