Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Durval Ângelo

Façamos, agora, o nosso Advento

Que possamos trazer à luz a riqueza e a força do nosso povo

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
PUBLICADO EM 07/12/17 - 03h00

Estamos no tempo do Advento, rito litúrgico católico no período de quatro semanas que antecede o Natal. Tempo de preparação para a vinda do Libertador, que traz consigo uma série de representações. O termo vem do latim, “adventus”, e significa “chegada”. Etimologicamente, tem o sentido de “o que está por vir”: “ad” (a) e “venire” (vir). Carrega o simbolismo da espera, da expectativa, do aproximar-se de um novo tempo, que há de ser de alegria. Um tempo de esperança na construção do Reino.

O teólogo Marcelo Barros faz uma bela analogia do Advento com a gestação e lembra a expressão alemã usada para designar uma mulher grávida, “in der hoffnung”: ela está em esperança. “De fato, é a esperança que dilata o útero da humanidade e o torna acolhedor e disponível à nova vida que virá”, afirma.

Não por coincidência, escolhemos a época do Advento para realizar, de 1º a 3.12, na cidade de Jaboticatubas, o 22º Encontro de Políticos Cristãos, promovido anualmente por nosso mandato e que neste ano teve a esperança como mote. Não a esperança do verbo “esperar”. Mas a quem vem do “esperançar”, definida por Paulo Freire como “levantar-se” e “juntar-se a outros para fazer de outro modo”.

Durante três dias, cerca de 400 lideranças de todo o Estado refletiram sobre os caminhos para o enfrentamento do atual momento, marcado por retrocessos, preconceitos e ódio. A nos guiar, as palavras do apóstolo Paulo aos tessalonicenses: “Nós que somos luz, sejamos sóbrios, revestidos da couraça da fé e do amor, com o capacete da esperança da salvação” (1Ts 5, 8).

Contamos com a assessoria de vários convidados. Dentre eles os professores da PUC Rio Paulo Fernando Carneiro, da PUC Minas Robson Sávio e da Fundação Perseu Abramo Isabel dos Anjos, o coordenador nacional dos coletivos Fora do Eixo e Mídia Ninja, Ney Hugo, e o teólogo e escritor Leonardo Boff.

O projeto imperialista dos Estados Unidos, que, aliado às elites brasileiras, promove o desmonte do “Brasil social” refundado nos governos Lula e Dilma, foi um dos temas centrais. Como alertou Boff, a estratégia de recolonização inclui desestabilizar os governos progressistas das nações do Atlântico Sul para tomar posse de suas riquezas. Interromper esse retrocesso implica em “deixar de ser massa para se tornar povo”. Requer fazer da esperança reação, resistência e luta sem trégua, até que resgatemos nossa soberania.

É dessa esperança – que impulsiona, insiste e reconstrói – que está “prenhe” nosso Advento. Um Advento que é, sim, do espírito, mas que no mundo deve ser construído; como orientou o papa Francisco, ao destacar que este é também um tempo de “vigilância” e “atenção”. “A pessoa atenta dirige-se também ao mundo, procurando combater a indiferença e a crueldade que estão presentes nele”, para “reconhecer tanto as misérias e as pobrezas de indivíduos e sociedades, como a riqueza escondida”, afirmou.

Que possamos trazer à luz a riqueza e a força do nosso povo. Façamos, agora, o nosso Advento!

O que achou deste artigo?
Fechar

Façamos, agora, o nosso Advento
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório

comentários (74)

Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter