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Vittorio Medioli

À procura da beleza

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PUBLICADO EM 09/07/17 - 04h30

Algumas mulheres gastam fortunas para ficarem mais atraentes, belas e desejadas. Não importa a elas serem invejadas, sofrer o mau-olhado, desde que possam provocar o aumento de desejo.

Pode faltar comida na despensa, mas não batom e perfume na bolsa. Entre um reconhecimento de admiração e um prato de boa comida, não há dúvida.

O impulso que agita vem de dentro, das vísceras, de Eva, a matriarca, no Jardim do Éden.

Procura-se a beleza nas lojas de roupas, sapatos, acessórios, no salão, na academia, remirando-se ao espelho como a madrasta de Branca de Neve: “Espelho, espelho meu, tem alguém mais bela do que eu?”. E, se tem, sai de baixo.

Valem botox, cirurgias, silicones, mais que uma casa nova. Algumas mulheres se fazem acompanhar, preferencialmente, de alguém que seja inferior, menos bela, ou simplesmente mais feia. A inteligência, no mundo das rivalidades, não incomoda.

A “rival” de regra é criticada no que há de melhor, e o defeito tem adjetivos de última geração. O que para o homem não faz diferença, na mulher chega a ser uma obsessão.

Devido à incontida e congênita predisposição feminina, o produto voltado para ela é sempre mais caro que o similar masculino. Um barbeador cor-de-rosa com o mesmo desenho e praticidade de outro azul, destinado a raspar a barba do homem, se encontrará sempre mais caro.

Mulher excessivamente vaidosa não olha o preço, sua compra é compulsiva. O que desperta a convicção de ser mais admirada atropela outras considerações. Ser mais atraente sempre vale um sacrifício. Uma lipoaspiração, uma penosa e sofrida cirurgia plástica não geram temor nem dor, como não existe frio que impeça um decote, um salto alto que arrebente o pé.

A autoestima vem em primeiro lugar.

Embora o mundo se movimente de vaidades, a beleza se liga à simplicidade, à limpeza interior, aos pensamentos e sentimentos de bondade. A megera é um horror.

A ingenuidade, a candura de um olhar, a humildade sem vaidade valem mais que um produto da Revlon, não se compram, não se inventam. Apenas se praticam.

Explica com singeleza a lenda de Cinderela, que a beleza é fruto de virtudes, ingenuidade e frescor. É o reflexo de uma alma limpa.

Para Dante Alighieri, foi traduzida nos versos inspirados por Beatriz:

“Tão gentil e honesta parece/ a minha amada quando alguém saúda/ que qualquer língua trêmula se cala,/ e os olhos param para dela se saciar./ Mostra-se tão radiante para quem ela olhar,/ que pelos olhos dá doçura ao coração...”

Economizar-se-ia assim um imenso dispêndio apenas inspirando-se em Beatriz. Disso a suma importância do controle dos pensamentos negativos, para amenizar rugas, deixar brilhar as pupilas, irradiar charme. Isso sem gastar o salário inteiro.

Nota-se facilmente que as mulheres desregradas, invejosas, que criticam e praticam vícios, se desidratam e envelhecem marcadas por feições, ficam pesadas, apesar de magras, e perdem a leveza do andar.

Lembra Dante: “Parece que dos lábios dela se expressa/ um espírito suave e repleto de amor/ que vem dizendo à alma: suspira”.

Assim, embora estranho em nossos dias, “os pensamentos negativos destroem a beleza, envelhecem, deformam”. O conselho de um mestre para quem pretende manter a juventude (vale também para os homens) é fugir da inveja, gula, luxúria, vaidade, mantendo a alma leve como de uma criança e usando bondosa naturalidade. Com isso, traços mais suaves e mais jovens serão o prêmio, refletindo-se no semblante um doce conteúdo.

Alimentem-se com menos carne e mais verduras e frutas, ajudem quem sofre, não furem a fila, aguardem em paz e com confiança a sua vez.

E, se tiverem uma forte disposição de viver melhor, não esqueçam: “A vontade consegue tudo aquilo que não deseja”.

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