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O futuro chegou para as roupas inteligentes

‘Era Wearable’ agrega circuitos eletrônicos e tecnologias diversas ao vestuário e revoluciona a relação do corpo com o tecido

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PUBLICADO EM 25/06/17 - 03h00

O tempo em que as roupas serviam somente para serem vestidas ficou no passado. Hoje em dia, elas possuem tecidos inteligentes que monitoram batimento cardíaco, evitam a celulite e recarregam celular, entre outras funções. A mudança veio com a busca de roupas que se adequassem mais ao perfil de cada esporte e, agora, chega ao guarda-roupa das pessoas.

Chamado de “wearable” (tecnologia vestível ou usável, em inglês), esse vestuário é feito de circuitos eletrônicos flexíveis e resistentes, que conectam os usuários à internet e a outros aparelhos. Integrando a microeletrônica (miniaturização de circuitos elétricos) à estrutura dos tecidos por meio de serigrafia (processo em que a tinta é vazada para o tecido), impressão 3D (o objeto é impresso camada por camada até ser moldado à forma final) ou bordados (decoração de tecidos com figuras, utilizando fio e agulha), esses sistemas bioeletrônicos flexíveis (que se adaptam à forma física do corpo) interagem diretamente com o corpo.

Muitos investidores de tecnologia e pesquisadores de tendências de moda acreditam em um rápida expansão do segmento, à medida em que a inserção desses produtos no mercado aconteça. De um lado, as gerações mais novas querem opções de conectividade, velocidade e comunicação de múltiplas funções. Do outro, o envelhecimento da população se beneficia do wearable por meio do monitoramento dos níveis de frequência cardíaca, temperatura, respiração ou atividade física.

“Estamos imersos nessa nova cultura, que não é avaliada somente pela presença de equipamentos, aparelhos, aparatos e novas tecnologias em nossas vidas, mas, sobretudo, pela mudança em nossas práticas cotidianas, em nossos hábitos e nossas relações uns com os outros, que estão sendo contínua e profundamente transformadas”, afirma a professora e pesquisadora de moda Márcia Siqueira Marques. Segundo ela, a realidade se apresenta como uma grande alteração na lógica de nossas relações, ou como uma mudança radical na forma como lemos e interagimos com o mundo, e a maneira como atribuímos sentido e significado a tudo que nos cerca.

Nos últimos anos, as mais variadas invenções foram pensadas e lançadas. E o Brasil dá sua contribuição com a primeira empresa wearable nacional, a Atar. A marca desenvolveu a pulseira Atar Band, que funciona como um “cartão de crédito vestível”.

Equipada com chip, ela pode transferir dinheiro para qualquer máquina de cartões que seja compatível com a tecnologia contactless quando há aproximação – que, segundo estatísticas da própria companhia, já está presente em 85% das máquinas nacionais. De acordo com os desenvolvedores, haverá aprimoramento da tecnologia. A ideia é, por exemplo, adicionar dinheiro à conta por meio de débito bancário, ação mais rápida do que o boleto – que pode levar até 48h para ser compensado. A boa notícia é que o acessório já está à venda. À prova d'água e sem necessidade de ser recarregado, ele pode ser adquirido no site da empresa – www.wearatar.com – por R$ 289.

Além desse, novos produtos são criados no país. Membros da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), da Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e da startup AS31 inventaram o Wearable SunBlock. Esse sensor é à prova d'água e mostra se a pessoa recebeu ou não a quantidade de radiação solar necessária para que se reaplique o protetor solar sobre a pele. O modelo é um acessório que pode ser utilizado em qualquer peça de roupa ou até no cabelo.

De acordo com a CEO da empresa, Marcella Rocha, mestre em engenharia de materiais pela UFOP, o produto faz parte de uma série de pesquisas que vem sendo desenvolvida há quase dez anos.

