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Acílio Lara Resende

A política não faz milagres, mas fora dela não haverá saída

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PUBLICADO EM 28/12/17 - 03h00

O médico Sílvio Mitre, que retornou à medicina em Oliveira, sua terra natal, foi deputado estadual, como também ocupou vários cargos públicos. Afastado há alguns anos da atividade a que se dedicou e da qual guarda muitas recordações, tanto boas quanto ruins, tem razão quando afirma que hoje está muito difícil conversar sobre política.

Foi-se o tempo em que a prosa sobre essa verdadeira arte envolvendo personagens que a encarnavam (Minas foi palco iluminado de inúmeras delas), além de responsável, era inteligente. Nela, era evidente a preocupação com os destinos de um país cuja vocação é uma só – a de se transformar numa nação economicamente forte, pacífica e socialmente justa. Um destino, leitor, que nenhuma força conterá, por mais que insistam os eternos pessimistas de carteirinha.

Pode-se afirmar, sem medo de erro, que a infrutífera tentativa de divisão da sociedade brasileira, em 2017, entre bons e maus, talvez tenha sido o que de pior poderia ter acontecido ao país. Uma tentativa alimentada pelo ódio, que não leva à verdade e a nenhum porto seguro, só poderia produzir desastrosas e tristes consequências. Esse ambiente, além de desfazer amizades e de dissolver até mesmo laços familiares, impede – o que é pior – o surgimento de novas lideranças.

A política não faz milagres, mas fora dela não haverá saída nem para o nosso, nem para qualquer outro país. Para Aristóteles, o homem é um animal político e o seu fim é a felicidade. Só deve participar da política quem estiver disposto a respeitá-la. E o poder, proveniente dela, somente deve ser exercido em favor da sociedade.

Ditas essas obviedades, quero, então, leitor, terminar este ano sofrido de 2017 reafirmando o que já disse ao longo de muitos anos. Não abro mão de defender a “liberdade – essa palavra/ que o sonho humano alimenta:/ e que não há ninguém que explique/ e ninguém que não entenda”, segundo Cecília Meireles, em seu “Romanceiro da Inconfidência”; e, ao mesmo tempo, falar da esperança num futuro melhor para os brasileiros, sobretudo para os carentes de tudo. São eles que mais necessitam do governo, e liberdade e esperança são os verdadeiros fundamentos de uma grande revolução, que usa, com exclusividade, as armas da inteligência e da conciliação em defesa do Estado democrático de direito. Não há meio-termo: ou se é ou não se é democrata. Ou se defende a liberdade como conquista maior do ser humano ou se curva ao autoritarismo, cuja única arma é a violência.

A política é uma das mais belas artes, mas o político é um ser humano, como qualquer um de nós, que tem qualidades e defeitos. Eleito pelo voto direto, torna-se, para o bem ou para o mal, nosso legítimo representante. Sua presença, à frente da administração pública, dependerá de nossa escolha e, depois, de nossa permanente fiscalização. Atribuir-lhe a culpa de nossos males não é nada correto.
Para não dizer que não falei de flores, fecho o ano com o que disse, há dias, ao jornal “Valor Econômico” o cientista político pernambucano Marcus Melo: “As eleições de 2018 não contarão com Lula candidato, e o Legislativo contará com alta taxa de renovação. Isso, porém, não ocorrerá com os cargos majoritários (nem para presidente, nem para governador). O grande favorito para subir a rampa do Planalto, em 2019, é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Bolsonaro definhará. Luciano Huck, Doria e Aécio são cartas fora do baralho”.

Feliz ano novo, leitor!

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