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Silvana Mascagna

O que cura e o que adoece

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PUBLICADO EM 28/09/16 - 03h00

Cada vez mais acredito que doenças são manifestações patológicas de algo que nos afeta internamente. A própria palavra “doença”, que vem do termo em latim “dolentia”, significa “sentir ou causar dor”, mas também “afligir-se, amargurar-se”. Ou seja, não dá muito para fugir da ideia de que, quando ficamos doentes, estamos na verdade somatizando algo mais profundo, que nos atinge emocionalmente.

E essa teoria acaba ganhando força para mim com minha decisão de comer orgânicos – pelo menos na maior parte do tempo. É, portanto, inevitável, depois de tomada essa resolução, pensar na relação dos alimentos com nossa saúde e no quanto precisamos deles para nos curar. Uma efusão feita com arruda ajuda a aliviar os sintomas da conjuntivite, aprendi recentemente com uma amiga, que foi logo me dizendo: “O que você não está querendo enxergar, querida? Tente refletir”.

Esse papo pode parecer coisa de tilelê, mas gosto de pensar que a gente tem muito mais poder sobre nossos corpo e mente do que imaginamos. Gosto da ideia de consumir coisas de pequenos produtores em vez de investir na grande indústria. Gosto de achar que posso evitar doenças comendo determinados tipos de alimentos e, assim, não contribuir para a nefasta indústria farmacêutica e hospitalar.

Aprendi com Bela Gil e com a polêmica merenda que prepara para sua filha o quanto o ato de comer pode ser revolucionário. “... Entendo algumas pessoas criticarem a marmita da minha filha, pois acredito que elas não enxergam a alimentação como uma ferramenta política, econômica, social, ambiental e de saúde. Eu acredito que podemos mudar o mundo através da alimentação e são esses valores que quero passar para a minha filha no dia a dia”, escreveu Bela Gil, em resposta às pessoas que a recriminaram por mandar água, banana, batata doce e granola na lancheira de Flor, sua filha.

Nesse texto, ela ainda falou dos valores invertidos na nossa sociedade. “Muitas pessoas acreditam que saúde é sinônimo de mais hospitais, quando o ideal seria acreditar na promoção de uma alimentação e estilo de vida saudável, para que não precisássemos de mais hospitais. Educação não é só falar por favor e obrigada e sim saber fazer escolhas que afetem o mínimo possível aos outros e ao meio ambiente”.

Isso nunca mais saiu da minha cabeça. E quando resolvi fazer uma reportagem sobre orgânicos, ouvi de Márcia Godoy, uma fonte que virou amiga: “É preciso pensar em qual economia você quer movimentar? A das poderosas indústrias agrotóxicas, que poluem e contaminam alimentos e água, ou a do pequeno produtor, que é sustentável e preserva a natureza?”.

É pra refletir, não é não?

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