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Silvana Mascagna

Para Martinez, Manuela e Luíza

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PUBLICADO EM 27/07/16 - 03h00

Sempre tive pena de quem não conviveu com seus avós porque os três que tive o privilégio de conhecer foram sempre sinônimos de amor. Vó Luíza era mãe do meu pai. Muito séria e religiosa, sempre foi gentil e carinhosa. Nem era um carinho físico, mas aquele que vem no olhar, no sorriso e nas travessas de tortelli, prato que é sinônimo, até hoje, de reunião familiar e que fiz questão de aprender como homenagem a ela. O dela era imbatível. A receita da família Mascagna, aliás, é única. Por mais que tenha pesquisado por aí, nunca encontrei igual ao nosso: recheado com batata-doce, canela e pimenta. Minha madrinha e filha dela, tia Irene, que foi quem me ensinou a fazer tortelli, afirma que é sempre bom pedir a bênção dela quando for fazer a receita. Sempre peço e nunca deu errado. Herança a gente cuida com carinho.

Com o vô Martinez e a vó Manuela, pais da minha mãe, a convivência era diferente. Movidos pelo amor e pela alegria, eles eram o estereótipo de avós. Na casa deles, a porta da frente ficava aberta até tarde, não tinha hora certinha pra dormir, e, se desse na telha dele nos levar pra praia, metia-se tudo no carro, e íamos todos sem o menor planejamento. Era pura anarquia. Não à toa, implorava sempre pra virem me buscar para passar os fins de semana com eles. Porque nas férias, era de lei.

Para o vô Martinez, seus netos eram os mais lindos e inteligentes do mundo. Ele tinha um jeito fofo de chamar cada um dos cinco netos. Eu era a “Vaninha” ou “Pequeninha”. Era comum estar brincando na sala a seu lado, e ele, do nada, dizer: “Como é linda minha Vaninha!” A impressão é que ninguém no mundo me amou mais do que ele.

Vó Manuela era encantadora, sempre cheirosa e alegre. Vivia assoviando. Não parava quieta. A casa dela era um brinco, mas a gente podia brincar à vontade, exceto na sua cama, que era território proibido para nós... Quer dizer, para nós, as netas, porque Serginho, único neto e caçula por muito anos, vivia pulando em cima dela (ele era o preferido, embora vovó jamais tenha admitido). Ela era craque no crochê e me deu várias toalhinhas e tapetes, que guardo com carinho ainda hoje. Não era uma exímia cozinheira, mas seu puchero era delicioso.

Uma das lembranças mais reconfortantes e felizes que tenho é de quando ia dormir na casa deles em dias muito frios. Além de me cobrirem com uns quatro cobertores, eles colocavam por cima os casacos deles. Era o amor mais quentinho do mundo!

Bom, isso tudo porque ontem foi Dia dos Avós e me deu uma saudade enorme. Não choro mais pela falta deles, mas sempre abro um sorriso com essas lembranças.

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