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Laura Medioli

Fim de ano

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PUBLICADO EM 08/01/17 - 04h30

Ainda bem que janeiro chegou. Para mim, fim de ano é uma loucura institucionalizada, ditada por uma agenda cheia de obrigações e compromissos nem sempre interessantes. Tem gente que adora. Eu, não.

Na mesa do jornal, convites, lançamentos, jantares, almoços, formaturas, confraternizações...

Tem dias que saímos correndo de um lugar ao outro e, no caminho, ainda nos lembramos daquele encontro na manhã seguinte com ex-colegas da faculdade em um sítio “fim de mundo” qualquer, num provável sábado de chuva. Concordo que rever ex-colegas é ótimo. Mas por que necessariamente tem de ser no fim do ano? Por que não em maio, abril, quando os dias são lindos, sem tempestades, atolamentos na estradinha de terra ou excesso desnecessário de comidas e bebidas? Sim, porque é também no fim do ano que as pessoas resolvem se esbaldar.

Sair, para mim, nunca foi problema. Sempre gostei de jogar conversa fora, rever amigos... Compromissos leves, repartidos com pessoas queridas, de astral pra cima e que nos deixam bem. Quando interessantes, pessoas me atraem feito ímã. Aquela vontade de trocar figurinhas, ouvir e contar casos...

Tem gente que, ao ver aglomerações, foge léguas; eu, não. Observadora de comportamentos, pessoas me fascinam. Portanto, estou longe de ser o tipo antissocial. Para mim, o que torna o fim de ano complicado são os excessos. A quase “obrigatoriedade” de estar presente aqui, ali e acolá, tudo ao mesmo tempo.

Mas nem todos os compromissos são obrigações, alguns são puro prazer. Organizar bazares na creche de Betim, por exemplo, é das coisas mais prazerosas e divertidas que existem. Abrir sacos de doações, com roupas novas e usadas, enfeites, eletrodomésticos, sapatos, enfim, toda aquela parafernália de coisas que são de grande utilidade. Etiquetar, apreçar, limpar, organizar, carregar de um lugar ao outro são algumas das tarefas, normalmente regadas a conversas animadas, Ki-Sucos açucarados e bolachas de coco Mabel. No meio da confusão, uma parada para assistir ao teatrinho da meninada. Simples e necessário à manutenção de nossas cabeças congestionadas de urgências. O tempo corre, e, se quisermos sobreviver, temos que correr junto, alguém diz.

Lembrando-me do compromisso da noite – um jantar “passeio completo” em requintado salão de festas –, penso no cabeleireiro com hora marcada, no vestido passado no cabide, na sandália alta e desconfortável. Deus, estou atrasada! Nesse momento, um telefonema “milagroso” de amigas.

– Laurinha, o que você vai fazer hoje no final da tarde? – E antes que eu respondesse... – Vamos comer uma traíra sem espinha no bar do fulano de tal?

Sem pensar duas vezes, aceito o convite, mesmo não comendo traíras.

– Ó, o lugar é meio fuleiro... – Já me avisam com antecedência. E eu, felicíssima, respondo: – É justamente do que preciso.

Ligo para minha cunhada, repasso a ela o ingresso do jantar. Nem precisava passar em casa. Do trabalho, já iria direto, penso satisfeita, até ser interrompida pelo telefonema do meu marido:

– Laura, você está lembrando que hoje à noite temos um…

– Iiih... Já ia me esquecendo.

Ligo para as amigas marcando a traíra para outro dia. E assim vamos levando. Um compromisso atropelando o outro.

Às vezes, a vontade é um canto escondido, com água de bica, um galo nos acordando e os bem-te-vis de minha infância desejando-nos boas-vindas. Só isso.

PS: Aos queridos leitores, um ano novo mais leve que este que passou.

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