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Ricardo Plotek

Uma vida jogada no lixo

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PUBLICADO EM 09/09/17 - 03h00

Além da final da Copa do Brasil, da qual “falarei” mais adiante, a operação da Polícia Federal na casa de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), nesta semana, não me surpreendeu, mas me chamou a atenção, embora, diante dos fatos que, ainda bem, não cansam de vir à tona no Brasil atual, R$ 480 mil sejam fichinha.

Não há nada na legislação brasileira que proiba quem quer que seja guardar dinheiro em casa, desde que declarado e que se possa provar a origem, o que o pai do voleibol brasileiro terá a chance de fazer ao longo das muitas explicações que tem para dar à polícia e à Justiça.

Mas Nuzman mudou muito com o tempo e, principalmente, com o poder.

Pra quem acha que o voleibol sempre foi o segundo esporte no gosto do brasileiro, sempre conto aos mais novos e ativo a memória dos mais velhos sobre o ano de 1984, quando a geração de prata, que conquistou, como o nome diz, o segundo lugar no vôlei masculino nas Olimpíadas de Los Angeles, nos Estados Unidos, foi o divisor de águas da modalidade, que começou a passar de semiprofissional no país a o que hoje conhecemos como o voleibol mais vencedor do mundo.

Antes disso, o hoje moribundo basquete nacional ocupava o degrau abaixo do futebol no coração dos brasileiros, principalmente por causa do bicampeonato mundial masculino (1959 e 1963).

Foi Nuzman o artífice desse processo fantástico pelo qual passou o voleibol, que aproveitou toda a onda criada com a prata em 84, o que não aconteceu com o tênis pós-Guga e com o basquete pós-Pan de 1987, só para citar dois exemplos.

Claro que o dirigente está, ainda, apenas sendo investigado, mas, na minha modesta opinião, jogou sua biografia no lixo ao se deixar picar pela mosquinha azul e ao entrar para esse mundo obscuro que, agora, o Brasil conhece como nunca.

Pode ser absolvido, pode provar sua inocência – o que acho muito difícil –, mas ter quase meio milhão de reais em casa, em espécie, daria vergonha ao dirigente que parecia diferente, competente, empreendedor, realizador, vencedor e preocupado com o desporto nacional.

Impressionante como o poder e o dinheiro devastam convicções que uma pessoa pareceu ter.

Depois de velho, Nuzman será lembrado como mais uma peça dessa engrenagem montada desde o dia 22 de abril de 1500, para privilegiar poucos em detrimento de muitos, ainda que isso, hoje, nos impeça de sair na rua, como mais uma criança carioca, como Nuzman, que morreu porque foi passear com o pai. Essa ainda saiu do útero.

Que Nuzman responda pelo que tiver que responder, mas sua figura, hoje e sempre, representará o que de pior o Brasil sempre teve.

Quanto à Raposa, ficou, sim, mais perto do título com o empate no Maracanã, ainda mais pelas circunstâncias da partida.

Faz o segundo jogo em casa e, embora seja uma equipe apenas competitiva, fechou a casinha na hora certa e tem muita camisa e torcida para encarar qualquer time nacional em um mata-mata como a Copa do Brasil, competição que o Cruzeiro tem muitas chances de conquistar. Acho que não escapa!

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