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A estudante Manuela Andrade vai à faculdade e ao trabalho pedalando

FOTO: HÉLVIO SOBRE FOTOS PEDRO VILELA E CHARLES SILVA DUARTE
A estudante Manuela Andrade vai à faculdade e ao trabalho pedalando
No trajeto para a faculdade, a estudante Manuela Andrade aproveita a bela vista da cidade para um breve descanso

FOTO: CHARLES SILVA DUARTE
Matéria de capa

Paris, Amsterdã, BH
Capital entra na rota mundial de cidades que pretendem privilegiar o transporte de bicicleta na busca por um trânsito menos caótico , pela diminuição da poluição ambiental e sonora e por uma maior qualidade de vida
JULIA GUIMARÃES/ Especial para o Pampulha

Imagine um cenário tipicamente urbano. Agora, mentalize as ruas dessa cidade. Pense nos transportes que levam as pessoas de um ponto ao outro. Visualizou fumaça, barulho e carros aos montes? Pois tal perspectiva nada animadora parece estar com os dias contados. Ou, pelo menos, o monopólio dela. Empreitadas bem-sucedidas em prol da bicicleta como meio de transporte, que já conquistam capitais em todo o mundo, prometem reverter o quadro do tráfego atual.

Paris, Berlim, Amsterdã e até mesmo nossa vizinha Bogotá já aderiram à proposta, que tem sido vista pelos governos como opção econômica, saudável, silenciosa e não-poluente de transitar pela cidade. A boa nova é que Belo Horizonte também dará alguns passos no sentido de democratizar a via pública em benefício das magrelas. Em 2008, novos 20 km de ciclovias (pistas exclusivas) serão implantados pela BHTrans em trechos estratégicos, o que representa o dobro da quilometragem já existente.

Será possível, por exemplo, percorrer o trajeto que liga a Savassi ao centro em plena segurança a bordo de uma bike (veja outros trechos no quadro da página 4). Denominado PedalaBH, o programa pretende ampliar a extensão de ciclovias da cidade para 300 km nos próximos anos, além de promover campanhas de conscientização, investimentos em placas que sinalizam a presença das bicicletas, pintura de faixas preferenciais para os ciclistas (ciclofaixas) e parcerias para divulgação do programa.

Na opinião de especialistas, usuários e ativistas da causa, a meta prevista será, sim, umavanço para viabilizar a bicicleta como meio de transporte na capital. No entanto, trata-se apenas de uma das bordas de um sustentáculo muito maior, que demanda planejamento rigoroso, integração como sistema público de transporte e medidas de segurança para os ciclistas.

"Desde 2001, o código de trânsito já prevê a bicicleta como veículo, mas falta ao brasileiro adquirir uma cultura para esse tipo de uso. Ela ainda é vista como brinquedo, os próprios motoristas não a reconhecem como meio de transporte. E nem dá para imaginar que as ciclovias irão resolver todo o problema porque elas nunca te levam integralmente ao seu destino. Portanto, para garantir a eficácia de projetos como esse, é necessário um planejamento cicloviário completo", analisa José Lobo, presidente da Associação Transporte Ativo, organização não-governamental carioca que defende a mobilidade via propulsão humana (leia-se: bicicleta, skate, patins etc).

O ativista também considera imprescindível a construção de estacionamentos próprios para o veículo, os chamados bicicletários. Presentes nas principais capitais da Europa, só agora esses espaços começam a ganhar reconhecimento no Brasil eemBH, comprojetos de leis que obrigamcertos estabelecimentos a instalar bicicletários em suas imediações.

Segundo Ricardo Lott, coordenador executivo do Pedala BH, a idéia do programa é instalar bicicletários cobertos em algumas estações de metrô, com vigilância permanente e acesso restrito. Além disso, vários espaços públicos serão agraciados com estruturas metálicas grudadas ao chão para guarda das bicicletas. O Palácio das Artes, o parque Municipal, o Mineirão e alguns quarteirões da Savassi já são espaços visados.



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