Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Silvana Mascagna

Coragem é pra quem tem

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
0
PUBLICADO EM 31/08/16 - 03h00

Há quatro meses, ela tinha “sucessivas explosões nervosas”, “destempero”, “surtos de raiva” e “total desconexão com a realidade”. Estava “irascível”, “fora de si” e “mais agressiva do que nunca”. “Sem condições emocionais”, tendo inclusive “avariado um móvel”. Estava tomando “rivotril e olanzapina, este último usado para esquizofrenia, mas com efeito calmante”. “A medicação”, no entanto, não estaria apresentando “eficácia”. “Gritos, berros e ofensas” com todos a sua volta eram uma constante.

Na última segunda-feira, essa mesma mulher discursou por 45 minutos e, diante de seus arguidores, respondeu a todas as questões que lhe foram destinadas por quase 14 horas, sem nunca perder o controle emocional, a não ser por alguns segundos, quando sua voz embargou ao lembrar ter sido torturada.

Que milagre teria acontecido com essa mulher para, em míseros quatro meses, se curar de uma doença psíquica tão grave?

Não houve milagre, meus caros. Pelo simples fato de que o retrato pintado daquela mulher em abril deste ano era obra de ficção revestida de reportagem (coassinado vergonhosamente por uma mulher) de uma revista semanal. Daquelas “reportagens” sem fontes identificadas, cheias de adjetivos, as quais somos ensinados nas escolas de jornalismo a nunca fazer. Aquilo não era uma reportagem, mas uma peça de propaganda negativa.

O texto, no entanto, não trazia nenhuma novidade quanto ao retrato que se faz, historicamente, de qualquer mulher (principalmente as mais poderosas) quando se quer depreciá-la. Usaram todos os adjetivos e “argumentos” (veja no primeiro parágrafo as palavras entre aspas) com o objetivo de reforçar estereótipos machistas nos quais mulheres não são confiáveis e, portanto, são inadequadas para determinado ofício, cargo, posição, principalmente em momentos de crise. Clichês, meros clichês.

O que se viu, na realidade, foi uma mulher corajosa e, aos 68 anos, com muita energia e paciência para enfrentar seus opositores. Mesmo sabendo que aquilo se tratava de um farsa, uma vez que já se sabe o veredito, respondeu às perguntas de todos, mesmo daqueles que fugiram do propósito, mesmo daqueles que não têm envergadura moral para estar ali, mesmo daqueles que, algozes, deveriam estar no lugar do réu.

Coragem, meus caros, é pra quem não foge à luta. Os covardes não suportam sequer inofensivas vaias.

O que achou deste artigo?
Fechar

Coragem é pra quem tem
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório

comentários (1)

Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter