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Forum des Halles

Coração de Paris volta a pulsar com muito vigor

Revitalizado, mall tem restaurantes renomados e até inusitados, que aliam modernidade e tradição, além de contar com diversas lojas de grife

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Brasserie moderninha no La Canopée, com cardápio de Alain Ducasse, janelões e mesas ao ar livre
Brasserie moderninha no La Canopée, com cardápio de Alain Ducasse, janelões e mesas ao ar livre
PUBLICADO EM 19/08/17 - 03h00

O local já foi chamado de “estômago” de Paris, isso lá pelo século XII, quando Luís VI transferiu dois estabelecimentos da periferia da cidade para uma mesma área no centrão de Paris: nascia, assim, o antológico mercado central da capital, com suas centenas de barracas de insumos produzidos no campo, frescos e de qualidade, que atraíam uma multidão.

Com o passar dos anos e do enorme sucesso, o mercado passou a abrigar também cafés e bistrôs: gourmets, boêmios e intelectuais baixavam em peso no local. “O mercado é o ‘estômago’ de Paris”, decretou um de seus mais fiéis e ilustres frequentadores, o escritor Victor Hugo.

Mas nos anos 60, a prefeitura de Paris decidiu demolir o pavilhão que abrigava o mercado. O movimento de caminhões trazendo mercadorias nessa área central se tornara inviável. Os engarrafamentos eram gigantes. A sujeira também. Os parisienses não digeriram a notícia de remoção do mercado, e a bateção de panelas foi geral.

Última ceia dos feirantes

Em vão: a antiga estrutura de ferro que sustentava o velho mercado veio ao chão em meados de 1960, ocasião em que produtores e feirantes foram transferidos para Rungis, um moderno e gigantesco mercado erguido nas proximidades do aeroporto de Orly. Até hoje, aliás, ele é o maior mercado do mundo (afinal, estamos na França!); tem 234 ha com 1.200 estabelecimentos, uma verdadeira cidade gastronômica.

Mas, antes da derrocada final, um momento marcou a história do antigo mercado: um grande jantar foi organizado na vizinha igreja de Saint-Eustache. Em sua nave, um mesão foi montado para uma farta refeição. A saideira estava selada. A igreja continua na área, mas está em restauração. Vale visitar o interior e ver, expostas em painéis, fotos do encontro antológico.

No local, construíram o Forum des Halles, shopping de projeto de gosto duvidoso, um verdadeiro elefante branco, que por décadas enfeiou o agora chamado “coração” de Paris. Felizmente, desde em abril do ano passado, após cinco anos de muita poeira, barulheiras e transtornos na área, tapumes foram retirados e agora se pode desfrutar da beleza do Canopée des Halles, projeto da dupla de arquitetos Patrick Berger e Jacques Anziutti. Canopée, em francês, é dossel, marquise, remete também à copa das árvores, uma bela imagem, que é traduzida na cobertura do shopping.

A feliz concepção dos dois arquitetos deu novos ares ao local. O “coração” de Paris voltou a pulsar com beleza e vigor, atraindo novos e bons estabelecimentos para essa área não muito distante do Beaubourg, o Centre Pompidou. Aliás é uma das mais movimentadas do centro da capital – ali perto está uma das maiores estações de metrô e trens da cidade, a Châtelet, com três linhas de trens RER e cinco de metrô.

Dois restaurantes simples de encher olhos e estômagos

Sob o Canopée, os quatro pisos subterrâneos permaneceram, mas agora “recheados" de lojas como Zara, Adidas, Muji, a única H&M com produtos para casa, mega lojas da Lego e da livraria Fnac, entre outras atrações bacanas. São 150 espaços comerciais, entre galerias de artes, também, e restaurantes, lanchonetes, cafés...

Estive em dois novos restaurantes que abriram ali – nada com que seja estreladíssimo ou espaço para grandes refeições –, mas ambos recebem com “molho especial”, digamos assim, como daqueles espaços que rendem um bom programa.

Começo pelo Champeaux (pequenos campos, em francês), cujo nome homenageia não só esse trecho de Paris, que já foi chamado assim, como também restaurante homônimo, em Montparnasse, frequentado pelo escritor Émile Zola lá pelos anos 1800.

Os nomes de alguns pratos do Champeaux foram ressuscitados. E o novo restaurante ganhou cardápio assinado por Alain Ducasse. É um salão simpáticoe espaçoso (180 lugares), que está no primeiro nível do Canopée, ou seja, na rua, uma deliciosa oportunidade de desfrutar do vaivém do lado de fora.Com decoração moderna e despojada, o painel ao fundo chama a atenção: inspirado nos displays de aeroportos, nos quais é possível acompanhar embarques e desembarques dos voos, ali estão os pratos em cartaz no dia. É uma brasserie moderninha.

Zomeletes e zaladas

Vizinho dali, fica um dos mais divertidos espaços que tenho conhecido. Chama-se Za, uma cafeteria literária projetada por Philippe Starck que não carrega o “literário” no nome por acaso. A casa te recebe com uma biblioteca virtual.

No Za, não há cardápios impressos. Tudo que a casa serve você acessa pelo aplicativo do restaurante. E o pagamento se faz pelo celular. O sistema é de mesa coletiva: uma grande esteira rolante que sai da cozinha. 

Onde comer

Champeaux. No almoço, o cardápio traz opções de formules (refeições combinadas) por 28 euros (suflê de queijo mais especial do dia) ou 34 euros (acrescentando sobremesa). E, “pour” Alain Ducasse, há omeletes, tartares, filés, tartines, brulês, vinhos de cifras simpáticas...
Funcionamento: De 12h a meia-noite (até 1h, de quinta-feira a sábado).

Za. Todos os pratos começam com a letra Z. É mais uma pegadinha dos donos, Fabienne e Philippe Amzalak, com um cardápio de “zomeletes”, “zaladas”... O zomelete de cogumelos chegou irretocável (na casa dos 11 euros), as zartines (as tartines) são para repetir (10,80 euros).
Funcionamento: Das 9h às 21h30 (sexta e sábado, até às 22h30) 

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