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Influência religiosa em alta, educação e política em baixa

Pesquisa mostra que Brasil precisa avançar na educação sexual e nas ações do poder público, tanto no planejamento familiar quanto no combate a doenças

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Cabeça a mil. Adolescentes precisam mostrar que cresceram, mas não têm maturidade para consequências de seus atos
PUBLICADO EM 29/01/17 - 03h00

Pesquisa comparativa feita pela Federação Internacional de Planejamento Familiar/Região do Hemisfério Ocidental (IPPF/RHO) em cinco países – México, Colômbia, Argentina, Chile e Brasil – revela que, no Brasil, a influência de correntes religiosas e de grupos conservadores, tanto no desenho das políticas públicas quanto na sua execução, dificulta inclusive o acesso de mulheres a métodos contraceptivos e ao planejamento familiar.

De acordo com o relatório, de modo geral, os cinco países analisados tratam os temas de direitos sexuais e reprodutivos de forma limitada em campanhas de saúde. No Brasil, por exemplo, as campanhas públicas sobre o tema são quase sempre restritas ao período do Carnaval e voltadas especificamente para a prevenção de HIV/Aids.

A pesquisa foi realizada no fim de 2015 e ouviu 20 especialistas de cada país, dos setores público e privado. No Brasil, o estudo foi coordenado pela organização não governamental (ONG) Cepia, que se dedica ao desenvolvimento de projetos que promovem os direitos humanos e a cidadania de grupos vulneráveis.

“Apesar de termos alcançado pontuação elevada no que se refere a protocolos e normas, mesmo em leis com relação à saúde reprodutiva e sexual, nós não fazemos campanhas de sensibilização da população sem ser aquela coisa pontual de Carnaval, Aids, camisinha”, critica a socióloga da Cepia, Jacqueline Pitanguy.

Nas escolas, não é diferente. “Os processos de educação sexual precisam fornecer respostas às dúvidas individuais de adolescentes. Assim, a educação sexual precisa ser um processo, e não um numero de aulas fornecidas por um médico que apareça um dia na escola”, diz Oswaldo Rodrigues, psicoterapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade.

Maria*, 14, se diz privilegiada por ter a oportunidade de abordar com naturalidade o assunto com seus amigos de escola. “A gente costuma conversar sobre a diversidade, as diferentes sexualidades, como o mundo vê isso”, relata. Ela ainda conta que teve na escola um professor paciente que explicava e respondia as dúvidas que a classe tinha, mas tem a consciência que isso, no Brasil, é um privilégio. “A gente conhece um monte de meninas que acabaram engravidando com 11 anos e por aí vai”.

Iago Rodrigues, 16, também teve o privilégio de ter tido sempre uma conversa franca e aberta com a mãe sobre o tema. “Minha mãe sempre foi aberta comigo sobre esse assunto e sempre tive muita informação, acho que os tabus acabaram”.

O adolescente começou sua vida sexual aos 14 anos. “Eu acho que o sexo hoje é algo comum, as pessoas banalizaram e não têm tanta dificuldade. Também creio que perdeu o valor sentimental, as pessoas, muitas vezes, não ligam para isso”. Ele diz que se preocupa com a segurança, mas tem amigos que têm relações sem preservativos. “Sempre levo camisinha, sou cabreiro com isso, não pode dar bobeira”.

Moralismo. Para a estudante Natasha*, 17, lidar com a sexualidade é algo bem delicado. Moradora de Goiânia, ela diz que vive em uma sociedade moralista que se preocupa demais com rótulos, tanto sexual como de gêneros. “A dupla moral sexual é algo muito presente, e a culpa associada ao desejo, ato sexual e sensualidade é bastante castrante”, expressa.

Por isso, lidar com o sexo, para ela, é um desafio. “Eu inconscientemente oprimo minha sexualidade, em certa medida, porque necessito de aprovação social”, exclama. (* nomes fictícios)

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