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Editorial

Robôs políticos

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PUBLICADO EM 27/08/17 - 03h00

Uma em cada cinco discussões políticas no Twitter é provocada por robôs. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas revela que 19% das manifestações de apoio a Aécio nas redes sociais no debate presidencial do segundo turno, 21% das defesas a Dilma durante a manifestação pelo impeachment e 22% das opiniões favoráveis à greve geral de abril não eram de seres humanos, mas de bots – contas controladas por programas de computador que geram conteúdos artificialmente. Para os pesquisadores, tal fato é uma ameaça ao debate público e, em última análise, um risco à democracia.

Como se fossem pessoas comuns, dispositivos robóticos simulam conversas simples com outras pessoas, reforçando informações, algumas vezes parciais, outras vezes completamente falsas, em favor de uma ideia ou pessoa. Elevando a movimentação nesses fóruns virtuais à casa das dezenas de milhões de participantes.

Outro estudo, feito pela Universidade de Oxford, cita gastos acima de R$ 10 milhões na utilização de bots durante a disputa de 2014. E nem é preciso gastar tanto: por R$ 90 é possível comprar 10 mil curtidas em um post no Facebook, informa o levantamento.

FGV e Oxford fazem alertas semelhantes. O uso de robôs produz opinião pública artificial, cria uma dimensão irreal sobre preferências políticas ou figuras públicas – que passam a falsa sensação de um amplo apoio popular – e provoca desinformação num momento crucial. Outras duas implicações são a facilidade de burlar a proibição de propaganda política no período pré-eleitoral e o acirramento das tensões mesmo depois de encerrada a disputa.

A cerca de um ano das eleições e em meio à reforma política, as discussões sobre o tema que deveriam estar mais do que adiantadas permanecem no limbo, obscurecidas por preocupações tidas mais urgentes pela atual classe política como a autopreservação perante a ameaça dos processos judiciais por corrupção e a busca de recursos públicos fartos e fáceis para suas campanhas.

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