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Murillo de Aragão

O desgaste das legendas mais tradicionais nas eleições de 2018

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PUBLICADO EM 19/04/17 - 03h00

A delação da Odebrecht atingiu vários partidos políticos, em especial PT (16), PMDB (14) e PSDB (12). Envolveu, ainda, os principais nomes da corrida sucessória de 2018, como o ex-presidente Lula, o senador Aécio Neves, o ex-ministro José Serra e o governador Geraldo Alckmin.

Alvo de seis pedidos de investigação criminal enviados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin para a primeira instância, Lula reafirmou sua candidatura à Presidência no próximo ano.

No PSDB, os três ex-candidatos do partido ao Palácio do Planalto também enfrentam problemas. Fachin abriu cinco inquéritos contra Aécio Neves. José Serra foi acusado por um dos delatores de ter recebido R$ 4,5 milhões. Três delatores afirmaram à Procuradoria Geral da República que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), usou o cunhado para pegar R$ 10,7 milhões da Odebrecht.

No PMDB, várias lideranças regionais sofrem desgastes e acusações no âmbito das investigações, o que pode impactar o desempenho do partido nas próximas eleições legislativas.

O PT continua altamente dependente de Lula. Fragilizado, pode diminuir ainda mais de tamanho nas próximas eleições. Nas eleições municipais de 2016, perdeu 60% do número de prefeituras conquistadas pelo partido, em comparação com 2012. Em 2014, a legenda já havia elegido 18% menos deputados federais na comparação com 2010.

Ainda não se sabe se Lula poderá concorrer no próximo ano. Além do risco de eventual condenação em segunda instância, há outro: o entendimento da maioria dos ministros do STF – o julgamento ainda não foi concluído – é que réu não pode ocupar cargo na linha sucessória.

Qualquer partido poderá, então, fazer outro questionamento à Corte: pode um réu concorrer à Presidência? O problema é que no PT não há outro nome com chances. Sem Lula, o partido pode ser forçado a apoiar candidato de legenda diferente.

Apesar dos reveses sofridos pelo PSDB, começa a surgir uma nova opção para a legenda: o prefeito de São Paulo, João Doria. Conforme avaliou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não é possível antecipar quem será o candidato do partido em 2018 porque não se sabe quem ficará de pé até lá.

Após três meses à frente da Prefeitura de São Paulo, Doria tem sua administração aprovada por 43% dos paulistanos.

O desgaste do PMDB pode resultar em perda de espaço nas eleições legislativas do próximo ano. No Senado, por exemplo, dos 22 senadores, 16 encerrarão seus mandatos. Com tantas lideranças regionais na berlinda, o partido pode encolher tanto na Câmara quanto no Senado.

O enfraquecimento de partidos e de lideranças tradicionais aumenta de forma significativa o grau de incerteza das eleições de 2018. Em 2002, Lula venceu a eleição em grande parte por causa da questão econômica. Em 2018, além da economia, outro ingrediente terá forte peso: a questão ética. Candidatos vistos como novos e/ou que não estejam envolvidos na Lava Jato terão boa vantagem em relação a políticos tradicionais.

Essa corrosão da política tradicional abre espaço para o surgimento dos chamados “outsiders”. Hoje, por exemplo, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) aparece bem-posicionado nas pesquisas de intenções de voto para 2018, estando tecnicamente empatado com as opções do PSDB.

Embora não sejam antipolíticos, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e a ex-senadora Marina Silva (Rede) podem ocupar esse espaço vago, principalmente se profissionais como Lula, Aécio, Serra e Alckmin ficarem inviabilizados.

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