Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Saúde

Notívagos correm risco de morrer mais cedo, alerta estudo

Pessoas de hábitos noturnos sofrem mais com diabetes e distúrbio psicológico

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
noturno
Pessoas que têm hábitos noturnos e dificuldade de acordar são mais vulneráveis a doenças, aponta estudo
PUBLICADO EM 16/04/18 - 03h00

PARIS, FRANÇA. As pessoas que ficam acordadas até tarde e têm dificuldades para levantar da cama são mais propensas a morrer mais jovens do que aquelas que se levantam com o nascer do sol e se deitam quando ele se põe. É o que indica um estudo publicado na última quinta-feira na revista científica “Chronobiology International”. 

A pesquisa ouviu mais de 430 mil pessoas na Grã-Bretanha e descobriu que os notívagos tinham um risco 10% maior de morrer durante o período de seis anos e meio do estudo do que as pessoas diurnas.

“Esta é uma questão de saúde pública que não pode mais ser ignorada”, disse o coautor do estudo Malcolm van Schantz, da Universidade de Surrey. Ele argumentou que as pessoas noturnas deviam poder trabalhar em horários alternativos, diferentes das demais pessoas.

“Os notívagos que tentam viver em um mundo diurno podem sofrer consequências de saúde”, afirmou Kristen Knutson, da Universidade Northwestern, em Chicago. 

A dupla reuniu informações sobre quase meio milhão de pessoas de 38 a 73 anos de um banco de dados público. 

Os participantes se classificavam em: “definitivamente uma pessoa da manhã” (27%), “mais uma pessoa da manhã do que uma pessoa da noite” (35%), “mais uma pessoa da noite que da manhã” (28%) ou “definitivamente uma pessoa da noite” (9%). Eles também informaram seu peso, se fumavam e seu status socioeconômico. 

As mortes no grupo – pouco mais de 10,5 mil no total – foram documentadas nesses seis anos e meio. Os pesquisadores descobriram que o grupo dos notívagos tinha um risco 10% maior de morrer no período estudado do que as pessoas do grupo mais extremo de diurnos. 

Doenças. As pessoas do grupo “definitivamente uma pessoa da noite” tinham maior probabilidade de sofrer de distúrbios psicológicos, de diabetes e de problemas de estômago e de respiração e dormiam menos horas por noite. Elas também eram mais propensas a fumar, beber álcool e café e usar drogas ilegais. 

O risco maior pode se dever ao fato de que “as pessoas que ficam acordadas até tarde têm um relógio biológico interno que não corresponde ao seu ambiente externo”, disse Kristen. 

“Isso poderia ocorrer devido a estresse psicológico, comer na hora errada para o corpo, não se exercitar o suficiente, não dormir o suficiente, ficar acordado à noite sozinho, talvez o uso de drogas ou álcool”, explicou a pesquisadora. 

A rever. Para Jamie Zeitzer, professor da Escola de Medicina de Stanford, que não esteve envolvido na pesquisa, o problema do estudo é a limitação étnica: quase 94% dos participantes se identificaram como caucasianos, o que significa que os resultados podem não ser iguais para outras etnias.

Mudança deve ser feita aos poucos

Kristen Knutson,professora de neurologia da Feinberg School of Medicine, da Universidade Northwestern, e principal autora do estudo, dá algumas dicas para ajudar as pessoas que tentam mudar a vida notívaga. A principal estratégia, diz, inclui o adiantamento gradual de sua hora de dormir e a redução do uso de tecnologia à noite.

“Eu quero enfatizar o aspecto gradual. Você não pode, de repente, ir para a cama três horas antes. Não vai funcionar. E você também precisa realmente evitar a luz à noite, incluindo a do seu smartphone e a do seu tablet”, ressalta.

A pesquisadora explica que o cronotipo de uma pessoa é, provavelmente, uma mistura de fatores hereditários e ambientais. “Se você é ou não uma pessoa noturna, isso é em parte determinado por seus genes, o que obviamente não é possível mudar, mas não é inteiramente um fato”, afirma.

“Uma mensagem importante aqui é que os notívagos devem perceber que têm esses problemas potenciais de saúde e, portanto, precisam ser mais vigilantes quanto à manutenção de um estilo de vida saudável, comendo bem, exercitando-se, dormindo o suficiente. Isso é importante para ter uma excelente saúde”, completa a autora do estudo.

O grupo de pesquisa pede que os notívagos recebam tratamento especial. “Os empregos e as horas de trabalho poderiam ser mais flexíveis para os notívagos”, recomenda Kristen.

O que achou deste artigo?
Fechar

Saúde

Notívagos correm risco de morrer mais cedo, alerta estudo
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter