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Paulo Paiva

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PUBLICADO EM 10/09/17 - 03h00

A economia terminou o primeiro semestre no azul. O aumento foi de 1% no primeiro trimestre e de 0,2% no segundo, conforme dados do IBGE. A recessão que corroeu a riqueza do país ao longo de dois anos seguidos chegou a seu final sem deixar saudades. Foram mais de 13 milhões de trabalhadores desempregados, milhares de empresas fechadas, centenas de milhares de pessoas de volta à pobreza, e a renda per capita real reduziu-se aos níveis de 2008. Foi a maior devastação da economia já registrada no Brasil desde o início do século passado.

O crescimento do segundo trimestre foi menor do que o do primeiro porque, no início do ano, a economia havia sido positivamente afetada pela colheita de grande parte da supersafra. No trimestre de abril a junho, a agropecuária não contribuiu para o crescimento do PIB. Do lado da oferta, a principal contribuição foi dos serviços, que cresceram 0,6%, puxados pela forte expansão do comércio (1,9%). No setor industrial, a produção mineral cresceu 0,4%, e a indústria de transformação ficou praticamente estável (0,1%), enquanto a construção caiu 2,0%, e as atividades de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana encolheram 1,3%.

Do lado da demanda, a expansão ocorreu no consumo das famílias, com expressivo aumento de 1,4%, após nove trimestres de quedas consecutivas, ao passo que os investimentos retraíram 0,7%, e o consumo do governo caiu 0,9%. A balança comercial continuou somando superávits. Em síntese, foi o consumo das famílias o principal responsável pela variação positiva do PIB no segundo trimestre.
Na perspectiva anual, o PIB apresenta retração de 1,4%, comparando os últimos quatro trimestres com os quatro trimestres imediatamente anteriores, mas é bom lembrar que, no segundo trimestre de 2016, a queda anual foi de 4,8%!

A expansão do consumo das famílias provoca queda nos estoques, estimulando, assim, aumento da produção industrial nos próximos meses sem necessidade de grandes investimentos porque vai se valer da capacidade ociosa existente. Também, a redução das taxas de juros diminui o custo do crédito e os ganhos financeiros, favorecendo consumo e investimento.

O crescimento este ano deverá superar as estimativas do mercado, que indicavam variação do PIB entre 0,2 e 0,5%. Com o desempenho do semestre, não havendo mudança no cenário político que afete a confiança dos consumidores e dos investidores, não será surpresa se a economia fechar o ano com aumento em torno de 1%.

Se a política monetária tem seguido no rumo da estabilização, a política fiscal continua sendo a maior e mais profunda vulnerabilidade da economia. A ineficácia do atual governo em lidar com o desequilíbrio de suas contas e sua instabilidade política são os grandes riscos imediatos. Por conseguinte, a recuperação sustentada da economia dependerá das escolhas que o Brasil fará no próximo ano. Pode-se, hoje, comemorar a volta do crescimento, mas com moderação.

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