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Ana Paula Moreira

Um caminho para mais representatividade

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PUBLICADO EM 14/12/17 - 03h00

Um fato histórico aconteceu no último domingo, na partida entre Vôlei Bauru e São Cristóvão Saúde-São Caetano, pela 11ª rodada da Superliga Feminina de Vôlei. Tifanny Abreu, 33, é a primeira transexual brasileira a conseguir autorização da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para atuar na competição nacional. Com Tifanny em quadra, o Bauru não conseguiu evitar a derrota por 3 sets a 2.

A atleta chegou a jogar em competições masculinas, como a Superliga B, pelo time do Juiz de Fora. Depois foi para a Europa, onde começou o processo de transição. Já como transexual, Tifanny atuou no voleibol da Holanda e da Bélgica. Após terminar o tratamento hormonal, ela entrou com a documentação para poder jogar no vôlei feminino.

Antes de vir atuar na equipe do Bauru, Tifanny teve oportunidade na segunda divisão do campeonato italiano. Em sua estreia pelo Golem Volley, em fevereiro deste ano, ela fez 28 pontos e foi eleita a melhor jogadora em quadra na vitória de seu time sobre o Delta Trentino. Depois de jogar a Série A2 italiana, Tifanny voltou ao Brasil e fechou acordo com o time do interior paulista.

A liberação da atleta para jogar entre mulheres, além de histórica, é polêmica. Alguns suscitam a dúvida de ela ter alguma vantagem física sobre as rivais por ter nascido com o sexo masculino. Mas, o próprio Comitê Olímpico Internacional (COI) já divulgou um documento, em janeiro do ano passado, autorizando homens que fizeram a transição a participar de competições femininas, desde que cumpram uma série de normas, como se identificar como pertencente a este gênero e fazer tratamento hormonal para diminuir a testosterona. Tifanny cumpriu todas as exigências.

Em sua estreia na Superliga, a ponteira/oposta começou na reserva, entrando nos dois primeiros sets em inversões. A partir da metade da terceira parcial, ela ganhou oportunidade e ficou de vez em quadra, terminando o jogo com 15 pontos marcados.

Um levantamento feito pelo blog Saída de Rede mostra que a jogadora teve um aproveitamento de 40%, recebendo 35 oportunidades de ataque e pontuando em 14 delas. O blog traz ainda que sua colega de equipe Paula Pequeno teve 45% de efetividade nas bolas atacadas. Não dá para fazer uma comparação técnica, mas, para quem assistiu ao jogo, Tifanny não pareceu ter nenhuma vantagem física em relação a suas concorrentes.

Independentemente da questão genética ou de algum benefício corporal, o fato de ter uma jogadora transexual atuando na principal competição nacional de vôlei do país diz muito do momento importante em que vivemos. Depois de gritos homofóbicos ouvidos em alguns ginásios de vôlei em outros anos, a presença de Tifanny em quadra pode ajudar a diminuir o preconceito e a invisibilidade a que os transexuais são submetidos em nossa sociedade.

Se a questão da homossexualidade no esporte é cheia de preconceitos e tabus, os transexuais precisam transpor ainda mais obstáculos em busca de um lugar ao sol. Tifanny é só o primeiro exemplo, mas que seja o primeiro passo para aumentar o respeito e a representatividade. 

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