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Laura Medioli

Pequenos contratempos

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PUBLICADO EM 14/01/18 - 04h00

Ando estressada com os micos que apareceram em minha casa. Enquanto pulavam de árvore em árvore, eu achava lindo, mas agora, que resolveram entrar na cozinha para roubar frutas, ou melhor, comê-las descaradamente em cima da mesa sem darem a mínima a nossa presença, viraram um problema.

Ontem tentei expulsar um deles – da goiaba e da cozinha –, e ele me encarou cheio de dentes. Traumatizada com mordida de macaco, preferi me afastar. Peguei uma vassoura e ameacei tocá-lo de lá, até vê-lo, calmamente, sair pela janela levando uma banana. Pelo jeito, quem levou a banana fui eu.

– Você viu? – perguntei à cozinheira.

– Vi. E, se eu fosse você, jogava o resto fora – respondeu-me com cara de asco.

Lembro que, por causa deles, a Pretinha ficava histérica. De manhã cedo já começava a latir pros bichos, acordando a casa e atormentando os vizinhos. Tinha mico na mangueira, no flamboyant, subindo no telhado... E ela atrás, sem dar conta do recado. Quando se cansava de um, ia atrás de outro. No fim da tarde, exausta, deitava-se no sofá da sala e só se levantava na hora da janta, quando, pulando e balançando o rabo, requisitava a sua parte da cesta. Saudades dessa nossa cachorrinha – a vira-lata mais esperta e hiperativa que já conheci.

Resolvi fazer um “micódromo” no jardim, uma tábua pendurada nas árvores onde deixamos bananas, goiabas e frutas da época. Como fizemos no Jaíba, onde até um vira-lata sobe para comer, dividindo o espaço com araras, passarinhos e uma infinidade de maritacas. Assim, além de se afastarem da cozinha, os micos não passarão fome.

Também as pombas, vindas sabe-se lá de onde, são um problema. Atrás da ração dos cachorros, não dão trégua. Além da sujeira que deixam no quintal, temo por doenças que porventura possam ter. Coloquei as vasilhinhas de ração dentro de casa, até alguém me lembrar que isso pode atrair ratos.

O que me faz lembrar a história contada por um amigo que, para se livrar dos ratos do sítio, adquiriu um pacote de chumbinho, veneno proibido e dos mais mortíferos. Os ratos comeram o veneno, e os gatos da casa comeram os ratos. Final da história: morreram todos. Verdadeiro ou não, esse caso me impressionou.

O pior são os cupinzeiros, que, de uma hora para outra, resolveram dar as caras no gramado. Jogo remédio num buraco, eles aparecem em outro. E já nem sei mais o que fazer com aquelas “montanhazinhas” do mal. Por causa dos cupins, perdi uma árvore inteira. E, se não ficar esperta, a casa também entra no cardápio.

Fora esses pequenos contratempos, morar numa casa é um privilégio. Nada como acordar com o canto de passarinhos, sentir o cheiro de grama cortada, ter verduras frescas na horta, sentar-se sob o sol da manhã,  sentindo o perfume das flores lilases dos muitos manacás que plantamos no jardim. 

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