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O médico Lucas Machado e sua esposa Eliana na saída para o trabalho: bicicleta quase sempre chega na frente

FOTO: PEDRO SILVEIRA
O médico Lucas Machado e sua esposa Eliana na saída para o trabalho: bicicleta quase sempre chega na frente

FOTO: EDITORIA DE ARTE
Matéria de capa

Obstetra prefere bicicleta ao carro

Em 2002, uma pesquisa levantada pela Fundação João Pinheiro apontou que aproximadamente 0,6% das viagens realizadas na capital mineira eram feitas de bicicleta. Número considerável, se comparado ao percentual das viagens de táxi no mesmo período: 0,7%. Para quem já aderiu à causa, a pedalada diária possui uma série de benefícios. É o caso do ginecologista e obstetra Lucas Machado.

Ciclista desde a infância, tendo no currículo o título de campeão mineiro infanto-juvenil na categoria, o médico afirma que sempre usou a bicicleta como meio de transporte. Diariamente, pedala da sua casa, no bairro Santo Antônio, até a avenida Brasil, onde trabalha, um total de 20 km, considerando duas idas e voltas. Curiosamente, sua esposa Eliana Castanheira realiza o mesmo percurso de carro e quase sempre gasta mais tempo no trânsito do que ele.

"Antigamente, a gente ainda brincava de competir quem chegava primeiro, mas agora já perdeu a graça porque eu sempre ganho. No trabalho, ninguém estranha mais o fato de eu chegar de bicicleta. Pelo contrário, recebem muito bem. Acho que as pessoas só não aderem de vez ao veículo porque dividir espaço com outros carros é realmente difícil, os motoristas não respeitam os ciclistas, acham que o espaço da rua só pertence a eles. Nossa cultura ainda é muito pautada pelo status do carro", reflete.

Com uma filha de 15 anos e um filho de 13, Machado relata que sempre fez questão de buscá-los na escola de bicicleta, destinando a garupa para abrigo dos adolescentes. "Agora que eles estão maiores, já podem fazer as coisas em suas próprias bicicletas. Mas ainda não deixo meu filho andar sozinho, fico sempre ao lado dele, orientando-o a lidar com o trânsito. Com certeza, se houvesse uma infra-estrutura melhor para o veículo, teria mais tranquilidade em deixá-lo transitar sozinho."

O médico conta que inclusive nos inusitados períodos de plantão, que duram noite afora, costuma sair de casa a bordo da magrela. "Mesmo de madrugada, quando vou para o hospital realizar um parto, por exemplo, saio pedalando. Como meu caminho de ida é cheio de descidas, chego lá fresquinho, nem troco de roupa. Só coloco o jaleco, passo uma água no rosto e já estou pronto." (JG)



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