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Acílio Lara Resende

Lembranças de um tempo que se foi e não volta mais

Por que a imprensa dá tanta prioridade às notícias ruins?

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PUBLICADO EM 09/11/17 - 03h00

O ex-advogado Carlos Horta Pereira (23.12.1913-12.12.2000) não ficou só na advocacia, cujo início se deu no escritório do seu (e meu) professor João Franzem de Lima (1897-1994). Também foi político, professor de direito civil e desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Como político, foi deputado estadual, por três mandatos, pela União Democrática Nacional (UDN). Em 1943, foi o mais jovem assinante do “Manifesto dos Mineiros”. Este documento, elaborado por juristas mineiros, deu início, em 1945, ao processo de redemocratização que terminou com a derrubada do ditador Getúlio Vargas. Em memoráveis conversas no Clube Campestre, do qual foi, com a família, frequentador assíduo, ouvi dele – era eu, então, um jovem advogado – que a advocacia é uma atividade mineradora: “Garimpa-se e garimpa-se a vida toda até que, finalmente, se encontra uma pepita”.

Essa imagem, que, com certeza, procurava mostrar ao jovem idealista o que, na realidade, poderia vir a ser sua profissão, me ficou gravada para sempre. Vem-me à lembrança exatamente no instante em que, claramente, o velho e tradicional jornalismo, aqui e no mundo, passa por período de dificuldades advindas com o surgimento das redes sociais. Há quem diga, nos Estados Unidos, que elas poderão afetar a democracia.

Mas as redes sociais podem esperar. Ficarão, quem sabe, para uma próxima oportunidade, se ela de fato acontecer. O que desejo agora é usar a imagem do jurista Carlos Horta Pereira para dizer que o mesmo ocorre com a profissão de jornalista, e até mesmo com a de colunista eventual (caso do autor destas linhas). Qualquer um de nós, que vive (ou viveu) a imprensa diária, já ouviu de leitores este grande equívoco: por que a imprensa brasileira (como se a mesma coisa não ocorresse com a do mundo todo) dá tanta prioridade às notícias ruins?

Pois bem. Confesso-lhe, leitor, que, semanalmente, procuro garimpar alguma pepita, uma notícia boa que seja, para lhe dar, e que possa acender a esperança em dias melhores para nosso país. O jornalismo, que abracei por idealismo, transformou-se numa atividade mineradora, mas sem o belíssimo (e raríssimo) prêmio individual que possui a advocacia. Mas sigo em frente, alimentando a velha esperança.

O título destas linhas é, enfim, para informar aos jovens que minha geração guarda lembranças de um tempo sofrido, mas também rico. A citação dos dois juristas, por exemplo, me faz lembrar de que já tivemos, na vida pública, verdadeiros homens de Plutarco, ao contrário do que ocorre em Minas e no país. Enxeria estas linhas com um sem-número deles. Todos deixaram saudades e testemunhos notáveis.

Para não dizer que não falei de flores, ou que não me dediquei ao garimpo, e com especial pertinácia, depois de tantos atentados ou desgraças, no Brasil e no mundo inteiro, penso que posso deixar aqui, resumidamente, três boas notícias. A primeira: depois do prêmio da Universidade Notre Dame, concedido ao juiz Sergio Moro, em outubro passado (Moro será, ainda, o orador convidado da 173ª turma da universidade), a força-tarefa, coordenada por procuradores de Curitiba, foi reconhecida, no início desta semana, mais uma vez, como órgão de investigação criminal do ano pela Global Investigations Review.

A segunda: o Tribunal de Justiça de Minas Gerais decidiu que é inconstitucional a lei que manda pagar, com recursos públicos, o plano de saúde para vereadores de Belo Horizonte e de suas famílias.

A terceira reside na certeza das eleições de 2018.

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