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Ibitipoca

Da horta à mesa: encontro com incríveis sabores

Estilo de vida pacato e boa culinária encantam em vilarejo mineiro, cercado por natureza exuberante, com rios, montanhas e cachoeiras radicais

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Lago das Miragens é uma parada refrescante no passeio rumo à Cachoeira dos Macacos, no Parque Estadual do Ibitipoca
PUBLICADO EM 23/12/17 - 03h00

Com charme serrano, estilo de vida pacato, montanhas e cachoeiras de cair o queixo, Conceição do Ibitipoca, distrito de Lima Duarte, é uma lindeza. É tanta gente encantada por essa terra que, de uns tempos para cá, com a melhoria da estrada de acesso e o aumento da curiosidade de chefs de cidades como Juiz de Fora e região, o arraial vem chamando atenção também pela gastronomia sofisticada.

Há restaurantes bacanas de diversas inclinações e (ufa!) muitos pontos de Wi-Fi. Pense nos cheiros e sabores da típica comida mineira temperada com contemporaneidade e produtos orgânicos cultivados pelos moradores. Caso da chef juizforana Ana Paula Esteves, que montou o Oliva Bistrô na rua do Céu há dois anos.

“Cheguei bem antes de abrir o Oliva, em 2000, e depois de tanto tempo veio o restaurante cujo nome vem da minha paixão por azeite”, conta Ana Paula, que também é diretora de eventos da Rede Ibitipoca Turismo e Hospitalidade, entidade que organizou, em parceria com a prefeitura de Lima Duarte, o primeiro Festival Gastronômico Sabores da Serra, no mês de outubro.

Cardápios

No Oliva Bistrô, a chef serve menu completo, com entrada, prato principal e sobremesa. Destaque para carpaccio de pupunha (R$ 33,50), carré de cordeiro no vinho (R$ 78) e bombinha de canjica com uísque (R$ 25,50). Os drinques também se destacam no reduto, que fica de frente para um belo mar de montanhas. Um deles leva romã, limão-cravo, pimenta-rosa e capim-limão, servido com flores comestíveis e esferas de hortelã (R$ 23).

Assim como o Oliva, que valoriza o terroir apostando na cozinha 100% local, a Casa da Roça é de uma mineirice só. Pertence ao casal Adriana Ferreira e Alexandre da Silva, que deixou Juiz de Fora em julho para abrir a pequena loja no meio da mata, onde eles vendem queijos de leite cru (não pasteurizados) da Serra da Canastra e do Serro (R$ 45 o quilo), bolo indiano, compotas de jiló em conserva, geleias (não deixe de provar a de pimentão vermelho), pimentas e doces (a partir de R$ 5).

Pinhão e tapioca

Point de artistas que sobem a serra nos fins de semana, o Cleusa’s, no centro, tem cardápio com toda sorte de petiscos e pratos da roça, como polenta recheada de carne-seca (R$ 33) e filé suíno no vinho, servido com purê de pinhão e salada verde (R$ 70, para dois). Cai bem com a cerveja Rio Preto (R$ 15), uma febre no vilarejo.

“Ninguém comia verdura ou legume aqui, era só massa. Aos poucos fomos aprendendo a comer folhas e outras verdinhas, de sobra na região”, diz a proprietária, Cleusa Maria.

O que também veio para ficar na cidade é a tapioca (unidades a partir de R$ 12,90), que leva frango cremoso e requeijão na Café da Villa. Mas o novo empreendimento também tem moelinha refogada, com vinagrete e jiló cru marinado em suco de laranja e limão da terra, além de tomate, cebola e cheiro verde (R$ 34,90).



Cheiros e sabores da típica comida mineira com toques modernos e produtos orgânicos cultivados pelos moradores


De fondues à legítima comida mineira

De pegada internacional com sotaque mineiro, o Recanto do Fondue serve o prato (R$ 70, para dois) com cinco tipos de queijos, além de requeijão, creme de leite e noz moscada. Acompanha pão caseiro, goiabada, cenoura, brócolis e batata cozida.

Na histórica rua Pedra Florada, há um café da manhã digno de banquete real. O novo Armazém do Sabor serve bufê caprichado com pães, iogurte, sucos, doces e salgados o dia todo (R$ 20), além de caldos (R$ 30), ideal para depois do passeio no parque.

Espécie de instituição local, o pão de canela é uma atração à parte. A primeira fornada saiu há 30 anos na casa de Elizabeth Ribeiro, dona do Quitutes da Beth, onde o pãozinho (também nos sabores tomate seco e queijo), feito no forno à lenha, sai por R$ 6. Beth é sobrinha-neta da dona Maria, a primeira quituteira da região.

“Outros lugares até podem dizer que têm o pão, mas o berço é aqui, na cozinha da Tia Maria, que introduziu o processo de aquecimento ao sol, em três etapas, sem estufa”, conta Beth.

O Varanda’s é um típico restaurante mineiro. Tem comida no fogão à lenha à vontade por R$ 22 (só aceita dinheiro em espécie). É preciso encomendar antes de subir para o parque. O tempero é das irmãs Dôra e Elizete, cozinheiras de mão cheia.


Uma produção com manejo sustentável

Ibitipoca se orgulha de suas iniciativas sustentáveis. O palmito pupunha in natura Barra Alegre, servido no Oliva Bistrô, é cultivado nas serras da Zona da Mata Mineira, atendendo as normas de manejo sustentável e respeito ao meio ambiente. É livre do uso de agrotóxicos e tem licença de plantio, manejo e comercialização do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e do Ibama.

A Barra Alegre é pioneira no cultivo na região: “Apesar de originária das florestas tropicais da América, a pupunha se adaptou bem ao clima”, garante o proprietário José Francisco Pereira.

Segundo o IEF, o Parque Estadual do Ibitipoca, a 3 km do arraial, é a unidade de conservação mais visitada de Minas. Em 2016, recebeu 89 mil pessoas, em média 7.421 por mês, sendo 5% de outros países. De janeiro a julho de 2017, foram 72 mil visitantes.

A proximidade do Rio de Janeiro (240 km) é um convite para eventos anuais como Luau (maio), Ibitipoca Jazz Festival (julho), Ibitipoca Blues (agosto) e, agora, Sabores da Serra (outubro). De acordo com comerciantes locais, 80% dos turistas hoje são cariocas. Paixão que não é de agora.

Em 1998, a bióloga Adriana Alvim deixou o Rio rumo a Ibitipoca e nunca mais voltou. Lá, ela montou a Pousada Pasto do Lambari, onde serve café da manhã (R$ 25) cheio de surpresas. Uma delas é o rocambole caseiro (R$ 7, fatia cobrada à parte) com recheio de doce de leite artesanal. A outra é o pão de queijo com café ou chá de ervas colhidas na horta. Para relaxar, massagem chinesa (R$ 90).

Dicas

No mais, leve agasalhos, mesmo fora do inverno. No verão, a temperatura varia de 25°C a 35°C (dia) e 24°C a 28° C (noite).


Serviço

Parque Estadual do Ibitipoca
Funcionamento:
de terça a domingo e feriados, das 7h às 18h. 
Ingressos: R$ 20 (fins de semana e feriados) e R$ 10 (dias úteis)

Onde se hospedar

Pousada Pasto do Lambari: diárias a R$ 160.
Pousada do Fred: R$ 160.
Canto da Serra: R$ 170.
Mãos de Maria: R$ 185.
Janela do Céu: R$ 270.

Informações: www.ibitipoca.tur.br/hospedagem
 

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