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Celebrações

Tudo pela libertação das almas

Os rituais de cada tradição religiosa para honrar a passagem de seus entes queridos

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PUBLICADO EM 13/02/18 - 03h00

O número sete está presente na Bíblia em várias partes e significa a perfeição. Em sete dias Deus criou o mundo e descansou. Mas a perpetuação de ritos pós-morte que incluem os sete dias estão presentes também em outras tradições.

“A oração aos antepassados é um rito importante do budismo porque quando o espírito passa para o mundo espiritual, ainda não está definido o local que ele vai ocupar. Ele é levado por um antepassado a um tipo de ‘sala de espera’ e, durante esse período, passa por sete julgamentos”, ensina Eraldo Pires do Nascimento, oficiante religioso da Seicho-No-Ie do Brasil.

Missas periódicas são realizadas em memória do morto. Considera-se que a evolução do falecido acontece de sete em sete dias, ou seja, o ser deixa o mundo e segue em direção a um estágio superior. No sétimo dia celebra-se o cumprimento da primeira etapa de uma longa jornada (sete julgamentos). “A cada sete dias, o espírito, na condição de espectador, passa por um julgamento em que revê tudo o que fez em sua vida terrena. Quanto mais ele se arrepende das coisas erradas que cometeu, mais ele se eleva espiritualmente”, revela o oficiante.

O primeiro julgamento ocorre exatamente no sétimo dia, quando o espírito relembra seus atos na Terra. “A percepção de seus acertos gera no espírito alegria, mas ele também vê tudo o que fez de errado. Nesse momento o espírito se arrepende do que fez e, assim, ele vai se purificando”, comenta Nascimento.

O correto seria realizar uma cerimônia a cada sete dias, mas normalmente elas acontecem no sétimo e no 49º dias. A cerimônia do sétimo dia tem por objetivo dar forças para que o espírito reveja tudo que fez de errado e, assim, vá se purificando. Somente no 49º dia é que será definido o local que ele ocupará no mundo espiritual, e essa cerimônia tem por objetivo fazer com que o espírito siga o caminho correto da evolução no mundo espiritual”, diz o oficiante.

Há ainda outras cerimônias especiais na cultura budista japonesa. “No 49º dia, após sete semanas do falecimento, a pessoa já cumpriu todas as etapas e está pronta para o renascimento no mundo espiritual. No 100º dia algumas famílias realizam uma missa que celebra o fim do período de concentração e treinamento (ritual xintoísta). No budismo chinês, após um ano de morte termina o luto pelo falecimento. As demais missas representam uma homenagem periódica ao falecido, celebrando sua evolução constante. Ainda na tradição japonesa, após 50 anos, acredita-se que o espírito do falecido perde sua individualidade e se funde com os espíritos de seus ancestrais em outro plano”, diz Nascimento.

No Japão existe até hoje a lei do morgado, em que é dado ao filho mais velho o direito de ficar com o oratório dos pais e até mesmo a casa paterna. Não se trata de uma obrigatoriedade, apenas uma prioridade, e caso ele não possa assumir, pode passar para qualquer outro filho.

“Quando os pais estão vivos, é comum os filhos os visitarem semanalmente, mas, depois que eles morrem, a família quase não se encontra mais. Então, quando o oratório vai para a casa de um dos filhos, ela torna-se a casa matriz da família, onde os parentes passam a se reunir e orar pelos entes queridos”, finaliza Nascimento.

 

A cabeça do morto deve ser enterrada em direção a Meca

A morte na religião islâmica tem rituais um pouco diferentes dos do cristianismo. “Não há um velório, e o corpo é exibido publicamente apenas durante o tempo das orações fúnebres, que podem ser realizadas na casa da própria família ou no cemitério. Os muçulmanos também não costumam prantear (descontroladamente) em público, sendo discretos em seus sentimentos. Obviamente, não é proibido chorar ou lamentar a perda de um ente querido, mas eles são educados, convivendo com a morte como parte da vida, sem descontroles”, informa o sheik Yussufo Omar, auditor halal da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil.

Os muçulmanos são enterrados sem caixão, a menos que a legislação local impeça esse gesto. “Os corpos das mulheres são envolvidos em três peças de roupas e dois panos brancos, preferencialmente, e os dos homens, em apenas três panos brancos, de qualquer origem, com exceção da seda. A cabeça do morto deve ser enterrada em direção a Meca, a cidade sagrada dos muçulmanos, conforme manda a tradição. O islã não aceita a cremação”, diz o sheik.

Para a tradição islâmica, a oração fúnebre é muito rápida. Após a primeira exaltação, recita-se o primeiro capítulo do Alcorão, e, após a segunda, são pedidas bênçãos ao profeta Maomé. Na terceira, pede-se por aquele falecido, e, na quarta segue-se uma súplica por todos os mortos.

 

Missa une elementos divinos e terrenos

A Igreja Católica oferece dois rituais que envolvem a pessoa falecida e também os familiares e amigos: o das exéquias ou de encomendação da alma e a missa de sétimo dia.

“O ritual das exéquias é realizado durante o velório. O padre faz algumas orações pelo falecido, lê o evangelho e explica para os presentes o significado da morte e da ressurreição. Depois asperge água benta no morto e nas pessoas presentes. É um ritual não apenas para o morto, mas também para os presentes, a fim de transmitir palavras de conforto, fé e esperança e nossa crença cristã na ressurreição”, explica o padre Renato Alves de Oliveira, professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Mas por que a missa realiza-se no sétimo dia? “Um forte simbolismo do cristianismo é que o sete é a soma de três (as três pessoas da Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo), mais quatro, que simboliza os quatro elementos que compõem a ordem (terra, ar, água e fogo) ou os quatro pontos cardeais. Quando os três elementos divinos se unem aos quatro elementos terrenos temos o sete, que é o número da plenitude, da totalidade, da perfeição porque envolve o céu e a terra”, ensina o padre.

Para a fé cristã católica, “a alma é única, individual e encarna uma única vez”, finaliza o professor.

 

Lápide só após um ano do falecimento

Para os judeus, uma vez feito o enterro, o enlutado, chamado “avel”, entra em uma fase intensa de luto, que dura sete dias a partir da data do funeral, chamada “shivá” (sete), mas é suspensa no Sabá e termina com uma festividade”, explicam David J. Goldberg e John D. Rayner, autores do livro “Os Judeus e o Judaísmo”.

A lápide (matzeivá) é erigida um ano após o falecimento. A inscrição normalmente inclui um acrônimo hebraico que quer dizer “que a alma dele (ou dela) esteja indissoluvelmente ligada ao feixe da vida eterna”.

FOTO: arquivo pessoal
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“Quando o espírito passa para o mundo espiritual ainda não está definido o local que ele vai ocupar.”

Eraldo Pires

 

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