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Ana Paula Moreira

A debandada da seleção e o silêncio da Marta

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PUBLICADO EM 05/10/17 - 03h00

Desde que Emily Lima foi desligada do comando técnico da seleção brasileira feminina de futebol, há quase duas semanas, cinco atletas que vestiram a camisa amarelinha nos últimos anos anunciaram a despedida da equipe. Cristiane puxou a fila. Cinco dias depois da saída de Emily, a atacante publicou um vídeo em seu Instagram afirmando que não jogaria mais pela seleção.

“Não vejo outra alternativa por conta de todos os acontecimentos e por coisas que não tenho mais forças para aguentar. Aguentei por 17 anos, mas não tenho mais. Espero que, com esse vídeo, talvez ajude. Se não pude ajudar tanto em 17 anos como atleta, espero ajudar como ex-atleta”, destacou Cristiane, maior artilheira de futebol em Jogos Olímpicos, independentemente de gênero, com 14 gols.

Além de anunciar sua despedida, Cristiane aproveitou para escancarar os problemas da seleção feminina dentro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Depois de 17 anos vestindo a camisa do Brasil, a atacante afirmou que as jogadores não têm voz, não são ouvidas, não são respeitadas. Ela questionou a falta de apoio e de investimento na modalidade.

“Quantas vezes vão acontecer vários pedidos e ninguém vai escutar? Toda vez foi assim, de pedir e ninguém escutar. Cansei de pedir. Por favor, melhorem essa diária de R$ 250 que as meninas recebem. Estamos há anos recebendo a mesma diária. Explique como funcionam os direitos de imagem, se é que existe, porque ninguém sabe. O ano passado ficamos o ano inteiro servindo à seleção brasileira, disputamos a Olimpíada, que o mundo inteiro assistiu, e eu recebi R$ 2.500, R$ 2.700. Outras meninas, a mesma coisa”, disse Cristiane, em um depoimento emocionado e emocionante.

Ela foi o principal nome a tomar essa decisão e foi seguida pela meia Fran, pela lateral-esquerda Rosana, pela zagueira Andreia Rosa e pela lateral e meia Maurine. Todas, com muitos anos de seleção brasileira, foram muito claras ao dizerem que estão de saída por causa da demissão da comissão técnica. Todas destacaram que estão cansadas da forma como são tratadas pela CBF.

Com a debandada de atletas, todos se perguntavam o que a principal estrela desse time iria fazer. Cinco vezes eleita a melhor do mundo na modalidade, a craque Marta foi questionada e se manifestou. Ela contou que todas as jogadoras da seleção mandaram uma carta para o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, pedindo a continuação do trabalho de Emily e da comissão. Foram ignoradas.

Mas é pouco, Marta. É muito pouco. Se nem com todos os seus gols, dribles, prêmios e títulos a CBF deu o valor que essas atletas merecem, não iria ser com uma carta que as coisas seriam diferentes. Gostaria de ver Marta tomando atitude e enfrentando a CBF e seus dirigentes.

É bonito ver a atitude de Cristiane e companhia. Essas mulheres dedicaram anos de suas vidas ao futebol feminino e não viram mudanças. Quando Emily, que também viveu as agruras da modalidade, tentou transformar a realidade do futebol feminino, foi cortada. Está muito claro que a CBF está pouco se lixando para tudo isso. Minha pergunta é: até quando? 

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