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Editorial

Partos de risco

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PUBLICADO EM 08/09/17 - 03h00

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostra que 48% das mulheres perdem o emprego até 12 meses após tirarem a licença-maternidade. No período entre 2009 e 2012, foram 118.778 trabalhadoras que se afastaram do mercado de trabalho, voluntária ou compulsoriamente. Para os pesquisadores responsáveis, um dos principais motivos para elas não retornarem às atividades profissionais é não ter onde deixar os filhos.

Atualmente, sete em cada dez crianças entre 0 e 4 anos não estão matriculadas em creches ou escolas infantis, tendo que ficar em casa sob os cuidados principalmente das mães, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar do IBGE. Somente uma em cada dez usam o serviço em tempo integral, apesar de 61,8% dos responsáveis declararem interesse em deixar seus filhos sob esse tipo de cuidado. Um dos maiores obstáculos é a ausência de estrutura para receber essas crianças. A estimativa é que exista em todo o país um déficit de 2,7 milhões de vagas em creches.

A falta de investimentos nessa área contribui para o fato de as mulheres serem maioria (50,8%) na população desempregada no país, logo, sem renda regular para arcar com os quase R$ 17 mil anuais que custa criar um filho em uma família da classe C – grupo com mais mães que saem do mercado de trabalho nessas condições.

A negligência com a construção de novas creches causa impacto não só nas vidas dessas mães, mas também nas contas públicas, pois são trabalhadoras entre 25 e 35 anos, no auge de sua capacidade produtiva, que não têm como contribuir para a Previdência pública, principal fonte do rombo fiscal que chegará a R$ 159 bilhões neste e no próximo ano.

O que se pode aprender com esses números é que a miopia dos governos em relação aos gastos sociais tem um alto custo, inclusive em termos financeiros, e que um país que pretende sair da crise e desenvolver-se não pode deixar suas crianças – e suas mães – fora de seu devido lugar na sociedade.

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