“Nosso objetivo é alertar a população sobre a importância de se medir a quantidade de radiação que recebemos todos os dias. O Wearable Sunblock foi pensado de forma que seu uso seja lembrado sempre”, explica. Segundo ela, empresas nacionais se mostraram interessadas na comercialização, e as negociações estão sendo feitas. A expectativa é que o lançamento seja em breve e a um preço acessível. (Com Lorena K. Martins)

 

Grafeno ajuda a criar super-seda

Não são somente as universidades e startups que investem em wearable. O estilista brasileiro Ricardo O’ Nascimento, atualmente residindo na Holanda, é conhecido pelas criações feitas com tecnologia vestível.

“Minha primeira criação foi um chapéu equipado com motor e antena, que tinha o objetivo de captar as ondas no ar e convertê-las na reprodução de paisagens invisíveis a olho nu, por meio de um visor”, afirma. Ele iniciou os trabalhos em 2005, quando ainda cursava moda na Áustria e fazia uma disciplina chamada “interação homem e máquina”, na qual se projetava vestimentas com o uso de tecnologia.

Seu projeto mais novo é o Love Story, com uma pegada ambiental. “Criamos uma roupa que permitia ao usuário interagir com um coral, cujas sensações eram monitoradas. Os sensores da roupa captavam esses sinais e os transferiam diretamente para a pele do usuário. O que o coral sentia, a pessoa também sentia”, explica. Para o artista, a tendência dessa união entre guarda-roupa e tecnologia é inevitável. “A moda sempre se adaptou à mudança dos tempos e agora não será diferente. O fashion tech já é o presente”, afirma.

Pesquisadores da Universidade de Tsingua, na China, promoveram um experimento ousado nesse sentido. Eles utilizaram o grafeno – uma das formas cristalinas do carbono – para servir de alimento aos bichos-da-seda e, assim, fazer com que produzissem uma “superseda”, com capacidade condutora de eletricidade. Eles alimentaram os animais com folhas de amoreira revestidas em uma solução feita com 0,2% de nanotubos de carbono ou grafeno, segundo a revista “Nano Letters”.

A seda obtida é duas vezes mais forte e pode lidar com 50% mais elasticidade antes de degradar. Depois de ser aquecida a uma temperaturas de até 1.050°C, mostrou-se ótima alternativa para eletricidade.

Os pesquisadores não sabem ainda como o bicho-da-seda consegue metabolizar o grafeno e incorporá-lo à seda que fabrica. Por enquanto, essa nova superseda poderia começar a ser usada na medicina, por exemplo, como parte da elaboração de implantes biodegradáveis, e no desenvolvimento de tecidos inteligentes. (Thuany Motta)


Minientrevista

Márcia Siqueira Marques
Professora
Pesquisadora de moda, comunicação e tecnologia

Essa convergência entre roupa e tecnologia já acontece? Quais os principais avanços?

As tendências tecnológicas iniciam seu movimento e, quando percebemos, já estão acontecendo e afetando nossa existência – algumas vezes nem sequer percebemos a tecnologia em nossas vidas. A inteligência aplicada aos materiais vem modificando peso, design, flexibilidade, durabilidade, acesso, usabilidade e outras características de muitos produtos.

O que seria um wearable focado na conectividade com as roupas?

A integração de eletrônicos e têxteis, que lançou as bases para redes de sensores wearables. O mercado de sensores de corpo e vestuários inteligentes está desenvolvendo-se rapidamente, embora possa ser ainda maior no longo prazo.

Pode explicar melhor?

À medida que o hardware se torna fisicamente mais fino ou até flexível, mais objetos são planejados para serem revestidos por “peles” interativas. Com o progresso das interfaces, além de wearables e de realidade ampliada, o corpo humano tornou-se mais importante no campo da comunicação mediada telematicamente. As pessoas estão acostumadas a vestir roupas e acessórios em seu cotidiano. Nascemos nus, mas, desde o nascimento até o fim de suas vidas, os seres humanos usam vestimentas e enfeites, e não há nenhum treinamento especial para fazer isso.

Quais são os tipos mais populares de wearable?

Objetos dos mais variados e curiosos possíveis, além dos conhecidos óculos e relógios. Estudos de futurologia desenvolvidos por consultorias e gigantes da informática mostram visões dessas novas mídias presentes nos mais improváveis objetos do cotidiano, como calçados, pulseiras, colares e roupas que podem comunicar-se com outros equipamentos. (Lorena K. Martins)

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