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Personalidades. Ex- maquiadora de miss ficou conhecida por sua irreverência e bom humor

Os causos que tornaram Lia do Vagão um ícone

Nesta edição, o jornal O TEMPO Contagem lança seção que traz relatos e curiosidades da vida de pessoas que fizeram e fazem a diferença, marcando a história do município

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Alegria. O sorriso e a generosidade eram marca registrada de Lia do Vagão, que criou e participou de
Alegria. O sorriso e a generosidade eram marca registrada de Lia do Vagão, que criou e participou de diversas ações solidárias na cidade
PUBLICADO EM 10/01/14 - 10h59

O ano começou e uma das principais novidades de 2014 no  O TEMPO Contagem é a seção Personalidades, que a cada edição vai trazer um perfil das pessoas mais marcantes do município.

No último ano, Contagem perdeu uma das figuras mais ilustres do município. Maria Vitória de Oliveira – mais conhecida como Lia do Vagão – viveu mais de 40 anos na cidade e ficou famosa por suas histórias e pela casa inusitada: ela morava dentro de um vagão de trem. “Eu sou a moradora mais antiga do bairro. Fui eu que abri as ruas do Parque Recreio para outros moradores. Quando mudei para a região do Ressaca, não havia água, nem luz. O mato alto tomava conta de tudo”, contou em uma entrevista concedida ao jornal  O TEMPO Contagem, em 2011.

Dona de um estilo único, sempre sorridente e saudosista, adorava relembrar os fatos memoráveis de sua vida. A ex-maquiadora de miss deixou de morar no vagão – que estava sofrendo com a ação do tempo, enferrujado, perdendo a cor natural e descascando –, mas construiu uma casa ao lado da antiga moradia, com as próprias mãos. Segundo ela, dois anos foi o tempo necessário para fazer a casa, que não tem janela e nem porta. Toda a residência é coberta por plantas. A casa, que também não tem muro, é delimitada apenas por uma cerca viva. E, devido a construção diferente, o imóvel foi parar até nas telas dos cinemas.

Nas inúmeras entrevistas concedidas, Lia sempre recordava que a paixão pelos vagões começou ainda jovem, quando morava perto da estação Central, despertando loucamente o amor pelas máquinas ferroviárias. Certo dia ela avistou no canto da garagem da Rede Ferroviária Federal alguns vagões desativados. Aquela cena mexeu com sua imaginação, nascendo a vontade de ter um vagão para morar. “Foi uma luta para conseguir a liberação de compra do vagão junto à RFFSA. Os funcionários da rede não quiseram me atender, falavam que era pra eu tirar a ideia da cabeça e me chamavam de doida e de maluca. Eu venci e consegui”, dizia ela cheia de orgulho.

Pioneira
Segundo relatos da própria comunidade, foi Lia quem abriu as ruas do Parque Recreio para outros moradores. Quando mudou para a região do Ressaca, não havia água nem luz. O mato alto tomava conta de tudo. Ela também dizia que, pela precariedade das condições de moradia no bairro, acabou deixando seu emprego, pois era muito difícil chegar em casa sem um ponto de luz.
Aos poucos, com um jeitinho bem diferente, Lia acabou improvisando uma solução e, em seguida, foram chegando outros moradores para o Parque Recreio – o que rendeu mais um causo contado por Lia. “Colocava os meninos dos moradores vizinhos para acenderem uma vela toda noite.

Formava-se um extenso corredor de luz, e, assim, todos nós podíamos enxergar alguma coisa no meio do matagal. No início, tinha que andar com um revólver na cintura porque tinham muitos bichos que atacavam à noite”, contava.

Nas telonas
Nos relatos de Lia, estava a história de um restaurante que havia existido dentro do vagão. Ela dizia não cobrar pelas refeições na época porque o que ganhava com as gorjetas era um valor superior.
Ela também relatava, com orgulho, o dia que uma equipe de filmagem quis contar sua vida nas telonas. “Como eu expunha muita coisa dentro do meu vagão, como máscaras e outros objetos de artesanato, a Minas Filme veio gravar comigo no trem. Com a filmagem, o bairro recebeu mais rápido as redes de água e esgoto”, contava a moradora do Parque Recreio, que, aos 70 anos, tinha como projeto de vida continuar contando histórias.

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