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Laura Medioli

Vida nova

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PUBLICADO EM 07/01/18 - 04h30

Pois é, fim de ano, e ela lá, sem cumprir metade da lista que prometeu no ano passado. Por curiosidade, pegou a cadernetinha para rever as metas a que se propusera.

Primeira: arrumar um namorado decente, que não lhe desse dor de cabeça. Resultado: alguns “ficantes” inconsequentes que a tiraram do sério.

Segunda: um trabalho saudável e gratificante. Resultado: uma ocupação monótona e sem perspectivas.

Terceira: um super-regime, uma superacademia, corridas na orla da lagoa, tudo durinho, tudo em cima. Resultado: deixa pra lá!

Quarta: deixar de ser cabeça-dura e parar de fumar! Resultado: cabeça-dura.

Continuando: banhos de cachoeira que, no fim das contas, viraram banhos de descarrego, recomendados pela cartomante, que viu nela tanta inveja que lá se foram quase dois quilos de sal grosso. E aí é que se pergunta: inveja de quê? Do jeito que andavam as coisas, estava mais pra misericórdia que pra mau-olhado.

Prosseguindo: viagens interessantes, lugares fantásticos, hotéis deslumbrantes (gostava de exagerar nos adjetivos, achava que dessa forma acabava os atraindo). Resultado: Pindaíba da Serra e Desterro do Matutinho. Detalhe: a trabalho.

Bom, acho que já deu para sentir o drama. Só que desta vez seria diferente, mudaria as regras do jogo. Ano novo, vida nova! Afinal, potencial para mudanças ela tinha de sobra. Para começar, ela se recusaria a apaixonar-se pelo sarado da academia, jamais aceitará um convite seu pra balada, jamais, nunca, never vai transar nos primeiros dias (também nada de uísque – cortar a tentação já pela raiz). Dar uma de gostosa, como quem não quer nada, fingir-se de boba, poderosa. Desta vez resistirá bravamente.

Segunda meta do ano: um ótimo emprego. Mas para isso deve livrar-se do atual, aquela coisa monótona e desestimulante... Afinal, alguém neste ano vai descobrir seus talentos.

E a lista só aumentando, desta vez mais realista, pé no chão.

Terceira: o quarto sem bagunças, nova pintura, abajur decente, cama king-size, lençóis de algodão egípcio, chiquérrimos, para noites especiais. E rezar para ter as tais “noites especiais”.

Quarta: pela última vez, deixar de ser cabeça-dura e parar de fumar.

Quinta: uma dieta saudável, com redução de calorias, caminhadas, saladinhas, morangos sem chantilly, tudo muito natural...

PS: os chocolates e trufados só entrariam na lista durante crises existenciais, TPMs e foras do namorado. Sim, porque o “namorado” continua na lista.

Sexta: ele, o próprio. Que seja romântico, lhe envie flores, cartõezinhos, mensagens no celular, se lembre das datas, repare em seu penteado, elogie seu novo vestido, seu corpo, seu rosto, sua inteligência, sua competência, sua... Bom, na verdade, basta um namorado, não um milagre.

Sétima: viagens legais e divertidas, pousadas aconchegantes, vinho tinto nos dias frios, lareiras... coisas assim. Ou, então, para o verão, jacuzzis espumantes, vinhos italianos, areias brancas, águas cristalinas...

PS 1: caso isso seja difícil, uma barraca na serra do Cipó, sob noites estreladas.

PS 2: claro, desde que acompanhada pela meta número 6!

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