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Tradicional cerimônia de 21 de Abril sai da praça Tiradentes depois de quase 70 anos

Pela primeira vez depois de quase 70 anos, a solenidade de entrega da Medalha da Inconfidência – maior honraria concedida pelo Estado de Minas Gerais – não será realizada na praça Tiradentes, em Ouro Preto. Parte da tradicional cerimônia acontecerá no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Somente o cerimonial oficial de tiros, o hasteamento da bandeira e a colocação de flores no monumento de Tiradentes serão realizados em ambiente aberto, no local de costume. A entrega da medalha, que também acontecia na praça, será feita no centro de convenções da Ufop.

Segundo fontes da oposição, que pediram para não ser identificadas, a mudança ocorre para evitar manifestações contrárias ao atual governo do PT, que enfrenta greves do funcionalismo público, escalona o salário dos servidores há quase três anos e vem atrasando repasses fundamentais para os municípios, como o ICMS e o IPVA.

Para o deputado estadual Sargento Rodrigues (PTB), a mudança representa uma perda para o povo, uma vez que a praça tem um significado histórico no que se refere ao exercício da cidadania. “O partido que ocupa hoje o Palácio da Liberdade não consegue enxergar a grandeza desse simbolismo, exatamente porque tem um governador que não consegue caminhar no meio do povo”, criticou. “Um governador que não permite o acesso do povo com medo de ser xingado, de ser retaliado, não só pelo cidadão, por causa do envolvimento dele na operação Acrônimo, mas também pelas entidades de classe, dos trabalhadores, do serviço público. Ele não quer nenhum tipo de manifestação contrária ao seu governo. É o poder absoluto, é o tirano de Minas Gerais”, disparou.

Já o deputado estadual Gustavo Valadares (PSDB) diz que a atitude vem de um governo impopular: “Não há clima para o governador Fernando Pimentel receber ninguém na praça. Ainda mais na praça Tiradentes”. Segundo Valadares, levar a cerimônia para um lugar fechado, com plateia controlada e apenas convidados do próprio governo, é algo “muito bem-planejado” para ser feito em período pré-eleitoral.

Para a presidente da Central Única dos Trabalhadores em Minas (CUT-MG), Beatriz Cerqueira, fazer a cerimônia da Medalha da Inconfidência em um centro de convenções contradiz o próprio significado da data. “O 21 de Abril é uma celebração de um processo de contestação de que Minas foi protagonista. Fazer em um local fechado significa restringir o que é o evento”, declarou. Ainda assim, a presidente da CUT afirmou que, independentemente de onde seja realizada a solenidade, os movimentos sociais estarão presentes. “Vamos fazer o nosso ato popular independentemente do formato. Vamos fazer um grande ato em defesa do Lula, além de reivindicar nossas pautas”, disse. 

Beatriz ressaltou que sempre discordou de como o evento era montado em governos anteriores, dado o forte aparato policial, a quantidade de grades e a restrição de acesso às pessoas. “O grande problema é ter transformado um ato que deveria ser popular em uma cerimônia com tanto controle e restrição. De fato, a própria população ficava restrita de circular na cidade”, ponderou.

Em nota encaminhada à imprensa após questionamento do Aparte, o governo de Minas informou que a divisão da solenidade em dois momentos visa atender “pedidos da população local”. Segundo o governo, “a demanda partiu de lideranças políticas, comerciantes e moradores, afetados pela realização do evento, e foi encaminhada ao governo por meio de ofício”. O Estado explicou que, com a mudança, a cerimônia vai durar, entre preparativos e solenidade, menos de 24 horas, sendo que em anos anteriores o local chegou a ficar fechado por mais de dez dias. Também em nota, a Prefeitura de Ouro Preto informou que a cerimônia será alterada para atender “reivindicações de populares há muito solicitadas”. (Ana Luiza Faria) 

Presidência

FOTO: Marcos Corrêa/PR

A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, assumiu nessa sexta-feira (13) a Presidência da República no lugar de Michel Temer (MDB), que viajou ao Peru para participar da Cúpula das Américas. Cármen Lúcia exercerá o cargo por apenas um dia para evitar que os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), se tornem inelegíveis neste ano. A lei eleitoral determina que quem assume a Presidência em um prazo de seis meses antes do pleito não pode se eleger. Para não assumirem o Executivo, eles precisariam apenas se licenciar do cargo, mas resolveram também se ausentar do país. Nessa sexta-feira (13) à tarde, Cármen Lúcia despachou do Palácio do Planalto, onde teve documentos para assinar, seguindo o protocolo. Pela manhã, Cármen Lúcia tinha ido à base aérea se despedir de Temer. A expectativa é que o emedebista retorne ao Brasil neste sábado (14) e reassuma o cargo.

Temer indica porta-voz para assumir EBC

O presidente Michel Temer decidiu indicar seu porta-voz, Alexandre Parola, para presidir a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), do governo federal. O nome do embaixador, que não tem experiência em veículos de comunicação ou na administração de canais de televisão, ainda será submetido ao Conselho de Administração da empresa. A escolha de Parola foi feita após uma queda de braço entre setores do governo. O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, queria a nomeação do ex-superintendente da Record Carlos Clemente, que também tinha o apoio da bancada evangélica. O nome dele enfrentava resistência tanto no Conselho de Administração da empresa como na Casa Civil. Com o impasse, Temer decidiu adotar uma solução caseira e indicar o porta-voz, que vinha sofrendo críticas dentro do Planalto. Nos últimos meses, ele raramente fazia pronunciamentos à imprensa. Além de porta-voz, Parola fazia a intermediação com a imprensa estrangeira. O Planalto argumenta que ele foi escalado para a função porque tem experiência em comunicação governamental, uma boa relação com o presidente, qualificação e capacidade intelectual. Atual presidente da EBC, Laerte Rímoli pediu para deixar o cargo no mês passado.

Juízes pedem celeridade no caso Marielle

Completado um mês desde o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, um grupo de mais de 170 juízes federais se uniu para fazer um abaixo-assinado exigindo celeridade na condução da investigação do caso. No texto, os juízes exaltam o trabalho da parlamentar na Casa. “Não apenas apurar com efetividade e de acordo com o devido processo legal as responsabilidades por seu assassinato, é preciso prosseguir no seu exemplo e na sua trilha, insistindo para que justiça e equidade fortifiquem milhões de flores teimosas, rompendo o asfalto das injustiças e transformando o deserto urbano da desigualdade de oportunidades. A mensagem do ódio não pode reverberar”, diz trecho da nota. O texto divulgado serviria também como uma resposta a um suposto crescimento do conservadorismo no Judiciário brasileiro. De seções judiciárias de Minas Gerais, 12 juízes federais assinaram o documento. Na próxima quarta-feira (18), a Câmara Municipal de Belo Horizonte, por iniciativa das vereadoras Áurea Carolina e Cida Falabella, também do PSOL, fará uma sessão solene de caráter inter-religioso, político e cultural em homenagem e luto por Marielle.