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Thiago Nogueira

Entre sapos e heróis, o protocolo CBF

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PUBLICADO EM Fri Dec 01 03:00:00 BRST 2017

Assim que Luiz Flávio de Oliveira apitou o fim do jogo no Independência, no último sábado, o zagueiro, capitão e autor do gol do título do América na Série B, Rafael Lima, correu para a entrada dos vestiários do estádio para buscar as filhas. Depois de um ano duro de trabalho, ele só queria comemorar ao lado daquelas que ama. O porteiro do gramado, no entanto, não deixou o jogador entrar com as meninas, que, emocionadas, choravam muito.

Rafael Lima ficou revoltado. Achou a atitude um absurdo e se recusou a entrar em campo para erguer a taça sem as garotas. Em um misto de euforia e raiva, o zagueiro custou a ser convencido por membros da comissão técnica de que precisava seguir, sozinho, para o pódio. A ordem de proibir o acesso de “estranhos” no gramado faz parte do protocolo da CBF para deixar a festa mais “clean”, pelo menos, até o fim da transmissão da TV. Repórteres de rádio e até mesmo profissionais que estavam ao vivo no Premiere/SporTV não podiam entrar em campo. Apenas fotógrafos chegavam até o limite da cerca.

Credenciados

A CBF entregou para o clube apenas 50 crachás com o selo “pódio”. Só eles podiam entrar em campo e no cercadinho, rapidamente montado à beira do campo, onde seriam distribuídas as medalhas e entregue a taça ao campeão. A quantidade de credenciais é relativamente pequena para contemplar titulares, reservas, comissão técnica e diretoria. A determinação evita aglomerações e aqueles que, na minha terra, são chamados de “sapos”, pois adoram aparecer.

Revoltante

A tentativa de entrar no gramado do Horto gerou momentos de tensão e perigo, com a aglomeração de gente nos portões. Com a taça entregue, os próprios jogadores foram até o local forçando a abertura. Em São Paulo, na entrega da taça ao Corinthians, campeão da Série A, aconteceu o mesmo problema. “A CBF vem na minha casa falar e diz quem pode entrar ou não? Não admito isso, é um absurdo”, esbravejou Roberto de Andrade, discutindo com um funcionário da CBF.

Mineirão

No Gigante da Pampulha, do campo para o vestiário, há dois espaços para entrevistas ainda no campo (para rádios e emissora detentora dos direitos de transmissão) e outra já na área interna (não detentores dos direitos), mas, do vestiário para a saída, são diferentes corredores utilizados pelos jogadores para ir embora. Em meio a torcedores – ali em busca de fotos e autógrafos –, os jornalistas ficam como formiguinhas à caça de atletas.

Virou padrão

Esse protocolo não acontece única e exclusivamente no Brasil. A Conmebol também adota prática semelhante na entrega de taças de suas competições. Quem acompanhou a festa do Grêmio, campeão da Libertadores, pôde notar um grande cercado montado no gramado, com apenas atletas e dirigentes no pódio na cena. Na Liga dos Campeões da Europa a prática é até mais consolidada e nem precisa de cercadinho. Os fotógrafos já sabem que têm que manter distância.

Zonas mistas

O advento das novas arenas da Copa do Mundo no Brasil e o famoso padrão Fifa criaram as chamadas “zonas mistas”, o que, nada mais é do que um corredor onde os atletas passam obrigatoriamente e podem, ou não, parar para dar entrevista. Essa estrutura pode ser montada tanto na saída do gramado para o vestiário quanto do vestiário para a saída do estádio (para o estacionamento). A questão é que não há um padrão para esse espaço nos estádios brasileiros.

Independência

No Horto, estádio mais acanhado, há uma área para entrevistas no fim de jogo ainda no campo e outro espaço atrás do gol aberto. Depois do banho, é cada um por si. Uns saem pela frente, outros pela parte de trás dos vestiários. A CBF, que tanto tem estabelecido protocolos para sistematizar o trabalho, podia criar um padrão de zonas mistas. Hoje, cada estádio faz como quer e se realmente quer. A questão é que qualquer nova estrutura gera custos.

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