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Medicina

UFMG desenvolve moléculas mais eficazes contra o câncer

Pesquisadores inseriram átomos de enxofre ou selênio na partícula ß-lapachona

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Eufrânio Nunes Júnior
Estudo molecular foi coordenado pelo professor Eufrânio Nunes Júnior, da UFMG
PUBLICADO EM 20/07/17 - 03h00

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conseguiram desenvolver em laboratório moléculas mais efetivas no combate às células cancerígenas. O resultado do trabalho, desenvolvido nos últimos sete anos, pode resultar, futuramente, na preparação de medicamentos mais baratos e mais efetivos no tratamento da doença.

Na primeira etapa, concluída recentemente, os cientistas descobriram que a inserção de átomos de enxofre ou selênio em moléculas da família ß-lapachona modifica seu mecanismo de ação, deixando-as com índices mais altos de seletividade. Esse resultado foi a conclusão da tese de doutorado de Eduardo Henrique Guimarães da Cruz, do Programa de Pós-graduação do Laboratório de Química Sintética e Heterocíclica, da UFMG.

“Sintetizamos várias moléculas e as testamos em diferentes linhagens de células tumorais, como as de leucemia, de câncer de ovário, de melanoma, dentre outros. Em alguns tipos, essas moléculas atacaram com mais precisão as células doentes, preservando com mais eficácia as células saudáveis”, explica Eufrânio Nunes Júnior, coordenador do Laboratório de Química Sintética e Heterocíclica e um dos orientadores do estudo.

De acordo com Eufrânio, existem diversos compostos antitumorais extremamente eficazes, mas que acabam se tornando caros porque apresentam uma síntese complexa. “O que percebemos é que as moléculas desenvolvidas na UFMG possuem potencial para tornarem-se fármacos passíveis de serem preparados com baixo custo, porque não possuem uma grande complexidade estrutural”.

Próximos passos. Os pesquisadores passam para a segunda etapa da pesquisa, na qual serão realizados testes em “modelos in vivo”. “Vamos avaliar a atividade das moléculas em ratos de laboratórios para checar como elas se comportarão em um organismo vivo. São moléculas que se mostraram extremamente promissoras”, finalizou Eufrânio Junior.

As pesquisas foram realizadas em conjunto entre quatro universidades: além da UFMG, participaram estudiosos nas federais do Ceará (UFC), de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

EUA. As descobertas na UFMG resultaram no depósito de uma patente internacional: “Derivados de Lapachona contendo dois centros redox e seus métodos de uso”, na tradução.

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