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Vício em games será considerado doença

É a primeira vez que uma dependência tecnológica entra na lista

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PUBLICADO EM 03/01/18 - 03h00

Nova York, EUA. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que deverá reconhecer o vício em videogame como transtorno mental a partir deste ano, quando será publicada a atualização da Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Será a primeira vez que uma dependência tecnológica entrará na relação.

Assim, a OMS espera facilitar o diagnóstico e o tratamento do problema, além de incentivar pesquisas sobre ele. A pretensão do órgão é incluir o vício em jogos eletrônicos na categoria “distúrbios devido a um comportamento dependente”, lista que passou a contar com a compulsão por apostas na última atualização da CID-11, em 1990.

A necessidade ininterrupta por jogar videogames consta no rascunho online oficial da CID-11 e será descrito como “distúrbio de games”. O documento descreve o problema como padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em games, tão grave que leva “a preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida”, descreve a OMS no documento que deve ser publicado neste semestre.

Diagnóstico. Para confirmar o transtorno mental, o médico terá que levar em consideração alguns sintomas. Entre eles: a pessoa não conseguir controlar mais a frequência, a intensidade e a quantidade de tempo que passa jogando videogame, e em alguns casos até fazer com que os jogos eletrônicos prevaleçam sobre aspectos fundamentais da sua vida.

Esse quadro deverá se manter pelo intervalo de 12 meses para o vício ser confirmado. Mas, em situações extremas, o diagnóstico poderá ser realizado sem levar isso em conta.

 

Especialistas apontam os prós e os contras da inclusão

Londres, Reino Unido. A classificação do vício em games como um transtorno mental não é consenso entre especialistas em saúde mental. “Ele coloca (esse distúrbio) no mapa como algo a ser levado a sério”, considera Richard Graham, especialista em vícios em tecnologia do Hospital Nightingale, de Londres. O professor Allen Frances, do departamento de psiquiatria da Universidade Duke, na Carolina do Norte, disse à revista “New Scientist” que, em breve, haverá pedido de classificação de outros hábitos, como comprar, correr, trabalhar ou ver séries, como transtornos. “Tudo o que as pessoas têm paixão por fazer pode ser rebaixado para uma falsa doença mental”, afirmou. “Dezenas, talvez centenas, de pessoas que jogam podem ser diagnosticadas erroneamente e medicadas de forma exagerada”, afirmou Frances.

Flash

Mais amplo. De acordo com a OMS, o transtorno por videogames a figurar na CID-11 não terá item específico, mas aparecerá englobado em um aspecto mais amplo, de jogos digitais.

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