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Josias Pereira

Os clubes formadores agradecem a gastança

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PUBLICADO EM 05/02/18 - 03h00

R$ 3,6 bilhões. Este foi o valor gasto em transferências nas principais Ligas da Europa na janela de inverno. Mais um número recorde e que prova o domínio absoluto dos ingleses, que seguem gastando as libras que não param de rolar em seus cofres. Para se ter ideia, desse montante, R$ 2,5 bilhões foram movimentados apenas na Premier League, o campeonato da Terra da Rainha. De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, foram 559 transferências envolvendo os clubes de Inglaterra, Itália, França, Alemanha e Espanha. A maior delas, claro, a saída do brasileiro Coutinho do Liverpool para o Barcelona por R$ 438 milhões, o segundo jogador mais caro da história do futebol.

Em colunas passadas qualifiquei como ‘loucuras’ algumas destas transferências. Porém, a despeito do que parece ser certo ou errado, existe uma parcela do futebol que agradece, de pés juntos, cada um destes acordos milionários: os clubes formadores. Criada nos anos 2000, a medida conhecida como ‘mecanismo de solidariedade da Fifa’ já beneficiou diversos pequenos e grandes times, ‘premiados’ pelo esforço na formação do atleta.

A matemática da distribuição da grana tem peculiaridades. A fatia de 5% estabelecida pela Fifa é dividida por todos os clubes no qual o atleta jogou entre 12 e 23 anos. A porcentagem dos clubes formadores é divida desta forma: dos 12 aos 15 anos, os clubes garantem 0,25% (por ano) do total e dos 16 aos 23 anos, as equipes ficam com 0,5% (também por ano) do valor, totalizando assim 5%. Desta maneira, diferentemente do que muitos pensam, o clube formador só tem direito a 5% do valor total da transferência se o atleta tiver permanecido no clube dos 12 até, pelo menos, os 23 anos.

Os valores podem parecer até ínfimos, mas ajudam bastante quem luta pela sobrevivência no futebol. Foi isso que aconteceu com o Sporting Union de Agen, atualmente na oitava divisão da França. Por ter abrigado o zagueiro Laporte dos 12 aos 16 anos, a equipe receberá 1% do valor da transferência do atleta ao Manchester City. Os ingleses pagaram 65 milhões euros para tirar o defensor francês do Athletic de Bilbao-ESP. Com 650 mil euros nos cofres, valor este que será pago em quatro vezes, o Sporting Union conseguirá quitar suas dívidas, orçadas em 100 mil euros, escapando da falência judicial.

Os casos de agradecimentos de ‘joelhos’ se multiplicam. O Vasco, que atravessa uma grave crise financeira, havia estipulado em seu orçamento para 2018 nada menos que R$ 18 milhões oriundos do mecanismo de solidariedade. Parte deste valor já foi atingido com Coutinho. Desde que deixou a equipe carioca, negociado com a Inter de Milão, estima-se que o meia já tenha rendido aos cofres vascaínos R$ 26,8 milhões.

Prova irrefutável da necessidade de se investir na base. A formação de jogadores necessita ser uma das opções certeiras para driblar as dificuldades financeiras que ameaçam a estabilidade dos clubes de futebol. E claro, dirigentes e torcedores precisam ter paciência. Nunca se sabe quando você tem ao seu alcance uma ‘mina de ouro’. A garotada precisa de tempo.

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