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Vittorio Medioli

Por onde vamos?

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PUBLICADO EM 09/04/17 - 03h30

“Se você pretende chegar à popularidade – explica um artigo escrito em fevereiro de 1889 por uma figura vastamente sábia –, o caminho mais fácil será seguir algumas regras. Uive como os lobos. Faça homenagem fervorosa aos vícios favoritos dos incultos, reverencie as mediocridades como fossem excelências. Feche os olhos firmemente diante de qualquer verdade que incomode a maioria, desde que não seja percebida pelos líderes da manada. Junte-se contra a minoria dos dissidentes, que enxergam os problemas e os males. Curve a cabeça diante da vulgaridade do poderoso e bata palmas para o macaco que zomba do leão caído e agonizante. Fique sempre alinhado com a opinião mais cômoda e dominante. Siga as modas. Com isso será certamente bem popular”.

A descrição traça o contorno do demagogo e, embora conhecida, renova-se a cada geração e colhe os louros de efêmeras vitórias.

E, se tem um lado sombrio, podemos procurar outro luminoso e bem mais raro em contraposição à fácil e vil demagogia.

“Não podemos esquecer-nos de alimentar até mesmo uma serpente esfomeada – ensinou o Mestre Budha –, controlando em nós o medo de vê-la voltar-se e morder a mão que a alimenta; não podemos esquecer a lei divina (Karma), que castigará quem foge e abandona os míseros ou se esquece de aliviar o pecador ou o desgraçado”.

Alimentar a serpente sem medo, oferecer a carne do nosso corpo ao tigre esfomeado!

Parece insanidade, mas a força firme e pura do bem pode anular o instinto do maléfico. Aí está a chave do milagre, da quebra da barreira. Assim como a cruz repele o diabo, o sentimento sem mancha aniquila o sombrio contrário. A luz faz desaparecer a escuridão, a força do bom pensamento amansa a besta, sacia seu apetite.

E aquela menina que foi violentada pelo bruto? O que fez de errado? Mal chegou a este planeta. Mas chegou, e chegou de outra esfera trazendo algo que possibilitou o horripilante crime? Como uma obra de barro, o infausto evento foi amassado por um diabo nas profundezas, invisíveis ao olho, que se estarrece diante da crueldade.

Acreditar? Sim, embora o santo monge, questionado pelo discípulo ao cair da escada: “Até tu, santo e imaculado?”, tenha respondido: “Sim, há 56 encarnações, pisei uma formiga inocente...”
E ainda é oportuno lembrar que a dor, em todas as suas formas, prefere os que procuram alcançar um desenvolvimento espiritual mais elevado. A dor é a expressão da benevolência superior. Per aspera ad astra.

Segundo o abade, não existe o mal como entidade, mas ele se revela na ausência do bem. Como a escuridão quando a luz se apaga. Quando a consciência se enfraquece, aparece o que definimos como mal e faz a festa, como rato na ausência do gato.

Como diria a inspirada Blavatsky, “uma vida limpa, uma mente aberta, um coração puro, um intelecto ardente, uma clara percepção individual, a fraternidade para com todos, a presteza para dar e receber conselhos e ensinamentos, a decidida resistência às injustiças pessoais, a intrépida defesa dos injustamente atacados, e, acima de tudo, uma visão constantemente voltada para o ideal, são a escada de ouro por cujos degraus um aprendiz chegará ao Templo da Sabedoria Divina”. E, quando essa vastidão se descortina, outro universo se ilumina.

A doce utopia, talvez, de um admirável mundo, que um dia chegará quando os méritos o deixarem surgir e ser realidade. Novo, livre, sem estruturas rígidas, pois cada homem saberá onde colocar-se fraternalmente, sem necessidade de pressão.

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