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Acílio Lara Resende

Que o juízo tome conta de manifestantes e torcedores

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PUBLICADO EM 29/05/14 - 03h00

Atualmente, dois assuntos me perseguem desde o momento em que abro os olhos à luz pela manhã. São eles: futebol e política. Aliás, ambos me perseguem também quando, de repente, pela madrugada, depois de algumas horas de sono profundo, mas inquieto, acordo assustado com o que poderá ocorrer não só ao nosso exaurido país, mas ao mundo inteiro. Afinal, sou feito do mesmo barro e, como tal, me preocupo, diariamente, com meus semelhantes, mas, sobretudo, com meus filhos e netos. Os últimos – que fique claro isso, leitor – só me dão alegria, mas constato, infelizmente, a cada dia que passa, e cada vez com mais certeza, de que não é este o chão que desejei para eles.

A violência do ataque na internet à Copa do Mundo me assusta, intimida e intriga. Há os que querem ver o sangue brasileiro empapar os campos de futebol. Não pensam, porém, um só segundo, que esse sangue poderá ser seu ou, então, de alguém muito próximo – um filho ou um neto (que tragédia!). Ou mesmo de alguém totalmente anônimo, um simples amante do futebol ou da seleção canarinho, mas tão humano como qualquer um de nós. O protesto, que se espalha com raiva pelo país, não tem nome, mas parece algo adrede manipulado e com propósito bem-determinado, que é o de não poupar ninguém.

Tenho sido omisso e, por isso, nunca rebato as críticas violentas que se fazem à Copa até mesmo em roda de conversa amiga, embora não discuta a sua procedência, absolutamente legítima (e por várias razões). Discuto, todavia, a sua forma ou, quem sabe, a sua inoportunidade. Desconfio, igualmente, do desejo insincero de vê-la longe das nossas mãos. Por que não nos opusemos antes, e também com raiva, à sua realização? Deixei de dizer, em diversas oportunidades, que torcer pelo pior ou pela violência, explicitamente, não condiz com nosso jeito de ser. É, afinal, um sentimento que não conduz a nada, a não ser à radicalização política, pois é ela – a má política – a responsável por esse mau humor crescente que poderá ser o principal causador de uma grande tragédia – que seria, por exemplo, a perda de uma só vida.

Essa campanha contra a Copa que se faz na internet, e que quer impedir o aplauso à nossa seleção, a boa recepção aos seus inúmeros admiradores (refiro-me aos que vêm de fora) e, o que é mais grave, quer nos impor uma só forma de protesto, estúpida e irracional, não terá jamais o meu apoio. Vou torcer, sim, pelo nosso bom futebol.

Mas também não vou deixar, leitor, de me referir à incompetência com que estão sendo conduzidas, pelos que por elas se encarregaram no governo, as obras da Copa. Não vou deixar de me referir à corrupção endêmica que permeia, há anos, as obras públicas neste país. O ocorrido agora ainda ficará escondido por algum tempo.

Nem muito menos vou ficar calado quando tomo ciência de que, com o nome de “Um novo ciclo de mudanças”, os petistas aprovaram, na última segunda-feira, a redação final das diretrizes para a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Uma vez mais, em um documento oficial, defenderam a suspeitíssima regulação dos meios de comunicação.

Não adianta querer tapar o sol com a peneira. A suspeita é a de que o objetivo da proposta, que constará do programa de governo da presidente, se for reeleita, é um só: a volta da censura à imprensa, semelhante à que conhecemos durante a ditadura militar.

O uso da Copa como arma política não interessa a ninguém, muito menos aos que disputarão votos em outubro próximo.

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