Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Flávia Denise

O que é diversão para você?

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
d
PUBLICADO EM 12/02/18 - 03h00

Quando você fala em diversão, o que se imagina fazendo?

As opções não são muitas. Uma vez atingida a vida adulta podemos descansar (ficar em casa, ir à praia, relaxar), festejar (o que quase sempre envolve bebidas alcoólicas e gente ao redor), praticar esportes (jogar bola, andar de patins, dar uma volta de bicicleta) e consumir produtos culturais (ler um livro, ver um filme etc.). Também há quem entenda que diversão é descobrir o novo, seja um lugar, um hábito, uma pessoa, uma técnica.

E recentemente descobri mais uma atividade que é considerada diversão por muita gente: adrenalina. Pular de paraquedas, andar em montanhas-russas radicais e todo tipo de ações que fazem o corpo liberar doses cavalares do “hormônio do medo”. Tem quem ache que convencer o corpo a temer a morte iminente é divertido. E, ao observar esses curiosos seres humanos que consideram diversão o ato de se esgoelar, não pude deixar de me perguntar: por que buscamos formas tão radicais de nos divertir?

Uma das respostas que encontrei é porque a diversão é uma atividade específica, separada da “vida normal”, reservada para momentos “especiais”, então precisa ser radical o bastante para “justificar o esforço”.

Vivemos uma existência tão segmentada. Hora de dormir, de trabalhar, de estudar, de cuidar da casa, de comer. E a tão esperada hora de se divertir, que existe em momentos curtos e apertados, é muitas vezes “roubada” e forçada, para não se “desperdiçar a oportunidade”. Cada uma dessas atividades quer durar mais tempo, cada uma quer ocupar mais espaço, e cabe a nós a difícil tarefa de tentar obrigar nossas muitas necessidades e vontades a se encaixarem umas nas outras. E com frequência fazemos isso abrindo mão de um tempo de calma, de uns minutos para simplesmente existir, sem a obrigação do fazer. E o resultado é a busca por uma forma de diversão tão absurda e radical quanto nosso estilo de vida.

Mas… e se fizéssemos diferente? E se procurássemos a tal de diversão em todas as atividades? Você acorda cedo e faz algo que muda a rotina. Se atrasa, e daí? Você vai ao trabalho e descobre uma coisa curiosa, uma tarefa que sempre fez de forma puramente manual, mas que pode ser algo mais intrigante quando a enxerga de outra forma. À noite, não vai direto para casa. Encontra um amigo, pratica seu esporte preferido. Em casa, você não tenta relaxar, simplesmente relaxa. Você está feliz de estar ali, não vê o trabalho de amanhã como um peso.

É óbvio, ainda há cobranças. Há dias em que consegue satisfazê-las. Em outros, não. As 24 horas que compõem o dia continuam sem comportar tudo aquilo que você quer. Não tem jeito, o tempo é um recurso limitado mesmo. Mas ele não passa de forma tão apressada, não é tão sofrido pensar que ele seguirá marchando, você não sente que ele te atropela.

E, de repente, quando você chega nas esperadas férias, percebe que não há aquele mesmo desespero para aproveitar tudo antes que acabe. Você ainda se joga, mas não há aquela angústia de que logo logo o mundo vem cobrar seu preço. Até que um dia você descobre que não está tão empolgado para abandonar a vida por um mês – você gosta dela todo dia (ou quase isso), não tem porque fugir.

Eu espero que um dia consigamos viver assim. Sem a necessidade louca de buscar uma “diversão” tão radical quanto o nosso estilo de vida. Sem achar que nossa única opção é viver, em desespero, o lado bom da vida antes que o ruim nos alcance.

Texto originalmente publicado em 20.6.2016

O que achou deste artigo?
Fechar

O que é diversão para você?
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter