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Michele Borges da Costa

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PUBLICADO EM 08/09/17 - 04h00

Tem o vizinho que faz gato na energia do prédio para manter ligado o freezer que abastece a cobertura no bairro de classe média-alta. Dê a função de síndico para esse cidadão, e ele vai fazer o quê?!

Tem a senhora que engorda suas despesas comprando notas de médicos, fonoaudiólogos e psicólogos para deduzir no seu Imposto de Renda e que aprendeu como sonegar com o ex-marido empresário. Dê o controle da tesouraria de uma escola para essa contribuinte, e ela vai fazer o quê?!

Tem o espertinho que foge do congestionamento pelo acostamento, que estaciona na ciclovia, que para em fila dupla só um minutinho para a cria descer na porta da escola. Dê um cargo no serviço público para esse malandro, e ele vai fazer o quê?!

Tem a doutora que, além do que recebe do plano de saúde pelos serviços prestados, cobra por fora uma taxa extra para realizar os partos que caem no seu consultório. Dê o comando de uma autarquia para essa profissional, e ela vai fazer o quê?!

Tem a dondoca que acha um absurdo a empregada se recusar a desfilar de uniforme na rua, querer usar o mesmo elevador que os moradores do prédio, pendurar o pano de prato no ombro, ficar falando sobre as tragédias que acontecem no bairro onde mora. Dê uma prefeitura para essa mulher, e ela vai fazer o quê?!

Tem o bonitão que avisa pelo Twitter onde está tendo uma blitz da Lei Seca, que prefere pagar uma cerveja pro guarda a uma multa de R$ 700, que dá carteirada para entrar na balada e anda com carteirinha de estudante no bolso, apesar de ter saído da escola há duas décadas. Dê uma vaguinha no gabinete de algum deputado para esse sujeito, e ele vai fazer o quê?!

Tem o policial que cobra um pedágio de R$ 10 de cada motoqueiro da cidade vizinha que resolve passar pelo seu domínio. Dê uma diretoria de uma estatal para esse homem da lei, e ele vai fazer o quê?!

Tem o desavisado que faz circular boato pelo WhatshApp, que não vê nada de mais em chamar uma mulher de “vadia” ou “vagabunda” quando quer atacar o trabalho dela, que acredita que a discussão sobre o aborto é moral e não de saúde pública. Dê um mandato parlamentar para esse vassalo, e ele vai fazer o quê?!

Tem o funcionário padrão que em uma viagem de negócios pede nota em branco pro caixa do restaurante, que compra presente pra namorada com o cartão corporativo, que inclui as despesas do happy hour nos papéis para reembolso. Dê poder ao moço, e ele vai fazer o quê?!

Texto originalmente publicado em 13.3.2015

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