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Las Vegas

Final sem grandes inovações

Maior feira do setor de tecnologia do mundo, CES termina priorizando melhorar o que já existe

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Movimento. Ao longo de uma semana, milhares de pessoas visitaram a feira, em Las Vegas, nos EUA
PUBLICADO EM 13/01/18 - 03h00

Las Vegas, EUA. A CES, maior feira do setor de tecnologia, que acontece anualmente em Las Vegas, terminou na sexta-feira (12) sem novidades impactantes de grandes empresas, seguindo o padrão dos últimos anos. Em vez de lançar novos produtos, os fabricantes se concentraram em demonstrar como podem melhorar a conectividade nos que já existem – geladeiras, carros, abajures e relógios.

O setor de automóveis teve destaque na internet das coisas. Toyota e Ford declararam adesão aos carros elétricos, e empresas de chips, como Qualcomm, Nvidia e AMD, mostraram como a tecnologia pode ser usada para automatizar completamente o processo de dirigir.

Quando Nvidia e Volkswagen anunciaram uma parceria, no entanto, o executivo da Volks Herbert Diess fez a ressalva de que combustíveis fósseis e motoristas ainda são necessários, mostrando que parte do setor ainda resiste ao que a Ford chama de “cidade do futuro”. A montadora Mercedes-Benz lançou seu próprio assistente pessoal, que responde a “Hey, Mercedes”, e mostrou um sistema de “infotainment” (entretenimento e informação do carro) que controla a temperatura e a luz de forma inteligente.

A exceção ao marasmo dos produtos foi a Samsung, que anunciou uma TV de 95 polegadas, a The Wall, de micro-LED. O tamanho não limita sua versatilidade, já que, no uso comum, ela simula uma parede ao redor do que está sendo exibido.

ALEXA E GOOGLE. Amazon e Google batalharam pesado para ver quem chamaria mais a atenção dos visitantes da feira com seus assistentes pessoais – respectivamente, Alexa e Assistente. Vence a disputa quem convencer fabricantes a integrar seu sistema para controlar objetos domésticos e carros.

No ano passado, a companhia LG, que tem uma linha de eletrodomésticos conectados (ThinQ), tinha se associado com a Amazon. O Google conseguiu que a sul-coreana mudasse de time neste ano, anunciando integração total com o Assistente.

Pode ser uma má notícia para a Amazon, que hoje é líder em vendas e parceiros. De janeiro a setembro do ano passado, a companhia de Jeff Bezos vendeu mais alto-falantes Echo (com a Alexa) do que o Google vendeu os seus Home e Home Mini nos Estados Unidos.

As ruas e hotéis de Las Vegas estavam dominados por anúncios com o slogan “Hey, Google”, usado para chamar o aplicativo da empresa, mas a campanha de marketing não se reflete na programação da CES. Diversas mesas debateram como desenvolver as habilidades da Alexa e seu potencial para anunciantes, e o Assistente ficou fora do radar dos palestrantes.

Segundo Lilian Rincon, diretora do Assistente, a plataforma amadureceu de um ano para cá, e será uma das grandes bandeiras do Google no mercado consumidor daqui em diante

Ironia

Sem luz. Na última terça-feira, ironicamente, a maior feira de tecnologia do mundo ficou sem luz, devido às fortes chuvas que atingiram Las Vegas. Em seu perfil no Twitter, a CES afirmou se tratar de uma falta de energia “isolada” no centro de convenções onde acontecia o evento. Foram mais de cinco horas de apagão.

 

Problema dos chips foi ignorado

Apesar de o conceito de internet das coisas depender primariamente de chips, a crise das falhas de segurança Spectre e Meltdown, que afetou a Intel na semana passada, foi ignorada. A AMD, por exemplo, se recusou a dar entrevista sobre como os lançamentos da CES eram afetados pelo problema.

As empresas controlaram a crise com anúncios oficiais, distribuídos via assessoria de imprensa. O presidente da Intel, Brian Krzanich, admitiu, em sua apresentação, que as correções podem deixar computadores mais lentos dependendo da carga de trabalho, o que contradiz anúncios anteriores da própria fabricante, que diziam que o impacto seria mínimo e imperceptível.

O assunto morreu nos corredores da feira. A Intel lançou uma das novidades mais bem-recebidas da semana – um laptop Dell XPS que conta com uma placa de vídeo da AMD e CPU da Intel. As empresas não colaboravam desde os anos 80.

 

Robótica foi protagonista desta edição

A robótica foi um dos destaques da CES. As máquinas apresentadas estão sendo ensinadas a ler e reagir à linguagem corporal e aos estados emocionais das pessoas. Como o Forpheus, que faz mais do que jogar uma partida de tênis de mesa: ele pode ler a linguagem corporal de seu oponente para avaliar sua capacidade, oferecer conselhos e encorajá-lo.

Quem também chamou atenção foi Sophia. O robô virou uma das principais atrações da CES 2018 ao ganhar pernas com movimentos humanos. Ela já havia sido lançada pela Hanson Robotics e foi inspirada na atriz Audrey Hepburn. Ela é considerada o robô com a melhor interação com os seres humanos da atualidade, com 62 expressões faciais.

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