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Ecoturismo

Rei dos pássaros escolheu Belo Horizonte para morar

Douglas Trent fala com orgulho que é um “mineiricano”, explica como o Brasil poderia desenvolver seu potencial para o turismo ecológico e cita os cinco melhores lugares em Minas Gerais para o contato direto com a natureza

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Douglas Trent
Douglas Trent
PUBLICADO EM 26/08/17 - 03h00

Desde que se formou em ecologia, no início da década de 80, o norte-americano Douglas Trent sabia que queria viajar o mundo e explorar as diversas espécies. Juntou suas coisas em uma mochila e partiu rumo à América Central, vindo parar no Brasil, bem no coração do Pantanal. Naquela época, ele fundou uma das primeiras agências de turismo ecológico do país e trazia conterrâneos para visitar os exemplares tipicamente brasileiros.

Morando em Belo Horizonte, o “mineiricano” – como Trent mesmo se intitula aos amigos – considera a capital mineira uma excelente cidade para se viver, justamente pela oportunidade do contato direto com a natureza e, principalmente, com os pássaros, uma de suas paixões.

No próximo dia 29, ele ministra uma palestra em Belo Horizonte no Fórum Internacional pelo Desenvolvimento Sustentável, em que explica que a sustentabilidade se baseia em três pilares: social, econômico e proteção da natureza.
Aficionado por pássaros, Trent cita os cinco melhores lugares de Minas Gerais para observação de aves.

O primeiro deles é o Parque Natural do Caraça, com mais de 460 espécies. O santuário do Caraça fica entre os municípios de Barão de Cocais, Santa Bárbara, Catas Altas, Mariana, Itabirito e Ouro Preto.

RPPN Feliciano Miguel Abdala. Em cerca de 300 m, em meio à floresta da Mata Atlântica, “essa reserva espetacular não só tem grandes pássaros, mas grandes primatas, incluindo o Muriqui do Norte, uma das maiores espécies de macaco da América.

Parque Nacional Serra da Canastra. É possível avistar espécies raras de pássaros, assim como os lobos-guará (foto) e a raposa sul-americana. A região ecoturística tem mais de 200 mil hectares em seis municípios: São Roque de Minas, Vargem Bonita, Delfinópolis, Sacramento, São João Batista do Glória e Capitólio.

FOTO: Douglas Trent/Divulgação
Lobo-guará
Lobo-guará

Parque Natural Serra do Cipó e Conceição do Mato Dentro. Tem várias espécies de aves, dentre elas a borralhara-assobiadora (foto), que são encontradas no parque na Serra do Cipó. A cidade de Conceição do Mato Dentro tem inúmeras áreas florestais com boas acomodações.

FOTO: Douglas Trent/Divulgação
Borralhara-assobiadora
Borralhara-assobiadora

Em casa é melhor lugar. É só começar a prestar atenção aos pássaros que consegue avistar em casa. A saúde física e mental melhoram com esse aprendizado que, segundo Trent, é uma forma ativa de conexão com à natureza. Cada cidade brasileira tem entre 250 e 450 espécies de aves. Na foto, a saíra-lagarta. 

FOTO: Douglas Trent/Divulgação
Saíra-lagarta.
Saíra-lagarta.

Entrevista

Já há muitos anos o senhor idealizava o turismo ecológico, trazendo norte-americanos para conhecer o Brasil. O que mudou daquela época para os dias de hoje? Houve uma série de mudanças desde que criei o Focus Tours e comecei a orientar visitas ao Pantanal, em 1981. Tinha a única empresa de ecoturismo à época. Vi os mercados de peles de animais e o policiamento fazer parar o comércio de aves, além de um aumento nas populações de onças, lontras e araras. Vi muitas florestas antes de serem convertidas em pastagens e as pontes na Transpantaneira passarem de um desastre para as bem-conservadas que temos agora. 


O senhor acredita que o Brasil explora mal seu potencial turístico ecológico? O Brasil estáatrás da África e de outros lugares do mundo em termos de hospedagem para avistar a vida selvagem, de serviço, de língua inglesa e conhecimento da vida selvagem local. Na África, onde essas pousadas de alto nível são o padrão, é difícil iniciar um negócio de ecoturismo baseado na comunidade. No Brasil, pelo contrário, há oportunidades que não são exploradas, e não demora para que os estrangeiros venham e as criem.


Como foi participar do “Living with the Jaguars” (documentário que mostra a vida das onças-pintadas no Pantanal)? A Focus Tours tem se preocupado com as equipes de cinema desde meados da década de 80. Assisti a programas da BBC filmando no Brasil, Arte France, televisão pública alemã, Jack Hanna Animal Adventures e outros. Tenho reputação internacional como o cara para trabalhar com filmes da natureza.

Depois de tantos anos morando em Belo Horizonte, o que mais te agrada na cidade? Eu falo aos meus amigos que sou um “mineiricano”. O clima é bom, as pessoas são amigáveis e tenho muitos amigos brasileiros e gringos. Eu vejo bons pássaros na minha varanda, na região da Serra, onde coloco comida para eles. Adoro o Mercado Central e o parque de Mangabeiras. Depois de anos bebendo “água com xixi”, agora temos cervejas reais e artesanais. BH é um centro de boa cerveja.

De que maneira o setor turístico pode explorar economicamente o turismo ecológico em harmonia com o meio ambiente? Turismo em massa no Rio de Janeiro e o de negócios, em São Paulo, não podem ser chamados de ecoturismo. No ecoturismo há passeios pela natureza que não prejudicam o meio ambiente e proporcionam benefícios para a comunidade local, inclusive financeiros. Esse tipo é raro no Brasil.


Sobre o fórum de desenvolvimento e sustentável, quais as contribuições que esse debate pode trazer para a ecologia? A sustentabilidade está em três pilares: social, econômico e proteção da natureza. Se tivéssemos um mundo sustentável, a pobreza seria reduzida, as empresas, bem-sucedidas e a natureza, preservada e protegida. Precisamos organizar a sociedade com base nos princípios da ecologia. Dentre eles, estão as redes – já que estamos todos conectados – os fluxos, os ciclos, o codesenvolvimento e o balanço dinâmico, que é a relação entre presa e predador, que deve estar equilibrada.

 

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