|
 FOTO: EDITORIA DE ARTE |
|
|
|
Matéria de capaSolteiro sim, sozinho nunca
Especialista recomenda: para viver bem a solteirice, o primeiro passo é se desvencilhar de velhos padrões e cobranças
GISELLE ARAÚJO
Atenção, você, que não tem namorado, marido, mulher ou nem mesmo um rolo: É tempo de comemorar. E não é só este sábado, 15 de agosto, é o Dia do Solteiro. É que essa vida singular é tão boa que mesmo aqueles que estão loucos para viver o romance ideal e não desistem de esperar (ou procurar) o par perfeito admitem que as delícias de estar sozinho podem ser infinitamente maiores que a dor de não se ter alguém.
Mas, para resistir às pressões da tradição - que prega o casamento como objetivo de vida - e não fazer da solteirice um drama, é necessário aprender a se amar. "Ser solteiro é um processo de aceitação, cada um tem que saber se respeitar. Não quer dizer que a gente tenha que ficar na solidão; é uma oportunidade de demonstrar equilíbrio emocional diante da pressão social e aproveitar a vida", define com precisão o turismólogo Marco Antônio Haddad, um solteiríssimo de 33 anos.
Especialista em relacionamentos e autor de nove livros sobre o tema, o terapeuta Sérgio Savian, 55, assina embaixo. De acordo com ele, para viver bem a solteirice o primeiro passo é se desvencilhar de velhos padrões e cobranças externas.
"Autoconhecimento é a palavra-chave. Os solteiros convictos e satisfeitos não estão condicionados àquela ideia de que é impossível ser feliz sozinho. Pelo contrário: querem atender apenas às próprias expectativas, em busca da realização pessoal, o que pode incluir ou não um futuro casamento."
A estudante de psicologia Carolina Diniz, 23, não perde seu precioso tempo de solteira procurando casamento, apesar de sonhar com marido e filhos. "Depois de quatro anos de relacionamentos, decidi ficar sozinha, cuidar de mim, me conhecer mais e melhor", diz Carol, que está há dois anos sem namorar sério.
Ao contrário dos solteirões convictos, Haddad ainda mora com a mãe e acredita em alma gêmea. Para ele, a solteirice é dividida em fases. "Logo que nos vemos sozinhos, vem aquela etapa de desejo, de querer alguém, e a gente começa a buscar", diz Haddad, que já visitou sites de relacionamento à procura de uma companheira. "Até encontrei, mas não deu certo", conta.
Em um segundo momento, na visão de Haddad, os desacompanhados começam a se perceber sozinhos. "Acho que, nessa fase, se a pessoa está bem com ela mesma, passa a aproveitar a situação e consegue ver que pode encontrar alguém bacana", conclui Haddad, que não se importa de sair com amigos acompanhados. "Acho que acaba sendo uma oportunidade", aposta.
Evolução
Já foi o tempo em que ser solteiro era um mau negócio, segundo Savian. "Há cerca de três décadas, se a mulher chegava a certa idade sem marido, era tachada de solteirona. O homem tinha sua sexualidade questionada, muitas vezes nem conseguia ter cargo de gerência em uma empresa", comenta.
"A cobrança pela constituição de família e relações estáveis diminuiu muito, mas não acabou. Isso torna ainda mais difícil manter a solteirice, especialmente em Minas Gerais, o mais Estado conservador do país. Mas ser solteiro deixou de ser mau negócio e pode render muitos lucros", brinca o terapeuta.
Savian lembra que o público solteiro já conquistou a atenção do mercado. Ele ressalta que "alimentos embalados em quantidades menores, apartamentos menores e bem estruturados, cursos específicos e vários outros produtos estão aí", para solteiro nenhum botar defeito.
Quem não leva jeito para cozinhar, por exemplo, pode aprender a fazer pratos saborosos e econômicos no curso "Eu moro sozinho". As aulas do ateliê Cida Gomes atraem vários solteiros e solteiras a cada semestre.
Leia mais
»
Jornal Pampulha »
14/08/2009 - Tempo livre para mim
