Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Flávia Denise

Isso é tão 'Black Mirror'

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
d
PUBLICADO EM 11/09/17 - 03h00

Os fãs de “Black Mirror” no Brasil têm uma boa notícia. Não, não é o trailer do episódio dirigido por Jodie Foster – apesar de ele já estar disponível. É o lançamento, bem atrasado, do livro “Robopocalypse”, de Daniel H. Wilson, com tradução de Flávio Souto Maior, que finalmente sai pela editora Record.

O livro publicado em 2012 nos Estados Unidos, poucos meses depois da estreia da série, é um verdadeiro tratado sobre como a tecnologia, que invade todos os aspectos de nossa vida, pode ser usada contra nós. Foi graças a leitura desse livro que tomei a decisão de tampar todas as câmeras que me cercam diariamente, incluindo aí as do celular, que carregamos aonde vamos, como pequenos espiões de bolso. Afinal, quando você é exposto a uma obra que faz com que você perceba que esses maravilhosos aparelhos que nos facilitam a vida podem ser controlados sem que você perceba, é preciso enxergar as coisas de outra forma.

Um bom exemplo de quão complicada é a situação é o caos que se instaura quando nossos preciosos equipamentos tecnológicos param de funcionar. Pessoas olhando para os lados, procurando o que fazer, com quem reclamar costuma ser a regra.

A história de “Robopocalypse”, porém, vai muito além disso. A trama é a personificação do pesadelo de muita gente – e me incluo aí. Uma inteligência artificial criada para coordenar todos os aspectos de nossas vidas, como dirigir nossos carros, vigiar nossos filhos, controlar portas e fronteiras, decide que a humanidade é descartável. Da mesma forma que Nietzsche decreta a morte de Deus, a inteligência artificial Archos chega a conclusão que o mundo não precisa do ser humano e, para não ficar de mentirosa, começa a matança. São crianças assassinadas enquanto dormem e motoristas sendo mortos por seus carros.

Como a ficção sempre nos mostra, o ser humano, apesar de ser desnecessário em teoria é bem difícil de se descartar na prática, e os personagens de sempre ficam responsáveis por cuidar da nossa sobrevivência: o velho que se recusa a ter um carro modernoso, o homem desavisado que escapa sem querer, a mulher que luta por sua vida. E, juntos, eles deverão salvar a humanidade – ou pelo evitar sua extinção.

Se o roteiro parece sinopse de filme para você, regozije-se: Steven Spielberg achou a mesma coisa. Ele assumiu o projeto pouco depois do lançamento do livro nos EUA. E o abandonou logo em seguida. No começo do ano passado, porém, o roteirista da história Drew Goddard (“Perdido em Marte”) ofereceu alguma esperança de que o filme ainda seja feito, mas não há novidades oficiais desde então.

Sem conhecer os motivos por trás desse vai e volta, ouso escrever que o motivo deve ser o abismo existente entre a imagem que temos dessa inteligência artificial de cinco anos atrás, que mais parecia com um terror b, e a noção que temos hoje de que uma inteligência artificial pode ser uma ameaça real no futuro – ou pelo menos é isso que acha o físico Stephen Hawking, que tem alertado, repetidamente, sobre os perigos de computadores com poder de matar humanos.

Para o fã de “Black Mirror”, porém, a situação é bem mais simples. É tudo uma questão de apreciar uma boa história, o que o livro certamente é. E torcer para que o futuro não nos reserve o destino de nossos heróis da ficção. 

O que achou deste artigo?
Fechar

Isso é tão 'Black Mirror'
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter