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Editorial

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PUBLICADO EM 03/01/18 - 03h00

Desde a última quinta-feira protestos violentos ocorrem em várias cidades do Irã, até mesmo na capital, Teerã. Mais de 20 pessoas morreram, inclusive membros da polícia e da Guarda Revolucionária. Os manifestantes incendiaram prédios públicos, e mais de 600 foram presos.

O Irã é uma República islâmica conduzida com mão de ferro por uma dinastia teocrática desde 1957, quando o xá Reza Pahlevi foi derrubado por uma revolução. Desde 2009, quando houve atos contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, não ocorriam protestos no país.

Por isso, as manifestações de agora surpreenderam sobretudo os próprios iranianos pela violência. Uma delegacia de polícia chegou a ser atacada e incendiada, indicando que os manifestantes estavam atrás de armas de fogo. Em vão, o governo tenta pôr panos quentes.

O presidente, o clérigo Hassan Rohani, é tido como moderado, tendo assinado o acordo nuclear com os Estados Unidos e a Europa. O acordo levantou as sanções internacionais contra o país, mas ainda não trouxe a prosperidade almejada pela maioria da população.

O Irã continua muito desigual socialmente e, apesar de conseguir exportar seu petróleo, tem baixo crescimento, inflação alta e grande desemprego. A corrupção é naturalizada, e os gastos militares são proporcionais a seu envolvimento em conflitos regionais, como o da Síria.

Sociedade e Estado estão submetidos ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que substituiu o fundador, o aiatolá Ruhollah Khomeini. Khamenei controla a Guarda Nacional, uma divisão das Forças Armadas que tem um efetivo de 120 homens e propósitos políticos.

Adversário do acordo assinado pelo ex-presidente Barack Obama, o presidente Donald Trump comemora os protestos, afirmando que o povo iraniano tem fome de liberdade e que o país necessita de mudanças. Por ironia da política, ele se identifica com os reformistas.

A falta de pudor de Trump pode incentivar a repressão conservadora, resultando num banho de sangue.

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