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Dieta

Excluir o glúten pode deixar a alimentação desequilibrada

Versão dos alimentos livres de derivados do trigo é menos saudável que a original, alerta estudo

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Comparação. Alimentos sem glúten podem conter doses mais elevadas de calorias e gorduras
PUBLICADO EM 30/05/17 - 03h00

Acreditar que a versão dos alimentos livre de glúten (proteína derivada de trigo, centeio e cevada) é sempre mais saudável e excluir esse nutriente por completo do cardápio, sem observar os rótulos e sem que haja uma condição patológica (celíacos), pode acabar provocando o efeito inverso ao esperado na balança. A consequência, no fim das contas, é um desequilíbrio alimentar.

Pesquisadores avaliaram mais de 1.300 produtos sem essa proteína. A conclusão é que, na maioria deles, o valor energético é significativamente mais alto e a quantidade de proteína chega a ser até três vezes menor, especialmente em pães, massas, pizzas e farinhas. Além disso, as versões sem glúten costumam oferecer menos (ou zero) fibras e alto índice glicêmico.

O estudo foi divulgado no 50º Congresso Anual da Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica (The European Society for Paediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition – ESPGHAN), em Praga, na República Tcheca. Para os pesquisadores, essa versão dos alimentos pode afetar o crescimento das crianças e aumentar o risco de obesidade infantil.

Isso pode acontecer porque nem sempre a indústria substitui o glúten por um ingrediente saudável e acaba enganando os consumidores mais desatentos, segundo o especialista e pesquisador líder da ESPGHAN, Joaquim Calvo. “A medida que cada vez mais pessoas estão seguindo dietas sem glúten, para efetivamente controlar a doença celíaca, é fundamental que os alimentos comercializados como substitutos sejam reformulados para assegurar que eles possuam verdadeiramente valores nutricionais similares”, afirma.

Conforme a pesquisa, os alimentos que tiveram prejuízos mais significativos em relação às versões originais foram os pães sem glúten – pois tinham índices mais alto de lipídios e ácidos graxos saturados –, as massas sem glúten – que tinham conteúdo significativamente mais baixo de açúcar e proteínas – e os biscoitos sem glúten – por conter menos proteína e valores mais altos de lipídios.

Equilíbrio. A exclusão do glúten por opção, ou seja, por quem não é alérgico ou intolerante, não necessariamente levará a um resultado bom ou ruim, afirma a nutricionista e coach de saúde e bem-estar Márcia Daskal. “Quando se mexe na composição de um alimento, alteram-se as características organolépticas, ou seja, aquelas que conferem cor, sabor, textura e também outras funções, além das nutricionais. Muitas pessoas optam por tirar por completo o glúten como se ele fosse o vilão sozinho”, diz.

Márcia defende que, se acompanhada por um bom profissional, a dieta sem glúten não irá causar danos. “Um biscoito sem glúten vai continuar sendo biscoito e deve ser consumido como tal, sem ser taxado de melhor ou pior”, afirma.

Outro exemplo é a tapioca, que não contém glúten, mas também não oferece muitos nutrientes. “Se você comer só tapioca todos os dias, com certeza vai ter problemas, mas, vez ou outra, no café da manhã, não deve ser demonizado. As pessoas erram na quantidade, como se os alimentos sem açúcar ou sem glúten fossem uma chancela para comer mais”, afirma a nutricionista. Para ela, falta diversidade alimentar. “Quando a dieta é monótona, restritiva, a pessoa sente mais vontade de comer, gera compulsão”, alerta.


Nutrição

Atenção aos rótulos é essencial para a saúde

Outra crítica dos especialistas é em relação aos rótulos poucos claros e deficientes desses alimentos. Quando os valores nutricionais dos produtos sem glúten variarem de forma significativa dos de seus similares que contêm glúten, as rotulagens necessitam indicar isso claramente, avalia o pesquisador Martinez Barona.

“Os consumidores deveriam também receber orientação para melhorar seu conhecimento sobre composições nutricionais dos produtos, para que possam fazer compras mais fundamentadas e garantir que uma dieta mais saudável seja seguida”, complementa.

A nutricionista gerente do Serviço de Nutrição e Dietética do Hospital do Coração, Rosana Perim Costa, concorda com o pesquisador e orienta para que, ao tentar excluir o glúten da dieta, as pessoas optem por farinhas de milho, mandioca, arroz e polvilho, por exemplo. “Ao checar os rótulos, é preciso prestar atenção se o alimento está isento de glúten, mas se elevou as quantidades de outros carboidratos e também das calorias”, afirma.

Além disso, outro alerta foi feito por pesquisadores do departamento de nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos EUA, que concluíram que pessoas que eliminaram o glúten da dieta estão mais propensas a desenvolver diabetes tipo 2. (LM)

Prevalência

Doença celíaca. Afeta uma em cada 200 pessoas no mundo. Geralmente, aparece na
infância, entre 1 ano e 3 anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive nos adultos.
 

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