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Paulo R. Haddad

Crescimento sem ilusões: a economia brasileira em 2018

Ano será lembrado pelas incertezas sobre o futuro do país

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PUBLICADO EM 30/12/17 - 03h00

O crescimento da economia brasileira, em torno de 1% no final de 2017, poderá ser um indicativo de que, passada a recessão de 2014 a 2016, a expansão econômica em 2018 deverá se acelerar? Como a recessão econômica foi profunda e deixou como legado uma imensa e assimétrica capacidade ociosa de homens, máquinas e energia institucional, a questão que se coloca é a de avaliar o status dos diferentes componentes da demanda agregada da economia e seu potencial de mobilizar essa ociosidade.

Em primeiro lugar, dificilmente a expansão da demanda poderá vir do aumento dos gastos públicos como mecanismo compensatório da insuficiência da demanda das empresas e das famílias. Não há grau de liberdade em termos de excedentes fiscais nem de aumento da dívida pública federal para realizar políticas de investimento pró-crescimento. Na verdade, como o Orçamento Geral da União se encontra sob o regime de teto de gastos e engessado em seus comprometimentos constitucionais e políticos, não haverá recursos nem para complementar as obras públicas iniciadas no ciclo de prosperidade de 2002 a 2010, nem mesmo para a recomposição do capital infraestrutural que se desgasta e se deprecia.

Além do mais, até agora a crise fiscal tem sido uma batalha no nível das questões de insolvência financeira das instituições da administração direta e indireta do governo federal. A crise fiscal dos Estados e municípios começa a entrar em cena dramaticamente por meio de protagonistas federativos de grande expressão, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Rio Grande do Sul.

As expectativas se voltam, pois, para os investidores privados que poderiam realizar projetos diretamente ou por meio de parcerias público-privadas. Algo mais fácil de ser proposto do que de ser implementado.

Estudos recentes têm mostrado o papel importante das interações entre instabilidade e incerteza para o desempenho dos investimentos do setor privado em contextos como os que se apresentam para o Brasil atualmente. A instabilidade macroeconômica resulta, entre outros fatores, da influência de variáveis financeiras sobre o comportamento das funções de investimento. A especificação dessas funções fica fortemente dependente do ambiente político-institucional que configura as variáveis financeiras, ambiente impregnado de incertezas neste início de 2018.

Há dois componentes da demanda agregada que, eventualmente, poderão impulsionar os ventos dominantes do crescimento econômico de 2018: o consumo das famílias, embalado pela queda expressiva das taxas de inflação e de juros; e o ambiente da economia global bastante favorável à redução de nossos déficits em conta-corrente, ao recorrente influxo de investimentos externos diretos e de portfólio no país, à grandiosidade de nossas reservas internacionais e ao dinamismo da competitividade sistêmica do agronegócio brasileiro.

Entretanto, 2018 ainda será lembrado pelas profundas incertezas sobre o futuro econômico e político de nosso país. Não seremos surpreendidos se, ao longo do ano de 2018, trimestre após trimestre, os atuais prognósticos de crescimento do PIB forem corrigidos, pois não temos confiança sobre as grandes mudanças que nossa política econômica precisa sofrer e, principalmente, sobre a forma que tais mudanças venham a ocorrer.

Mas, apesar do subdesenvolvimento político, o Brasil apresenta, no cenário internacional, imensas e inquestionáveis potencialidades de desenvolvimento sustentável, de tal forma que a arte de não crescer torna-se difícil.

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