Capital entra na rota mundial de cidades que pretendem privilegiar o transporte de bicicleta na busca por um trânsito menos caótico , pela diminuição da poluição ambiental e sonora e por uma maior qualidade de vida
Imagine um cenário tipicamente urbano. Agora, mentalize as ruas dessa cidade. Pense nos transportes que levam as pessoas de um ponto ao outro. Visualizou fumaça, barulho e carros aos montes? Pois tal perspectiva nada animadora parece estar com os dias contados. Ou, pelo menos, o monopólio dela. Empreitadas bem-sucedidas em prol da bicicleta como meio de transporte, que já conquistam capitais em todo o mundo, prometem reverter o quadro do tráfego atual.
Paris, Berlim, Amsterdã e até mesmo nossa vizinha Bogotá já aderiram à proposta, que tem sido vista pelos governos como opção econômica, saudável, silenciosa e não-poluente de transitar pela cidade. A boa nova é que Belo Horizonte também dará alguns passos no sentido de democratizar a via pública em benefício das magrelas. Em 2008, novos 20 km de ciclovias (pistas exclusivas) serão implantados pela BHTrans em trechos estratégicos, o que representa o dobro da quilometragem já existente.
Será possível, por exemplo, percorrer o trajeto que liga a Savassi ao centro em plena segurança a bordo de uma bike (veja outros trechos no quadro da página 4). Denominado PedalaBH, o programa pretende ampliar a extensão de ciclovias da cidade para 300 km nos próximos anos, além de promover campanhas de conscientização, investimentos em placas que sinalizam a presença das bicicletas, pintura de faixas preferenciais para os ciclistas (ciclofaixas) e parcerias para divulgação do programa.
Na opinião de especialistas, usuários e ativistas da causa, a meta prevista será, sim, umavanço para viabilizar a bicicleta como meio de transporte na capital. No entanto, trata-se apenas de uma das bordas de um sustentáculo muito maior, que demanda planejamento rigoroso, integração como sistema público de transporte e medidas de segurança para os ciclistas.
"Desde 2001, o código de trânsito já prevê a bicicleta como veículo, mas falta ao brasileiro adquirir uma cultura para esse tipo de uso. Ela ainda é vista como brinquedo, os próprios motoristas não a reconhecem como meio de transporte. E nem dá para imaginar que as ciclovias irão resolver todo o problema porque elas nunca te levam integralmente ao seu destino. Portanto, para garantir a eficácia de projetos como esse, é necessário um planejamento cicloviário completo", analisa José Lobo, presidente da Associação Transporte Ativo, organização não-governamental carioca que defende a mobilidade via propulsão humana (leia-se: bicicleta, skate, patins etc).
O ativista também considera imprescindível a construção de estacionamentos próprios para o veículo, os chamados bicicletários. Presentes nas principais capitais da Europa, só agora esses espaços começam a ganhar reconhecimento no Brasil eemBH, comprojetos de leis que obrigamcertos estabelecimentos a instalar bicicletários em suas imediações.
Segundo Ricardo Lott, coordenador executivo do Pedala BH, a idéia do programa é instalar bicicletários cobertos em algumas estações de metrô, com vigilância permanente e acesso restrito. Além disso, vários espaços públicos serão agraciados com estruturas metálicas grudadas ao chão para guarda das bicicletas. O Palácio das Artes, o parque Municipal, o Mineirão e alguns quarteirões da Savassi já são espaços visados.