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Ricardo Telino fez o curso: 'Opto pelo jogo direto'

FOTO: Alexandre Guzanshe
Ricardo Telino fez o curso: 'Opto pelo jogo direto'
Matéria de capa

Chega mais, chega mais...
Inspirado em best-sellers do gênero, workshop de paquera ganha seus primeiros adeptos em Belo Horizonte
Julia Guimarães

Foi-se o tempo em que paquerar se limitava a decorar uma meia dúzia de cantadas baratas e ter sucesso garantido na noite. No lugar de máximas ultrapassadas como "seu pai é hortifrutigranjeiro? Porque você é um chuchuzinho", surgem termos difíceis e sofisticados, como "abrir um set", "verificar o IDI", "mandar uma neg" (veja glossário ao lado).

Todo esse novo vocabulário faz parte de um fenômeno já muito aplicado nos EUA e Europa, mas que em Belo Horizonte acaba de ganhar seus primeiros adeptos: são os chamados "workshops de paquera".

 O tema tem rendido tanto assunto que já resultou em inúmeras publicações do gênero, como os best-sellers "O Jogo - A Bíblia da Sedução" e "How to Talk to Girls", este último escrito por um garoto norte-americano de apenas 9 anos, que em breve deve virar um filme da Fox.

Na cidade, a quarta edição do curso acontece neste final de semana (13 a 15). Apesar do nome bastante direto - "Aprenda como Atrair e Conquistar Mulheres" - o workshop se fundamenta em inúmeros estudos teóricos, que vão desde a linguagem corporal à biologia da sedução.

 "O interessante do curso é que não ficamos só na teoria. Cada instrutor acompanha pequenos grupos de alunos para festas e baladas, onde testamos na prática o que foi ensinado em sala. Lá, observamos o que acontece de errado e pode ser melhorado no momento da paquera", explica Eduardo Santorini, que se tornou instrutor de paquera após uma trajetória bem-sucedida como aluno na primeira edição do workshop na capital.

 Entre os empecilhos que levam uma pessoa a se matricular no curso, a principal delas é a chamada Ansiedade de Aproximação (AA). Trocando em miúdos, é aquele frio na barriga, misturado com suor, gagueira e confusão mental que acomete grande parte dos homens quando estão próximos do seu objeto de desejo. "Temos técnicas específicas para lidar com AA. Uma que funciona bem é a regra dos três segundos: sentiu vontade de chegar numa mulher, não espere mais tempo que isso. Se deixa passar o primeiro impulso, a pessoa racionaliza e fica ansiosa", afirma. 

 Os mais tímidos são os principais frequentadores do workshop, atualmente voltados só para homens. Nas aulas práticas, bebidas alcoólicas são proibidas. Segundo Santorini, auto-estima e bom humor são os principais ingredientes para uma boa conquista, mas o aluno também pode evitar o temível "fora" se souber entender os sinais da sua pretendente.
 "Há vários Indicadores de Interesse (IDI) para saber se a mulher está a fim. Passar a mão no cabelo e inclinar o corpo para trás é um deles. Se ela ri muito, também pode ser um sinal", diz.



Estratégias de ação
Para quem já experimentou o curso de paquera, uma coisa é certa: passar a noite toda encostado na pilastra de uma boate, sem tomar nenhuma atitude, virou prática do passado.

Ainda que o primeiro contato nem sempre dê resultado, o simples fato de tomar a iniciativa já é visto como um grande passo.

“Sempre fui uma pessoa mais tímida e sossegada, falar com um desconhecido era muito difícil pra mim. Com as estratégias, agora já sinto coragem de me aproximar”, relata o comerciante Ricardo Telino, 25, que fez o curso no ano passado.

As técnicas de “jogo direto”, em que o objetivo da paquera fica logo explícito, são as preferidas de Telino. “Às vezes, o som está alto e a conversa não flui. Então, já opto pelo jogo direto. Comigo, costuma funcionar.”

Já entre as estratégias que deram errado, o comerciante diz que costuma se embolar no “neg” (ver glossário). “Uma vez, fiz uma neg exagerada. Falei que a menina parecia uma atriz com o boné que estava usando. Quando ela perguntou qual, respondi: Dercy Gonçalves. Ela foi embora na mesma hora”, lamenta. (JG)


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